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Empresas precisam criar cultura para envelhecer bem, diz CEO da Wellhub

Divulgação/Wellhub

Para Ricardo Guerra, empresas têm papel importante na promoção do envelhecimento saudável - Divulgação/Wellhub
Para Ricardo Guerra, empresas têm papel importante na promoção do envelhecimento saudável
Por Claudio Marques

31/08/2026 | 08h00

São Paulo - A sociedade e o mercado de trabalho estão passando por uma grande transformação com o aumento da expectativa de vida: no Brasil, já são 35,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais (16,6% da população), e a estimativa global indica que 30% da força de trabalho terá mais de 50 anos até 2050.

No entanto, viver e trabalhar por mais tempo impõe a necessidade de garantir saúde, autonomia e independência ao longo dos anos, algo que atinge diretamente a rotina profissional. Para o CEO do Wellhub no Brasil, Ricardo Guerra, as empresas desempenham um papel decisivo ao influenciar comportamentos e criar culturas que permitam aos colaboradores manter escolhas saudáveis sem comprometer a entrega de resultados.

Saúde não pode ser tratada apenas como benefício, e longevidade não pode ser uma pauta reservada a quem está próximo da aposentadoria".

Hoje, a Wellhub (ex-Gympass) está presente em 18 países, atende mais de 50 mil clientes corporativos e reúne uma rede de mais de 100 mil academias e parceiros de bem-estar. Leia mais na entrevista a seguir:

VIVA: Como os dados demonstram o envelhecimento da população e da força de trabalho no Brasil e no mundo?

Ricardo Guerra: Os dados mais recentes do IBGE mostram que o Brasil já tem cerca de 35,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 16,6% da população. No mundo, segundo o McKinsey Health Institute, cerca de 30% da força de trabalho global terá mais de 50 anos até 2050.

Qual é o impacto dessa realidade no trabalho?

Vamos viver mais, trabalhar por mais tempo e conviver em organizações formadas por diferentes gerações, com referências e expectativas distintas sobre carreira, liderança e propósito. Mas há uma questão ainda mais fundamental: viver mais não significa, necessariamente, viver melhor.

Qual é a diferença entre viver mais e viver com qualidade de vida?

De acordo com o Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), uma pessoa que chega aos 80 anos no Brasil passa, em média, cerca de 10 anos em situação de dependência funcional, enquanto em países desenvolvidos esse período cai para aproximadamente dois anos. Então, temos o desafio de preservar a saúde, a qualidade de vida, a autonomia e a independência.

De que maneira o envelhecimento populacional afeta os profissionais hoje?

Um dos efeitos mais visíveis é o peso sobre profissionais que atravessam fases importantes de suas carreiras enquanto cuidam dos filhos e, cada vez mais, de pais que começam a perder autonomia. Seria a a chamada "Geração Sanduíche". Com o envelhecimento da população, essa realidade tende a ganhar peso para famílias e organizações.

Qual é o papel da empresa na rotina de saúde do trabalhador durante sua vida profissional?

Uma pessoa pode passar cerca de 45 anos de sua vida trabalhando. Nesse período, a empresa não é apenas o lugar onde ela entrega resultados, mas um dos ambientes que mais influenciam sua rotina, seus comportamentos e as possibilidades de cuidar da própria saúde. Isso não significa transferir para o empregador a responsabilidade individual, mas reconhecer que as organizações podem tornar escolhas saudáveis mais acessíveis e sustentáveis ou criar culturas que as dificultem.

Uma empresa que promove saúde, mas normaliza jornadas intermináveis, falta de descanso e a ideia de que cuidar de si é incompatível com alta performance transmite uma mensagem mais poderosa por seus comportamentos do que por suas políticas.

A promoção do bem-estar dentro das organizações tem impacto econômico?

Sim. O McKinsey Health Institute estima que melhorar a saúde e o bem-estar da força de trabalho poderia gerar até US$ 11,7 trilhões em valor econômico global, principalmente por ganhos de produtividade e redução do presenteísmo. Em uma sociedade que envelhece e com carreiras mais longas, preservar a capacidade das pessoas de permanecerem saudáveis, produtivas e independentes torna-se uma questão de competitividade.

Como as empresas devem abordar a longevidade?

Precisamos ampliar a maneira como pensamos a longevidade dentro das empresas. Saúde não pode ser tratada apenas como benefício, e longevidade não pode ser uma pauta reservada a quem está próximo da aposentadoria.

Se vamos trabalhar por mais tempo, precisamos criar condições para trabalhar bem por mais tempo. Essa agenda começa na prevenção, na atividade física, no sono, na saúde mental e em culturas que não obriguem as pessoas a escolher entre cuidar da saúde e entregar resultados. O sucesso será medido por quantos anos conseguiremos viver com saúde, qualidade, autonomia e independência."

Como podemos cuidar de nossa longevidade?

Longevidade não pode ser uma conversa que começa aos 60 anos. A capacidade que teremos aos 70 ou 80 anos começa a ser construída décadas antes. A prevenção é uma parte fundamental, e a Organização Mundial da Saúde associa a prática regular de atividade física a um menor risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, alguns tipos de câncer e demência, além de benefícios para a saúde muscular, cardiorrespiratória, óssea e funcional. Sono, alimentação e saúde mental também influenciam a preservação da saúde e independência.

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