Alunos da USP entram em greve e aderem a protesto de servidores
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São Paulo - O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade de São Paulo (USP) decidiu entrar em greve. A medida foi aprovada em votação nesta quarta-feira, 15, em assembleia entre os alunos realizada na Cidade Universitária (Butantã), zona oeste da cidade.
A deliberação para a paralisação aconteceu no vão da FFLCH, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da universidade. Durante a assembleia, manifestantes cantaram em protesto contra a reitoria da USP, que não chegou a se manifestar sobre a decisão dos alunos até a publicação deste texto.
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A paralisação começou na semana passada e foi organizada por servidores da USP após a criação de um bônus destinado apenas aos professores.
Na esteira do movimento, os universitários aproveitaram para colocar as pautas estudantis nas negociações: melhorias no bandejão (restaurante universitário), vestibular direcionado a pessoas indígenas e cotas para pessoas trans, além de demandas específicas de cada faculdade.
A Reitoria da USP informou que está previsto investimento de cerca de R$ 461 milhões ao Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), que beneficia quase 16 mil alunos. Também afirmou que a qualidade dos restaurantes universitários é analisada por nutricionistas e administrativamente. A universidade disse que houve alerta e advertências às empresas responsáveis.
A aprovação da greve por parte dos estudantes foi comemorada pelo Sintusp, o Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo. "Nós estudantes e trabalhadores da USP somos o coração pulsante da universidade e vamos lutar juntos em defesa de uma universidade mais igualitária a serviço dos trabalhadores e do povo pobre!", escreveu a categoria, em postagem nas redes sociais.
Agora, o centro acadêmico de cada curso deverá convocar uma assembleia própria para decidir se irá aderir ao movimento do DCE. A paralisação já havia sido aprovada na terça pelo grêmio estudantil da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da USP e pelo Conselho das Entidades da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), também conhecida como USP Leste.
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Na terça, o DCE já havia aprovado o estado de greve e realizado manifestações, com piquetes, pelos prédios da universidade. "Estudantes de mais de 100 cursos da USP, do interior à capital, pararam suas atividades. Nos inspiramos nos funcionários que vão à luta e, mesmo sob ameaças de corte de ponto, lutam por reajuste salarial e isonomia", afirmou o DCE em nota na terça.
"Decidimos não mais naturalizar o que não é normal. Os estudantes comerem larva, barata, vidro, não é normal. A USP se negar a ampliar seu acesso, se negando a discutir cotas trans e vestibular indígena, não é normal. Paramos para que a USP seja de fato de qualidade e para todos", diz o comunicado.
A Reitoria da USP afirmou que realizou reunião com representantes das entidades estudantis na terça. A instituição diz que propôs a criação de grupos de trabalho para tratar das demandas dos alunos.
Apesar disso, os estudantes aprovaram o estado de greve. "A Reitoria reitera seu compromisso permanente com a manutenção de um diálogo construtivo com todos os segmentos da Universidade, pautado no respeito à diversidade."
Entenda a greve na USP
Os servidores protestam contra um bônus apenas para professores - a Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas aprovada no fim de março pelo reitor Aluisio Segurado. Procurada a USP não se manifestou sobre a greve.
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A medida prevê um valor extra de até R$ 4.500 nos salários de docentes que propuserem novos projetos. O objetivo é “reter talentos”, principalmente de contratações recentes. A medida custará à USP cerca de R$ 238 milhões por ano, caso os mais de 5 mil docentes inscrevam projetos.
O bônus é mensal, com duração de dois anos. Só professores que trabalham em tempo integral na USP - mais de 80% do total - podem pleitear o benefício. O salário inicial de um professor doutor em dedicação exclusiva na universidade é de R$ 16,3 mil. O adicional representaria 27% desse total.
Para os funcionários, a gratificação exclusiva aos professores fere a isonomia. Eles propõem que o mesmo valor total destinado aos docentes seja dividido entre funcionários, o que resultaria em um reajuste salarial de até R$ 1.600.
"O professor aqui não trabalha sozinho. Os funcionários ficam nos laboratórios, nas aulas. Eles precisam dos trabalhadores para desenvolver suas pesquisas", afirma Solange Conceição Lopes, diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP.
A entidade quer ainda, a recomposição integral das perdas calculadas pela inflação desde 2012, de 14,5%.
A USP tem mais de 5.300 professores e aproximadamente 12.600 funcionários técnico-administrativos, segundo dados de 2024 divulgados pela própria universidade.
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