CONFIRA

Após os 50, ela fez a graduação dos sonhos e hoje dá aulas em universidade

Após anos como secretária, Márcia Reis fez duas faculdades e conseguiu se especializar; agora é psicóloga e leciona em cursos de ensino superior

Bianca Bibiano

Por Bianca Bibiano

15/10/2026 | 18h20

Acervo pessoal

"Disseram que eu jamais conseguiria transformar minha vida porque não tinha um curso superior", diz Márcia - Acervo pessoal
"Disseram que eu jamais conseguiria transformar minha vida porque não tinha um curso superior", diz Márcia
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Márcia Reis, que adiou seu sonho de cursar uma universidade por anos devido a responsabilidades pessoais, finalmente ingressou em um curso de Administração aos 35 anos, após enfrentar desafios como o desemprego e um diagnóstico de câncer. Sua trajetória de superação a levou a se tornar professora e psicóloga, inspirando outros a não desistirem de seus sonhos.

Após ser desligada do emprego e enfrentar uma cirurgia, Márcia se tornou tutora na Universidade Anhembi Morumbi e, posteriormente, lecionou na área de Gestão e Negócios. Aos 50 anos, ela conquistou uma bolsa para estudar Psicologia.

Atualmente, aos 56, Márcia leciona em dois cursos e atua na área clínica, destacando a importância de sua experiência como aluna para se conectar com estudantes. Ela encoraja aqueles que buscam uma nova carreira na maturidade a persistirem em seus objetivos, independentemente do tempo que levem para se concretizar.

Resumo gerado por IA

São Paulo - O desejo de cursar uma universidade acompanhou Márcia Reis desde a infância. Durante muitos anos, porém, chegar ao ensino superior parecia uma possibilidade distante. Trabalho, casamento, maternidade e responsabilidades financeiras fizeram com que o projeto fosse adiado.

Somente aos 35 anos, já separada e mãe solo, conseguiu chegar à faculdade, época em que optou por Administração, mirando uma necessidade de inserção rápida no mercado de trabalho.

A possibilidade da primeira formação veio depois de anos trabalhando como secretária em um ambiente profissional marcado por cobranças excessivas e barreiras pela falta de diploma.

Disseram que eu jamais conseguiria transformar minha vida porque não tinha um curso superior. Algumas palavras têm o poder de nos derrubar. Outras têm o poder de nos despertar. Aquela me despertou.
Márcia Reis, psicóloga e professora

No último ano do curso, porém, foi desligada do emprego e, pouco depois, descobriu um tumor no fígado. O diagnóstico exigiu exames e uma cirurgia, que deixou uma cicatriz de 42 pontos.

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“Com o tempo, a cicatriz se tornou uma marca de resistência”, disse em relato enviado ao VIVA. Pouco depois, ela iniciou uma nova etapa profissional como tutora na Universidade Anhembi Morumbi e permaneceu na função durante dois anos até ser aprovada no mestrado. Na sequência, começou a lecionar na área de Gestão e Negócios.

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Enquanto atuava como professora na Administração, Márcia fez a segunda faculdade em Psicologia - Acervo Pessoal 

Em busca de um desejo antigo

A realização profissional não parou por aí e um desejo antigo de se especializar em Psicologia a motivou a seguir se aprimorando. “A vida me ensinou que os sonhos não têm prazo de validade. Aprendi que recomeçar não é um sinal de fracasso, mas um ato de coragem”, afirma.

Aos 50 anos, ela ganhou uma bolsa na universidade em que trabalha e conseguiu se formar em Psicologia. Hoje, aos 56 anos, leciona em dois cursos e também atua na área clínica.

Para ela, ter voltado ao papel de aluna enquanto professora influenciou na forma como ela se relaciona com os jovens que estão iniciando uma graduação ou construindo uma nova carreira em outras fases da vida.

"Sou apaixonada por ensinar, por aprender e por participar da formação de futuros profissionais. Quando um estudante me diz que se sente inspirado pela minha trajetória, me lembro de todos aqueles que me inspiraram ao longo da caminhada."

Aos que se inspiram em sua narrativa e desejam ter uma carreira ativa após os 50, ela recomenda: “Não desistam dos seus sonhos apenas porque eles demoraram a acontecer. Alguns florescem cedo. Outros precisam atravessar tempestades.”

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