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IA ajuda na busca de emprego mas exige senso crítico, diz especialista

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Tecnologia deve destacar a trajetória do profissional, sem torná-la artificial - Envato
Tecnologia deve destacar a trajetória do profissional, sem torná-la artificial
Por Redação Viva

01/09/2026 | 08h56

São Paulo - Usar inteligência artificial para elaborar currículo ou responder a processos seletivos pode prejudicar candidatos que exageram competências ou apresentam uma experiência profissional que não conseguem sustentar na entrevista. O alerta é da gerente de RH da Redarbor Brasil, dona do Infojobs, Hosana Azevedo.

Plataformas como ChatGPT, Gemini e Claude já são usadas por candidatos para elaborar currículos, portfólios e na preparação para entrevistas. Mas Hosana explica que a tecnologia deve melhorar a forma como o profissional apresenta sua trajetória, e não criar uma versão artificial dela.

“A inteligência artificial consegue melhorar a forma como uma experiência é apresentada, mas não deve criar uma trajetória que não existe. Quando o candidato utiliza respostas prontas, exagera competências ou adota uma linguagem que não consegue sustentar durante a entrevista, a inconsistência aparece rapidamente e compromete a confiança do recrutador”, afirma.

Embora ajude os candidatos a se comunicar de forma mais eficiente, a IA pode prejudicar ao produzir um perfil genérico e até mesmo repetitivo, que não se conecta com a jornada profissional daquele que busca uma nova oportunidade.

Personalização é a chave

Para fazer o melhor uso da IA, Hosana indica a personalização das informações. Por exemplo, ao adaptar um currículo para uma vaga específica, é essencial incluir as particularidades das experiências profissionais anteriores.

Com isso, o candidato evita textos vagos, como “profissional proativo”, “orientado a resultados” e “excelente capacidade de comunicação”, em seu cartão de visitas para o mercado.

Quem se destaca não é necessariamente quem usa mais inteligência artificial, mas quem consegue utilizá-la com senso crítico”, explica a gerente de RH.

Atenção à formalidade e aos clichês

As empresas também recorrem à tecnologia na seleção e na triagem de currículos. Segundo um levantamento da agência Demand Sage, 87% das organizações no mundo já utilizaram ferramentas de IA em ao menos uma etapa da contratação. Mas repetir palavras-chave para atender aos critérios de sistemas automatizados pode enfraquecer a candidatura.

Já em cartas de apresentação e respostas em processos seletivos, é importante avaliar as palavras e frases genéricas, textos com muita formalidade e falta de personalização, características que podem deixar o texto artificial.

Hosana recomenda utilizar as plataformas de IA para estruturar o conteúdo e, em seguida, é indicado que o candidato revise o texto, retire exageros, inclua exemplos pessoais e adapte a linguagem.

Revisão humana ainda define a escolha final

Além de o resultado final precisar refletir a forma como o profissional se comunica, é importante lembrar que, no final do processo, a escolha será feita a partir de uma análise humana.

Os responsáveis irão avaliar a coerência entre as informações apresentadas e a experiência real do candidato a partir de documentos fornecidos e nas interações realizadas ao longo do processo seletivo. 

(Por Mariana Pacheco, especial para o VIVA)

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