Ocupações com maior renda e escolaridade sofrem mais com IA, diz pesquisa
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10/02/2026 | 17h03 ● Atualizado | 17h04
São Paulo, 10/02/2026 - Os trabalhadores com maior renda e escolaridade são os mais expostos aos impactos da inteligência artificial (IA) no mercado de trabalho brasileiro. O perfil contrasta com o observado em ondas anteriores de mudança tecnológica, nas quais os principais afetados eram trabalhadores de menor renda, menor escolaridade e inseridos em funções rotineiras ou de menor complexidade intelectual. A conclusão é do relatório “Impacto da inteligência artificial sobre as ocupações no Brasil”, publicado pela ESPM.
O Brasil atingiu em 2025 o seu maior nível de exposição da força de trabalho à IA, impulsionado pela expansão de atividades intensivas em informação, segundo o estudo. Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo são as unidades da federação com maiores impactos.
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Quais ocupações sofrem mais e menos impacto?
O estudo mostra que ocupações altamente cognitivas - como matemáticos, contadores, economistas, juízes, dirigentes financeiros, publicitários e professores universitários - estão entre as mais sensíveis. Já funções predominantemente manuais e contextuais (pedreiros, trabalhadores da construção civil, agricultores, lavradores manuais e bailarinos) apresentam os menores índices de exposição.
Para desenvolver a análise, o pesquisador Rafael Lionello aplicou o índice internacional AI Occupational Exposure (AIOE) aos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). Ao cruzar as informações, o relatório quantifica a exposição de mais de 90 milhões de trabalhadores distribuídos em 410 ocupações.
O relatório conclui que a IA não elimina ocupações inteiras, mas transforma tarefas, reorganiza atividades e exige novas competências.
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Mapear quem está mais exposto à IA significa mapear como o País deve se preparar", afirma Jorge Ferreira dos Santos Filho, coordenador do Observatório de Negócios da ESPM (Prisma).
Profissionais não serão substituídos
Apesar de medir o impacto, o estudo não permite concluir se as transformações vão levar a substituição dos profissionais ou se a tecnologia será complementar às atividades. Caso a IA prevaleça como uma ferramenta que amplia a produtividade das funções mais qualificadas, o avanço tecnológico pode agravar desigualdades existentes, indica o estudo. Neste caso, os grupos com maior escolaridade, renda e acesso a oportunidades digitais serão os mais beneficiados.
Por outro lado, os setores menos expostos também são os menos propensos a capturar os ganhos da nova onda tecnológica.
(Por Aramis Merki II)
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