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5 dicas para o convívio entre diferentes gerações no ambiente de trabalho

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Relações entre gerações devem ser baseadas em troca, respeito e disposição para aprender - Pexels
Relações entre gerações devem ser baseadas em troca, respeito e disposição para aprender
Por Bárbara Ferreira

16/06/2026 | 08h56

São Paulo – Baby boomers, geração X, millennials e geração Z dividem hoje o mesmo ambiente corporativo. Enquanto profissionais mais experientes são referência no conhecimento de gestão e liderança, os mais jovens chegam com domínio tecnológico e novas formas de enxergar carreira, produtividade e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.

Segundo Ronaldo Loyola, especialista em comportamento organizacional e gestão de pessoas, as diferentes formas de se portar no trabalho e entender carreira não podem ser lidas como problema: como se o jovem fosse pouco comprometido e o veterano resistente a mudanças. "Na realidade, estamos falando apenas de repertórios diferentes".

Essas diferenças podem gerar conflitos, mas também criar oportunidades de aprendizado mútuo. Segundo o consultor no desenvolvimento de lideranças e professor da ESPM, Giancarlo Alcalai, a chave está na construção de relações baseadas em troca, respeito e disposição para aprender.

Diversidade etária como vantagem

Segundo os especialistas, as empresas que conseguirem combinar experiência e inovação terão vantagem competitiva nos próximos anos.

A sabedoria de um com a velocidade do outro. Quando a empresa consegue equilibrar isso, todos ganham”, diz Alcalai.

Em um cenário de envelhecimento da população e transformação acelerada do mercado de trabalho, aprender a conviver entre gerações deixou de ser apenas uma questão de clima organizacional e passou a ser uma estratégia de negócio.

Loyola acredita que o mercado de trabalho não busca homogeneidade. "Pelo contrário, acho que precisa de combinação entre a experiência de quem já enfrentou diversas crises, e essa capacidade de adaptação e inovação dessas novas gerações".

Giancarlo Alcalai é professor de Marketingna ESPM e FGV
Giancarlo Alcalai é professor de Marketing na ESPM e FGV - Acervo pessoal

Troca de conhecimento

Para Alcalai, uma das dificuldades do mercado de trabalho em integrar melhor as gerações é a resistência do pessoal sênior. “São muito voltados para a entrega do resultado, mas nem todos se prepararam para fazer mentoria reversa”, ou seja, aprender com alguém mais novo ou menos experiente e preparado.

Na avaliação do especialista, muitas organizações ainda não criaram mecanismos estruturados para promover essa troca. “Tem pessoal da minha geração que não tem paciência ou humildade para escutar e desenvolver jovens lideranças. E, às vezes, também acontece o contrário: jovens que não têm paciência para conversar com profissionais mais experientes”, diz.

Para ele, o futuro das organizações dependerá menos da capacidade de contratar talentos e mais da habilidade de fazer diferentes gerações trabalharem juntas.

Com essa resistência, o professor acredita que desenvolver novos líderes deveria ser lido como parte das responsabilidades dos gestores mais experientes. "Ainda acho  que integrar a geração Z é papel do líder sênior", afirma o professor.

Pensando em futuro, em 10 anos uma parcela significativa dos profissionais mais experientes deixará posições executivas, o que vai abrir espaço para lideranças mais jovens. Ao mesmo tempo, a geração mais jovem não almeja cargos de liderança.“

“O jovem quer aprender e o sênior quer ensinar, mas também quer aprender. O problema é que não são todas as organizações que possuem programas para estimular essa troca”. Alcalai afirma que os executivos que não estão dispostos a desempenhar esse papel podem se tornar um obstáculo para a organização. 

Como desenvolver interações entre as gerações:

Estimule a mentoria reversa

A troca de conhecimento não deve acontecer em apenas uma direção: profissionais mais experientes podem compartilhar conhecimentos sobre gestão e tomada de decisão, enquanto os mais jovens contribuem com tecnologia, inovação e novas tendências de mercado.

Tenha humildade para aprender

Para o especialista, o principal ingrediente para uma convivência saudável é a humildade. “Os dois lados precisam ter sabedoria e humildade para se falar mais e se relacionar mais”, afirma Alcalai. Isso significa que, se tratando de conhecimento, não existe uma hierarquia e é necessário abandonar a ideia de que idade, experiência ou domínio tecnológico tornam alguém superior ao outro, segundo os especialistas.

Não transforme diferenças em barreiras

Conflitos geracionais costumam surgir quando cada grupo acredita que sua forma de trabalhar é a única correta. Segundo Alcalai, empresas perdem produtividade quando profissionais deixam de colaborar por causa dessas diferenças.

Quando um profissional entende que está dividindo, e não competindo, o palco corporativo com pessoas de diferentes gerações, "passa a se preocupar menos em provar que seu jeito é o correto e mais em construir pontes de entendimento", diz Loyola. Assim, o julgamento é substituído pela curiosidade.

Busque aproximação mesmo sem incentivo da empresa

Segundo os especialistas, as empresas ainda não entenderam como combinar os pontos fortes de todas as gerações. Loyola reforça que esse desafio não consiste em administrar conflito entre gerações, mas em criar ambientes onde cada geração consiga enxergar valor na outra.

Embora programas corporativos sejam importantes, a iniciativa individual também faz diferença. Para Alcalai, conversas informais, trocas de experiências e projetos conjuntos ajudam a reduzir barreiras entre gerações.

Entenda que cada geração tem expectativas diferentes

O perfil de liderança admirado pelos profissionais varia conforme a faixa etária. Enquanto gerações mais antigas valorizam experiência e confiabilidade, os mais jovens tendem a buscar líderes participativos, transparentes, empáticos e inspiradores, segundo Alcalai.

Por isso, liderar atualmente exige mais flexibilidade do que no passado. “É mais difícil liderar hoje porque você tem gerações com expectativas muito diferentes convivendo dentro da mesma empresa”. Na visão do professor, os líderes seniores têm responsabilidade de formar a nova geração no mercado de trabalho.

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