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81% usam ou têm interesse em utilizar IA no trabalho, mas falta treinamento

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A pesquisa feita pela Pluxee também mostra que 54% usam IA para melhorar a produtividade - Adobe Stock
A pesquisa feita pela Pluxee também mostra que 54% usam IA para melhorar a produtividade
Por Claudio Marques

19/08/2026 | 16h23 ● Atualizado | 17h41

São Paulo - A inteligência artificial vai conquistando espaço na rotina profissional. No Brasil, 81% dos trabalhadores já utilizam ou demonstram interesse em usar soluções de IA, consolidando o País entre os mais receptivos à tecnologia. É o que revela a pesquisa "Engajamento na era da IA: o trabalho em transformação", realizada pela Pluxee com 9.600 profissionais em 14 países, sendo mil brasileiros.

Uma das conclusões do levantamento é de que o foco corporativo migrou do incentivo à adoção para o uso estratégico, ético e crítico. Contudo, existe um descompasso de capacitação: apenas 15% dos trabalhadores afirmam ter recebido treinamento formal oferecido pelas empresas.

A percepção de impacto é majoritariamente otimista, com 88% dos brasileiros avaliando as mudanças como positivas e apenas 1% relatando perda de emprego devido à tecnologia, o que reforça a visão da IA como amplificadora do potencial humano.

Em contrapartida, apenas 18% percebem suas empresas acelerando a transformação digital via IA, enquanto 27% veem a adoção da tecnologia como um dos principais desafios do próximo ano. A demanda por capacitação é clara: 41% pedem ampliação de treinos técnicos e 31% defendem o desenvolvimento de análise crítica sobre os conteúdos gerados.

Diretora de RH da Pluxee no Brasil, Fabiana Galetol aponta que o foco central deve ser o fator humano. “A pesquisa mostra justamente o contrário. O maior investimento passa a ser nas pessoas. O diferencial competitivo não estará nas ferramentas — elas serão cada vez mais acessíveis. Estará na capacidade dos profissionais de transformar inteligência artificial em inteligência aplicada aos negócios. Por isso, investir no desenvolvimento das pessoas será tão decisivo quanto investir em tecnologia”, afirma.

A atuação da gestão também entra em pauta. Atualmente, 59% dos profissionais afirmam que seus gestores incentivam o uso da ferramenta com cautela. Por outro lado, 30% relatam exigências maiores após a implementação e 24% sentem desconfiança dos líderes em relação à autoria das entregas.

Necessidade de criar ambientes de inovação

A executiva ressalta que o papel das lideranças supera a criação de normas operacionais. “Por muito tempo, o debate girou em torno da possibilidade de a inteligência artificial substituir pessoas. Os insights da pesquisa mostram que essa talvez nem seja mais a principal questão”, diz Galetol. 

Para ela, mais do que estabelecer regras para o uso da tecnologia, as lideranças precisarão criar ambientes em que inovação, aprendizado contínuo e confiança caminhem juntos.

Uso responsável de ferramentas

"Isso significa estimular a experimentação, orientar o uso responsável das ferramentas e investir continuamente no desenvolvimento das capacidades que a IA não é capaz de substituir, como pensamento crítico, criatividade, repertório e discernimento na hora de tomar decisões”, afirma.

A executivo acredita que esse cenário permitirá às organizações transformarem tecnologia em inovação, produtividade e melhores resultados.

No futuro do trabalho, o que fará diferença não será apenas a inteligência artificial disponível para todos, mas a inteligência humana capaz de extrair o melhor dela", reforça Galetol.

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