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Luiza Trajano defende mais mulheres em projetos e decisões sobre IA

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Para Luiza Trajano, a tecnologia pode ser ferramenta de emancipação feminina - MIro
Para Luiza Trajano, a tecnologia pode ser ferramenta de emancipação feminina
Por Claudio Marques

18/03/2026 | 08h16

São Paulo - A empresária Luiza Trajano é conhecida pela defesa da diversidade corporativa. Como presidente do Conselho do Magazine Luiza e do Grupo Mulheres do Brasil, ela alerta, neste Mês Internacional da Mulher, que é preciso atuar para que a inteligência artificial não replique preconceitos de gênero. Ao VIVA, ela fez considerações sobre o papel da tecnologia na liderança feminina e na equidade de gênero atualmente no mercado de trabalho.

A tecnologia aprende com dados. Se esses dados refletem desigualdades históricas, existe o risco de que a tecnologia também reproduza esses padrões. Por isso, é tão importante haver diversidade nas equipes que desenvolvem tecnologia. Precisamos de mais mulheres programando, mais mulheres liderando projetos e participando das decisões sobre inteligência artificial”.

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Trajano, uma pioneira no comando de um grande grupo empresarial, atividade predominantemente exercida por homens, reforça que a tecnologia pode ser uma ferramenta de emancipação feminina. Segundo ela, a tecnologia democratiza o acesso à informação.

"Também é possível vender pela internet, estudar online, criar um negócio digital e acessar mercados que antes eram muito mais restritos. É fundamental garantir acesso e formação. Tecnologia sem inclusão pode ampliar desigualdades; com inclusão, ela transforma vidas”.

Desigualdade salarial e cotas

Para ela, a desigualdade salarial entre homens e mulheres, em diversos cargos, é um problema com solução simples. “É uma decisão de gestão. Quando existe compromisso, o ajuste acontece”, afirma a presidente do Conselho da Magalu. 

Luiza Trajano sorri usando blusa branca, corrente e brincos
A presidente do Conselho do Magazine Luiza e do Grupo Mulheres do Brasil - Divulgação

Trajano é adepta de uma política de cotas para mulheres em conselhos de empresas e em cargos de liderança. “Cotas não são privilégios. São instrumentos temporários para corrigir desigualdades históricas”, declara.

Por intermédio do Grupo Mulheres do Brasil, atuou fortemente na aprovação, no Senado, da proposta que estabelece cotas para mulheres nesses postos.

O Mulheres do Brasil é uma rede política suprapartidária, fundada por Trajano, formada por mulheres da sociedade civil, que busca transformar o País por meio do protagonismo feminino.

A Lei nº 15.177/2025 estabelece uma reserva mínima de 30% de vagas para mulheres nos conselhos de administração de empresas públicas e sociedades de economia mista. 

“Foi um avanço importante", diz, referindo-se às cotas. "Quando ampliamos a diversidade na liderança, melhoramos a governança, enriquecemos a tomada de decisão e fortalecemos os resultados das empresas”, defende.

Gestão com sensibilidade

A sensibilidade feminina pode contribuir para um olhar diferenciado sobre a gestão. “No Magazine Luiza, sempre tivemos uma cultura muito forte de proximidade, escuta e valorização das pessoas. Muito antes de se falar em ESG ou capitalismo consciente, nós já praticávamos isso no dia a dia da empresa”, diz.

No depoimento ao VIVA, ela ponderou que essa visão de cuidado, muitas vezes associada ao feminino, tenha ajudado a fortalecer esse modelo de gestão.

Acredito muito que empresa que cuida de gente constrói valor de longo prazo. Empresa que pensa apenas no resultado do próximo trimestre dificilmente constrói legado”, diz.

Ela conta que enfrentou dificuldades em relação à atuação feminina à frente de um negócio. “Eu comecei quando o Magazine Luiza ainda era uma empresa pequena, no interior de São Paulo, em Franca, em um mercado predominantemente masculino. Nesse cenário é de se esperar que uma mulher jovem enfrentasse dificuldades”, relembra.

Os desafios, porém, foram encarados com naturalidade.

Nunca me coloquei na posição de vítima. Preferi transformar cada dificuldade em motivação para trabalhar mais, aprender mais e mostrar, com resultados, que competência não tem gênero.”

Mesmo reconhecendo que a vida empresarial exige que qualquer líder prove sua capacidade, afirma que, historicamente, as mulheres precisaram demonstrar competência com ainda mais frequência.

“No meu caso, a resposta sempre foi trabalho, preparo e consistência. Eu estudei muito, ouvi muito as pessoas e procurei construir uma cultura forte dentro da empresa.”

Para mulheres que sofrem com a chamada “síndrome da impostora”, ela lembra que empresas dirigidas por mulheres comprovadamente alcançam excelentes resultados. 

Combate ao assédio

A líder empresarial frisa que é preciso ser firme no combate ao assédio no ambiente corporativo. Assédio é absolutamente inegociável. Situações de assédio resultam em demissão no Magalu, diz ela.Além disso, é fundamental que existam canais seguros de denúncia.

Empresas que estabelecem princípios claros e praticam aquilo que defendem conseguem construir ambientes de trabalho mais seguros e respeitosos.”

A violência contra a mulher, diz ela, é uma pauta importante do Grupo Mulheres do Brasil, que atua em várias frentes de combate, com educação, igualdade racial, empreendedorismo, políticas públicas, liderança feminina, entre outras.

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“Infelizmente ainda convivemos com números muito altos e com episódios cada vez mais graves. Esse é um tema que exige mobilização permanente. Precisamos de conscientização, políticas públicas eficazes e da participação ativa de toda a sociedade.”

Trajano avalia que o debate em si já é positivo e vê o encaminhamento dessas questões com otimismo. “Todo varejista é otimista por natureza. Já avançamos muito. Hoje, discutimos temas que, anos atrás, nem faziam parte da agenda pública”,diz. 

Ainda temos desafios importantes, como a violência contra a mulher, a desigualdade salarial e a sub-representação política. Mas eu acredito no Brasil e acredito nas mulheres brasileiras.”

Para equilibrar trabalho com a necessidade de pausa e autocuidado, diz que gosta muito de estar com a família, de sair com amigas e de fazer programas simples. “Sou uma pessoa comum, que gosta de conversar, ver novela e aproveitar os momentos do cotidiano.” 

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