IA ajuda na busca de emprego mas exige senso crítico, diz especialista
Envato
São Paulo - Usar inteligência artificial para elaborar currículo ou responder a processos seletivos pode prejudicar candidatos que exageram competências ou apresentam uma experiência profissional que não conseguem sustentar na entrevista. O alerta é da gerente de RH da Redarbor Brasil, dona do Infojobs, Hosana Azevedo.
Leia também
Plataformas como ChatGPT, Gemini e Claude já são usadas por candidatos para elaborar currículos, portfólios e na preparação para entrevistas. Mas Hosana explica que a tecnologia deve melhorar a forma como o profissional apresenta sua trajetória, e não criar uma versão artificial dela.
“A inteligência artificial consegue melhorar a forma como uma experiência é apresentada, mas não deve criar uma trajetória que não existe. Quando o candidato utiliza respostas prontas, exagera competências ou adota uma linguagem que não consegue sustentar durante a entrevista, a inconsistência aparece rapidamente e compromete a confiança do recrutador”, afirma.
Embora ajude os candidatos a se comunicar de forma mais eficiente, a IA pode prejudicar ao produzir um perfil genérico e até mesmo repetitivo, que não se conecta com a jornada profissional daquele que busca uma nova oportunidade.
Personalização é a chave
Para fazer o melhor uso da IA, Hosana indica a personalização das informações. Por exemplo, ao adaptar um currículo para uma vaga específica, é essencial incluir as particularidades das experiências profissionais anteriores.
Com isso, o candidato evita textos vagos, como “profissional proativo”, “orientado a resultados” e “excelente capacidade de comunicação”, em seu cartão de visitas para o mercado.
Quem se destaca não é necessariamente quem usa mais inteligência artificial, mas quem consegue utilizá-la com senso crítico”, explica a gerente de RH.
Atenção à formalidade e aos clichês
As empresas também recorrem à tecnologia na seleção e na triagem de currículos. Segundo um levantamento da agência Demand Sage, 87% das organizações no mundo já utilizaram ferramentas de IA em ao menos uma etapa da contratação. Mas repetir palavras-chave para atender aos critérios de sistemas automatizados pode enfraquecer a candidatura.
Já em cartas de apresentação e respostas em processos seletivos, é importante avaliar as palavras e frases genéricas, textos com muita formalidade e falta de personalização, características que podem deixar o texto artificial.
Hosana recomenda utilizar as plataformas de IA para estruturar o conteúdo e, em seguida, é indicado que o candidato revise o texto, retire exageros, inclua exemplos pessoais e adapte a linguagem.
Revisão humana ainda define a escolha final
Além de o resultado final precisar refletir a forma como o profissional se comunica, é importante lembrar que, no final do processo, a escolha será feita a partir de uma análise humana.
Os responsáveis irão avaliar a coerência entre as informações apresentadas e a experiência real do candidato a partir de documentos fornecidos e nas interações realizadas ao longo do processo seletivo.
(Por Mariana Pacheco, especial para o VIVA)
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.