Da escola pública à privada: como economizar no material escolar em 2026
Marco Ambrosio/Ato Press/Estadão Conteúdo
Por Bianca Bibiano
19/01/2026 | 14h38
São Paulo, 19/01/2026 - Basta andar nas ruas de comércio popular ou até mesmo olhar as vitrines de aplicativos de compra para ver que a bola da vez são os materiais escolares. Mas nem todo mundo pretende (e nem pode) gastar muito nesse aspecto. Pesquisa recente do Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro mostrou que 80% dos brasileiros com filhos em idade escolar vão conter gastos reaproveitando itens do ano passado, como mochilas, estojos e cadernos.
Isso tem relação direta com o impacto desses itens no orçamento familiar, afetando 88% dos entrevistados. Segundo a pesquisa, no caso do ensino fundamental, o gasto varia entre R$ 235 a R$ 480 por filho. No ensino médio, ele vai de R$ 300 a R$ 500 reais por filho.
Outro estudo, da empresa Rico, mostra que enquanto o IPCA (índice geral de inflação) acumulou alta de 4,26%, a chamada “cesta de volta às aulas” avançou 5,32%, superando a inflação média do período. No quesito uniforme escolar, o aumento é de 7,24% em 2025, mas com elevação de quase 40% de alta em cinco anos.
De acordo com o economista Alexandre Bertoncello, fundador da Bella Investimentos, esse impacto do material escolar nas contas depende muito da organização financeira e da classe social. "Nas classes C e D, o impacto é muito grande. Já nas classes A e B, eles consideram o impacto significativo, mas não grande. Mas a principal consequência é que esses gastos das famílias entre janeiro e fevereiro limitam os outros gastos, como lazer, alimentação e em alguns casos até contas fixas, como água e luz."
Para além do reaproveitamento, é possível recorrer a outras estratégias para economizar com material escolar. Veja a seguir estratégias indicadas por Bertoncello e outras dicas levantadas pela reportagem do VIVA para ajudar nesse quesito.
6 estratégias para economizar no material escolar
1. Grupos de compras coletivas ou compras centralizadas na escola
Bertoncello indica duas estratégias que considera "relativamente mais difíceis, mas mais efetivas". A primeira são clubes de compra ou cooperativas de compra. Pais da mesma escola ou da mesma sala podem se cotizar para conseguir comprar produtos em preço de atacado.
"Isso é complexo de fazer devido à falta de tempo, à dificuldade na comunicação e, principalmente, o momento diferente de cada família na hora de fazer essa compra. Mas, com um pouco de organização e um grupo bem organizado no WhatsApp poderia ajudar isso."
No caso das escolas privadas, algumas oferecem plataformas que organizam a compra de materiais, especialmente de livros didáticos, facilitando não só a organização, mas garantindo facilidades de compra.
A gerente comercial da Disal, que oferece hotsites personalizados para esse fim, Cleide Messias Leite, explica que é possível economizar em média 10% nas compras de livros escolares usando os serviços centralizados de compra.
"Essas plataformas evitam erros comuns, como a compra de edições incorretas ou materiais desnecessários, e concentram tudo em um único ambiente online. Além disso, as condições comerciais são previamente negociadas com as escolas, o que permite oferecer descontos, parcelamento, diferentes modalidades de entrega, em casa, na escola ou retirada em livrarias, trazendo previsibilidade financeira em um período tradicionalmente mais oneroso do ano", diz Leite.
Ela explica que há uma tendência das escolas particulares em atuar de forma mais ativa como mediadoras do processo de compra, justamente para reduzir o impacto financeiro para as famílias. "Uma tendência clara é a adoção de parcerias com empresas especializadas, que assumem toda a gestão da lista de livros, da curadoria à logística", exemplifica.
2. Planejar e distribuir as compras ao longo do ano
Caso não consiga fazer isso de forma coletiva ou centralizada na escola, Bertoncello indica fazer uma espécie de investimento ou poupança mensal apenas para esse fim. "Muitos itens que agora em janeiro e fevereiro estão muito caros, quando chega num período pós-compra de material escolar ficam mais baratos na 'não-temporada', que é o começo e o meio do ano. Imagine que você consiga fazer reservas de R$ 50 a R$ 70 todo mês, porque no próximo ano, os gastos acontecerão."
Além disso, ele explica que alguns itens são previsíveis, como cadernos, estojos e mochilas, que podem ser comprados com desconto, principalmente entre março e maio, e no final de setembro a início de novembro.
Então seria um momento de você poder comprar com descontos muito superiores aos praticados e comprar à vista para não comprometer principalmente as contas no começo do ano - que além de material escolar, tem IPTU, IPVA e uma série de outras despesas."
3. Pesquisar ainda é uma boa estratégia
Para Rogério Zorzetto, CEO da rede de franquias Prioridade 10, a informação ainda segue como a principal aliada do consumidor. “Pesquisar deixou de ser uma etapa opcional. Comparar preços em lojas físicas e observar o custo-benefício de cada item fazem diferença direta no valor final da compra”.
Zorzetto oferece duas dicas adicionais:
- Defina um limite de gastos antes de ir às compras
Estabelecer um teto financeiro orienta todas as decisões ao longo do processo. Com o valor máximo definido, a família passa a priorizar itens realmente necessários e evita compras por impulso. Esse limite funciona como um filtro, facilitando escolhas mais racionais e alinhadas à realidade do orçamento disponível.
- Evite decisões guiadas por tendências
Personagens licenciados, lançamentos e modismos costumam encarecer produtos sem impacto direto no desempenho escolar. A escolha por materiais neutros, duráveis e atemporais reduz custos e amplia a vida útil dos itens. Essa postura favorece o reaproveitamento ao longo do ano e até em períodos letivos seguintes.
4. Material escolar gratuito na rede pública
Na rede pública, todos os estudantes têm direito à material escolar, embora não seja incomum notícias de atrasos e falta de itens, que vão desde livros a uniformes, passando por cadernos, mochilas e itens de papelaria.
Por lei, os materiais escolares não podem ser cobrança obrigatória na rede pública, mas podem ser solicitados de forma facultativa, ficando a critério da família fornecer ou não os itens.
Além disso, há redes de ensino, como a rede municipal de São Paulo, que oferecem um Kit Escolar com uma espécie de voucher em conta para compra do material em papelarias credenciadas. A liberação do crédito é feita no CPF do responsável legal pelo estudante, informado no ato da matrícula, por meio do aplicativo Kit Escolar DUEPAY, disponível para dispositivos Android e iOS, nas plataformas Google Play Store e Apple Store, respectivamente.
Os responsáveis pelos estudantes têm autonomia para escolher os itens necessários dentro dos kits e dos valores disponibilizados em mais de mil lojas credenciadas para uniforme e 1.180 para material escolar, distribuídas em todas as regiões da cidade. O benefício pode ser utilizado até outubro.
O valor para aquisição de material é concedido a todos os estudantes, desde a Educação Infantil ao Ensino Médio, incluindo a Educação de Jovens e Adultos (EJA) e os estudantes dos Centros de Estudos de Línguas Paulistanos (CELPs), e variam de R$ 149,97 a R$ 422,92 a depender da etapa de ensino. Os alunos até o ensino fundamental também têm direito à crédito para compra de uniformes e tênis, com valor adicional de R$ 571,90.
5. Doações de empresas e ONGs
Algumas iniciativas privadas e de organizações não governamentais (ongs) também contribuem com a aquisição de materiais, especialmente entre famílias de baixa renda. Para receber as doações, a melhor estratégia é fazer o cadastro junto a ongs e clubes Rotary da sua região, que geralmente atendem crianças, adolescentes e pessoas em vulnerabilidade social, com ou sem cadastrado no CAD Único.
Também é possível buscar mais informações junto à escola ou nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e secretarias municiais ou estaduais de educação.
Leia também: CadÚnico: o que é e quem pode se inscrever?
Para quem deseja doar, é possível encontrar pontos de coleta em espaços de grande circulação, como o Plaza Sul Shopping, em São Paulo (SP), que realiza até o dia 8 de fevereiro a campanha Volta às Aulas Solidária 2026, com ponto de coleta instalado em frente ao Lounge da Leitura. A ONG que receberá os materiais será a “Tamo Junto”, segundo comunicado do shopping.
Ainda de acordo com a organização do projeto, podem ser doados materiais em bom estado, como mochilas, estojos, apontadores, colas, borrachas, lápis preto, lápis de cor, canetas, tinta guache e cadernos, além de livros literários não didáticos, ampliando ainda mais o incentivo à leitura.
Em Cascavel (PR), o Catuaí Shopping Cascavel, em parceria com o clube Rotary Cascavel e a loja Big Casa, também realiza campanha semelhante. O diferencial é que ao realizar a doação no local, o consumidor recebe 5% de desconto na loja parceria.
A Fundação Caxias, de Caxias do Sul (RS) também arrecada doações até 14 de fevereiro em diferentes pontos da cidade. Nessa campanha, além de materiais novos ou em bom estado, também podem ser doados cadernos usados, mas com folhas em branco, que serão reciclados e reconfeccionados em parceria com a Faculdade da Serra Gaúcha (FSG).
Todo o material arrecadado será destinado às escolas municipais que atendem crianças em situação de vulnerabilidade social. As instituições interessadas devem entrar em contato com a Fundação Caxias e realizar o cadastro para recebimento.
Já no ambiente online, a Shopee e o Instituto Vakinha lançaram este mês a campanha “Volta às Aulas”, que permite que usuários da plataforma façam doações digitais para a compra de materiais escolares destinados a crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social. Os itens adquiridos, como cadernos, mochilas e estojos, serão destinados a estudantes atendidos por três organizações sociais com atuação educacional no Brasil: Cidadão Pró-Mundo, Instituto Alicerce e Instituto Novo Sertão.
6. Trocas de livros
Para estudantes que precisam adquirir os chamados livros paradidáticos, como de literatura e ficção, uma possibilidade é buscar sistemas de trocas de livros cadastrados em prefeituras, ONGs e livrarias.
Em São Bernardo do Campo (SP), por exemplo, a prefeitura mantém na região central o Espaço Troca Livro, que permite a troca de três itens por vez, ampliando o acesso a obras variadas. Embora não tenha materiais didáticos, pode ajudar quem busca obras de referência e leituras previstas nos vestibulares.
Em Recife (PE), os estudantes podem procurar o Escambo de Livros, um espaço estadual permanente para troca de livros de literatura para aqueles que têm em sua biblioteca títulos que já leram e desejam permutar por outros. O espaço fica no bairro Boa Vista.
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