Parar de fumar ajuda a preservar a capacidade funcional após os 60 anos
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São Paulo - Um dos principais mitos sobre o tabagismo é que abandonar o cigarro depois dos 60 anos de idade já não faz diferença. Mas, segundo o geriatra Lucas Gomes de Andrade, diretor da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), nunca é tarde para parar de fumar.
"É claro que quanto mais cedo a pessoa abandona o cigarro, maiores são os benefícios. Mas mesmo depois dos 60, 70 ou 80 anos, a interrupção do tabagismo reduz o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), câncer e doenças respiratórias. Diminui também sintomas como tosse e reduz as idas ao pronto-socorro", explica.
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Principais benefícios do fim do tabagismo após os 60
Embora o câncer de pulmão seja uma das principais doenças associadas ao tabagismo, os prejuízos do cigarro vão muito além desse diagnóstico, explica o geriatra. O hábito acelera o envelhecimento do organismo, favorece a perda de massa muscular, aumenta a fragilidade e compromete a capacidade funcional, fatores que interferem diretamente na autonomia e na qualidade de vida, explica Andrade.
Por isso, após os 60 anos, a cessação do tabagismo também é indicada para preservar a capacidade funcional, ou seja, manter condições de realizar as atividades do dia a dia com autonomia e independência pelo maior tempo possível.
Parar de fumar pode melhorar o fôlego, facilitar a prática de atividade física, reduzir infecções respiratórias, favorecer a recuperação após cirurgias e ajudar a pessoa idosa a manter sua independência por mais tempo."
Em outras palavras, destaca o médico, não é apenas viver mais anos. "É uma das medidas que mais contribuem para um envelhecimento saudável".
O cuidado também inclui atividade física regular, alimentação adequada, vacinação, controle de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e, em alguns casos, a avaliação da indicação de rastreamento do câncer de pulmão por meio de tomografia de baixa dose, conforme critérios clínicos.
Substituir cigarro por vape não é alternativa segura
De acordo com o cirurgião cardíaco Edmo Atique Gabriel, pós-doutor pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a ideia de que o vape seria menos prejudicial por produzir vapor aromatizado, em vez de fumaça, é equivocada.
É um mito absoluto que o vape não faz mal ou faz menos mal. O nível de intoxicação acaba sendo até maior, porque são misturados ali vários componentes altamente tóxicos e não há benefício nenhum."
Segundo o médico, os componentes presentes nesses dispositivos também podem contribuir para danos ao longo da vida. "Nós temos pelo menos uma década de estudos mostrando efeitos extremamente nocivos para o envelhecimento. A pessoa envelhece mais rápido, a pele fica mais danificada", explica.
O especialista também chama atenção para o uso de vapes entre as mulheres que estão na menopausa ou já passaram por essa fase. "Elas assumem um risco ainda maior de desenvolver problemas cardiovasculares, como infartos e derrames", finaliza.
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