Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva

Sem proteção digital, 45% dos pequenos negócios correm risco de fechar

Adobe Stock

Cerca de 44% dos pequenos negócios relatam ter sofrido ao menos uma tentativa de golpe digital ou por telefone nos últimos 12 meses - Adobe Stock
Cerca de 44% dos pequenos negócios relatam ter sofrido ao menos uma tentativa de golpe digital ou por telefone nos últimos 12 meses
Por Alessandra Taraborelli

28/07/2026 | 14h20

São Paulo - O universo dos pequenos negócios vive um paradoxo: ao mesmo tempo em que a digitalização acelerou vendas e rotinas bancárias, abriu portas para um exército de golpistas que operam por chamadas de telefone, mensagens de WhatsApp e e-mails de cobrança. 

Pesquisa do Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) revela um panorama preocupante sobre a segurança cibernética no empreendedorismo brasileiro. Cerca de 44% dos pequenos negócios relatam ter sofrido ao menos uma tentativa de golpe digital ou por telefone nos últimos 12 meses. E 45% desses empresários dizem que o impacto de um golpe poderia levá-los a encerrar suas atividades.

Ainda quando observadas as micro e pequenas empresas (MPEs), o porcentual das que relatam que foram alvo de tentativa de golpe sobe para expressivos 56%, superando até a incidência registrada entre médias e grandes corporações, que ficou em 47%. Entre microempreendedores individuais (MEIs), o índice atinge 36%.

Prejuízo financeiro 

Embora parcela significativa das investidas golpistas não resulte em perdas financeiras diretas, quase um terço (31%) dos pequenos negócios atingidos amargou prejuízos no caixa. Esse impacto é ainda mais acentuado na Região Sul do País, onde 37% das vítimas relataram perdas financeiras.

No setor de comércio,  a taxa de prejuízo chega a 34%. Entre microempreendedores individuais, o prejuízo afetou 33% dos atacados.

A criatividade utilizada pelos criminosos é variada, mas velhas armadilhas repaginadas lideram o ranking das preocupações. O boleto falso surge no topo da lista das ameaças mais temidas pelos empreendedores, preocupando 38% dos entrevistados.

Golpes aplicados por telefone, como falsas centrais de atendimento ou simulando funcionários de instituições financeiras, aparecem em seguida, citados por 31% dos gestores, acompanhados de perto pelas fraudes via Pix, com 30%.

A dinâmica dos golpes varia bastante conforme o porte e o setor. Nas micro e pequenas empresas, a apreensão com boletos falsos chega a 56%. Já entre os MEIs, a maior preocupação concentra-se no Pix e em abordagens telefônicas fraudulentas (ambos com 31%).

No comércio, a atenção com fraudes em transferências via Pix atingiu 35% dos estabelecimentos, enquanto no setor de serviços a apreensão com roubo ou vazamento de dados de clientes ganha destaque, figurando em 23% das respostas.

Risco de fechar as portas

O dado mostra uma desproporção entre a ameaça real e o nível de preparação das empresas. Enquanto 72% das médias e grandes companhias afirmam manter rotinas estruturadas e orientações contínuas de segurança digital, apenas 17% dos pequenos negócios possuem estrutura similar.

Metade das pequenas empresas brasileiras opera sem qualquer medida de proteção formal ou treinamento preventivo. Entre os MEIs, somente 10% contam com proteções estruturadas. Em termos regionais, o Sul lidera a adesão a medidas estruturadas com 21%, seguido pelo Nordeste (19%), Sudeste (16%) e pelas regiões Norte e Centro-Oeste (14%).

Questionados sobre as consequências de sofrerem um ataque cibernético ou golpe telefônico, 45% dos pequenos empresários afirmaram que o impacto seria grave ou muito grave, capaz de comprometer seriamente as operações ou provocar perdas financeiras irreversíveis. Para os MEIs, esse índice sobe para 49%, mesmo percentual registrado entre empresas do setor industrial.

Frente a um cenário onde a próxima fraude pode custar a sobrevivência da operação, o levantamento alerta que criar uma cultura de checagem dupla, confirmando dados de boletos, verificando autenticidade de chaves Pix e suspeitando de chamadas com urgência excessivam, deixou de ser preciosismo para se tornar requisito essencial de gestão.

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Últimas Notícias