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Canetas emagrecedoras ampliam busca por cirurgia plástica; entenda riscos

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Pele nem sempre consegue se retrair no emagrecimento, levando à necessidade de cirurgia - AdobeStock
Pele nem sempre consegue se retrair no emagrecimento, levando à necessidade de cirurgia
Por Bianca Bibiano

31/05/2026 | 12h06

São Paulo - O avanço do uso de medicamentos para emagrecimento, como os agonistas de GLP-1, tem levado mais pacientes aos consultórios de cirurgia plástica em busca de procedimentos para corrigir flacidez e excesso de pele após a perda acelerada de peso.

Especialistas alertam, no entanto, que a decisão pela cirurgia deve considerar uma série de fatores e pode apresentar riscos em alguns casos, especialmente para quem não suspender o uso das canetas antes da cirurgia.

Segundo a cirurgiã Karine Barreto Gonzaga, CEO da Symetria Cirurgia Plástica, esses procedimentos têm sido cada vez mais comuns, mas a avaliação deve ser individualizada, considerando a estabilidade do peso e atenção aos impactos nutricionais e metabólicos provocados pelo emagrecimento rápido.

"Nós analisamos principalmente a qualidade da pele, o grau de flacidez, a perda de volume, a quantidade de excesso cutâneo e também o impacto emocional e funcional dessas mudanças no corpo do paciente", afirma.

O cirurgião plástico Marcus Vinícius Jardini Barbosa, docente do curso de Medicina da Unifran, observa também que a procura por cirurgia costuma estar relacionada não apenas à estética, mas também a desconfortos físicos:

Quando ocorre uma perda importante de gordura corporal, a pele nem sempre consegue se retrair adequadamente, principalmente em regiões como abdome, braços, coxas, mamas e face. Isso pode causar flacidez, assaduras, dificuldade de higiene, limitação para exercícios físicos e impacto emocional."

Ele ressalta, ainda, que os medicamentos podem provocar perda significativa de massa muscular, agravando a flacidez. “Um ponto importante: o uso de canetas emagrecedoras traz perda importante de massa muscular (magra), o que agrava a flacidez.”

Entre as áreas mais procuradas para cirurgia estão abdome, mamas, braços e parte interna das coxas. De acordo com Gonzaga, o abdome segue como principal queixa devido à sobra de pele e à dificuldade de recuperação do contorno corporal. Já braços e coxas costumam representar maior desafio cirúrgico pela delicadeza da pele e tendência à flacidez residual.

Riscos da cirurgia

O uso dos medicamentos também exige atenção especial no período pré-operatório. A endocrinologista Cristina Triches, professora do curso de medicina da Unicid, explica que o principal cuidado está relacionado ao esvaziamento gástrico mais lento provocado pelas substâncias:

“De maneira geral, não há um risco específico relacionado ao uso prévio da semaglutida para a realização da cirurgia plástica. O principal cuidado é a suspensão da medicação algumas semanas antes do procedimento, especialmente por conta do esvaziamento gástrico mais lento provocado pela substância, o que pode aumentar riscos anestésicos.”

Karine Gonzaga destaca que isso eleva o risco de broncoaspiração durante a anestesia. “Significa que, mesmo em jejum, o paciente pode ainda ter conteúdo no estômago.”

Ela ressalta também que, nos casos de múltiplas plásticas, pode ser necessário dividir as cirurgias em etapas. "Em cirurgia plástica, segurança sempre deve vir antes da quantidade de procedimentos realizados no mesmo dia. Em alguns casos, principalmente após grandes perdas de peso, o mais indicado é dividir".

O médico Marcus Vinícius Barbosa acrescenta que pacientes submetidos a emagrecimento acelerado podem apresentar deficiência de proteínas, ferro, vitamina B12, além de perda muscular e desidratação.

“Esses fatores podem aumentar o risco de complicações cirúrgicas, como abertura de pontos, infecção, cicatrização lenta e maior formação de seromas (acúmulo de líquido)", pontua.

Na recuperação, os especialistas recomendam atenção à alimentação, hidratação, uso correto de malhas compressivas e manutenção da massa muscular:

Também reforçamos muito a importância da manutenção da massa muscular e do aporte proteico, porque muitos pacientes que emagrecem com auxílio medicamentoso acabam perdendo músculo junto com gordura”, complementa Gonzaga.

Alerta para pessoas 35+

A cirurgiã explica que a pele nem sempre acompanha a redução de volume promovida pelas medicações, sobretudo em pacientes acima dos 35 anos de idade.

“As canetas emagrecedoras promovem muitas vezes uma perda de peso rápida e importante, mas nem sempre a pele acompanha essa redução de volume, principalmente em pacientes acima dos 35-40 anos ou que já tinham uma pele mais fragilizada previamente.”

Jardini Barbosa ressalta que a idade, isoladamente, não impede os procedimentos.

Atualmente, o mais importante é a chamada ‘idade biológica’, ou seja, o estado geral de saúde do paciente. E não apenas a idade cronológica."

Ele destaca, porém, que pessoas acima dos 50 anos podem apresentar recuperação mais lenta devido à redução natural da elasticidade da pele e da produção de colágeno. 

Cuidados com reganho de peso

Os especialistas consultados pelo VIVA alertam que o reganho de peso após uma cirurgia plástica oferece uma série de complicações:

Caso o paciente interrompa o tratamento com semaglutida ou tirzepatida, existe o risco de recuperação parcial ou total do peso perdido, o que pode impactar diretamente os resultados da cirurgia plástica ao longo do tempo”, afirma endocrinologista Cristina Triches.

Ela complementa destacando que oscilações importantes de peso podem provocar novas alterações no contorno corporal, flacidez e proporção estética, por isso o ideal é que o procedimento seja realizado em um momento de maior estabilidade clínica e manutenção do emagrecimento.

Já Karine Gonzaga reforça que a cirurgia não substitui hábitos saudáveis. “O melhor resultado é aquele sustentado por um estilo de vida equilibrado, com alimentação adequada, atividade física e acompanhamento médico contínuo.”

Ambas reforçam que o procedimento não deve ser realizado imediatamente após o emagrecimento. “O ideal é que o paciente esteja próximo do peso desejado e com manutenção estável por alguns meses antes da cirurgia, para que possamos entregar um resultado mais previsível e duradouro”, complementa a cirurgiã.

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