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Ensino superior pode aumentar salário em mais de 450%, aponta estudo

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Quem tem formação universitária é, na maioria das vezes, admitido com salário muito superior, mostra pesquisa - Freepik
Quem tem formação universitária é, na maioria das vezes, admitido com salário muito superior, mostra pesquisa
Por Bianca Bibiano

28/04/2026 | 12h09

São Paulo - Brasileiros com ensino superior completo admitidos entre 2020 e 2025 ganharam 50% a mais do que colegas sem graduação universitária em cargos que pedem tal formação, considerando-se o salário inicial.

Em caso de posições de diretoria, por exemplo, a diferença pode passar de 450%. Em funções que requerem ensino técnico, a lacuna é de 42%; nas de Ensino Médio completo, de 17%. 

É o que aponta um novo estudo da Unico Skill com base nos microdados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, divulgado hoje em razão do Dia Nacional da Educação.

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Embora a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) defina o nível de escolaridade esperado para cada cargo, na prática muitas profissões não exigem o diploma como requisito formal de contratação.

“Esse estudo é uma fotografia precisa do valor da educação no mercado de trabalho brasileiro porque tem como base todas as contratações formais realizadas no país nos últimos seis anos”, diz Thaís Azevedo, CMO do Unico Skill.

“Ao analisar com profundidade os microdados do Novo Caged, nossa equipe de inteligência descobriu que o diploma faz diferença até mesmo entre profissionais que atuam no mesmo cargo: quem tem formação universitária é, na maioria das vezes, admitido com salário muito superior”.

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De acordo com o Mapa do Ensino Superior 2026, do Instituto Semesp, o Brasil já soma mais de 10,2 milhões de estudantes matriculados em cursos de ensino superior, com 79,8% na rede privada.

Diferenças entre posições

Ao comparar as posições que admitem tanto trabalhadores com diploma universitário quanto profissionais sem diploma, a pesquisa mostra que a maior diferença salarial está entre diretores gerais de empresas e organizações.

Entre aqueles que possuem formação universitária, o salário mediano foi de R$ 10.000, mais de 450% acima dos R$ 1.805 oferecidos aos que não concluíram o ensino superior. Já entre gerentes de marketing admitidos no período, a lacuna é de 175%: R$ 8.500 com diploma contra R$ 3.088 sem diploma.

Analisando apenas ocupações que exigem ensino técnico, a maior diferença figura entre técnicos de vendas. Entre 2020 e 2025, o Novo Caged registrou quase 86 mil contratações para o cargo.

Os profissionais com diploma foram admitidos ganhando 123% a mais do que os colegas sem formação universitária: R$ 4.068 contra R$ 1.822. Entre programadores de internet, essa lacuna foi de 99%.

A vantagem competitiva dos trabalhadores que frequentaram a universidade também é nítida entre as funções que pedem apenas ensino médio completo. No período analisado, a diferença mais significativa aparece entre os 26 mil supervisores de produção da indústria alimentícia admitidos no País.

Aqueles graduados em universidades começaram o emprego ganhando R$ 4.943, quase o dobro dos demais (R$ 2.500). Entre supervisores de vendas comerciais, o diploma fez o salário saltar 76%: de R$ 2.149 para R$ 3.775.

Os dados nos mostram um padrão muito claro: o mercado brasileiro precifica o estudo e o aprendizado de forma consistente, independentemente do cargo. Enquanto muito se fala sobre desvalorização da educação formal, o mundo real mostra uma tendência diferente."

“Nós ouvimos isso todos os dias das maiores empresas do Brasil. Elas nos dizem que, num ambiente em transformação acelerada, a capacidade de aprender virou um dos principais critérios de contratação e retenção”, complementa a porta-voz da pesquisa, citando empresas como Bradesco, Bayer, Aché, Motiva, Nestlé e Ypê.

Diferenças regionais

O Distrito Federal é a unidade da federação onde o diploma universitário tem maior impacto no salário inicial do trabalhador em um novo emprego, com aumento de 75% nos rendimentos mensais em funções que pedem graduação superior, de R$ 2.500 para R$ 4.379.

Mato Grosso (+65%), Tocantins (+65%), Mato Grosso do Sul (+64%) e Rondônia (+60%) fecham a lista dos cinco primeiros.

Considerando as localidades onde a formação acadêmica menos influencia nas ofertas salariais, estão Amapá (+36%), Sergipe (+34%), Pernambuco (+31%), Paraíba (+25%) e Alagoas (+23%).

Os profissionais com formação universitária contratados para funções que pedem ensino superior completo em São Paulo foram os mais bem pagos: R$ 4.394, 47% a mais do que colegas nas mesmas posições em outros Estados.

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