Empresas reduzem home office e aumentam demanda por prédios de escritórios
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São Paulo - O mercado de prédios de escritórios na cidade de São Paulo está mostrando uma recuperação constante desde a pandemia, afirmaram gestores de fundos imobiliários. O movimento é puxado principalmente pelo fim (ou redução) do home office pelas grandes empresas. No entanto, a volta dos trabalhadores ao expediente presencial tem exigido melhorias nos edifícios, apontaram.
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"Estamos vendo uma volta para os escritórios. Não tenho dúvidas de que o mercado vem forte. E não é crescimento econômico e contratações. São as empresas colocando de volta no escritório pessoas já contratadas", afirmou o sócio executivo da Kinea, Carlos Martins, durante painel no evento GRI Fundos Imobiliários 2026, realizado na semana passada.
Nubank e a mudança de mindset
O grande exemplo desse movimento, segundo ele, foi dado pelo Nubank, que anunciou a volta ao escritório e a locação de grandes áreas para abrigar seu quadro de colaboradores.
O caso do Nubank foi emblemático. É uma empresa jovem, grande, que acreditava que poderia ficar fora do escritório, mas seu mindset mudou", disse Martins.
Na visão do sócio da Kinea, esse movimento tende a continuar, reforçando a demanda por escritórios. Tanto que vão faltar imóveis vagos em alguns trechos da cidade de São Paulo, estimou, citando casos das avenidas Faria Lima, Paulista e Chucri Zaidan, além do bairro de Pinheiros. Nesses locais, há muita demanda e poucos novos imóveis em obras.
O diretor da Barzel Properties, Cassiano Jardim, observou que as grandes empresas estão conseguindo fazer seus trabalhadores voltarem ao escritório só agora, após passarem muitos anos no home office desde a pandemia. A primeira "reocupação" foi vista primeiramente pelas empresas pequenas e médias, observou. "As grandes estão voltando só agora", disse.
A Barzel é dona do Pinheiros One - muito lembrado por ter sido sede da Odebrecht - "do lado de lá" da Marginal Pinheiros. No conjunto de prédios da Barzel, a vacância caiu de 30% para menos de 10% nos últimos dois anos, puxada pelo aumento na demanda por áreas vinda das empresas que retornaram à rotina presidencial.
Prédios viram “hubs” de serviços
Jardim citou ainda a necessidade de adotar uma gestão mais ativa para preparar os prédios às demandas das pessoas que voltaram a frequentar os escritórios - com maior interesse em serviços e alimentação. O Pinheiros One, por exemplo, ganhou dois restaurantes, barbeiro e academia. "Absorvemos boa parte da área vacante da Odebrecht mostrando ao ocupante que ele pode fazer tudo de principal no próprio prédio, sem ter que sair", comentou.
O presidente da BGR, Martin Jaco, concordou que as empresas que alugam os imóveis têm pedido mudanças nos escritórios, como a oferta de serviços e alimentação dentro do prédio e nos entornos. Além disso, há maior flexibilidade nos horários do expediente de trabalho, bem como formas variadas de acesso (carro, moto, ônibus e até bicicleta e patinete).
Tem gente que chega muito mais cedo ou sai bem mais tarde, e aí precisa de um serviço de café e academia, por exemplo. São os ocupantes que determinam as alterações dos projetos de escritórios."
Jaco afirmou ainda que os empreendimentos com boa oferta de serviços, qualidade de engenharia e localização privilegiada são aqueles com uma demanda perene de inquilinos. Segundo ele, isso estimula os investimentos neste tipo de imóvel. A BGR é a gestora do fundo que adquiriu o B32 (prédio da Baleia, na Faria Lima).
(Por Circe Bonatelli)
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