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Problemas de saúde mental geram impacto de até 5% do PIB, aponta estudo

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Riscos envolvendo a saúde mental vão passar a também ser fiscalizados no Brasil - Envato
Riscos envolvendo a saúde mental vão passar a também ser fiscalizados no Brasil
Por Claudio Marques

22/05/2026 | 15h29

São Paulo - Os problemas de saúde mental vêm sendo apontados como um desafio econômico crescente, com impactos que ultrapassam os sistemas de saúde e alcançam produtividade, renda e participação no mercado de trabalho.

De acordo com o estudo global “O Valor da Saúde Mental” (The Value of Mental Health), produzido pela Zurich Insurance Group, em alguns países, cerca de um em cada três adultos em idade ativa poderá conviver com problemas de saúde mental até 2030.

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O relatório estima que os impactos econômicos associados ao tema possam se aproximar de 5% do PIB em determinados mercados.

O levantamento analisou dados públicos de seis países – Austrália, Chile, Alemanha, Malásia, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido – e identificou efeitos relacionados principalmente à perda de produtividade, afastamentos prolongados e redução da participação no mercado de trabalho.

Segundo o estudo, os custos mais significativos não recaem exclusivamente sobre os sistemas formais de saúde, mas também sobre indivíduos, famílias e empregadores.

Nos países avaliados, pessoas com transtornos mentais registram perdas entre 60 e 67 dias de vida saudável por ano. 

O relatório também aponta que os impactos econômicos estão associados, em grande parte, à saída de profissionais do mercado de trabalho e às dificuldades de reinserção.

À medida que os desafios relacionados à saúde mental impactam cada vez mais as economias em nível estrutural, é indispensável que as empresas atuem na criação de sistemas de proteção resilientes", afirma Alison Martin, executiva da Zurich Insurance Group.

Brasil registra aumento nos afastamentos

No Brasil, o debate ganha relevância diante do aumento dos afastamentos por transtornos mentais e da previsão de entrada em vigor da nova redação da NR-1, em maio de 2026. A atualização prevê a inclusão de riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) das empresas.

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Dados da Previdência Social indicam que o País registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais e comportamentais em 2025, o maior volume da última década.

“Durante muitos anos, saúde mental foi tratada como uma questão individual, quando na verdade ela também está diretamente relacionada à forma como o trabalho é organizado, às relações dentro das empresas e aos mecanismos de suporte disponíveis", afirma Ana Puga, especialista em saúde corporativa e cultura organizacional.

"A NR-1 acelera essa discussão ao exigir que os riscos psicossociais sejam tratados de forma estruturada e contínua”, acrescenta.

Segundo Puga, parte das organizações ainda associa a gestão de riscos psicossociais apenas a pesquisas de clima organizacional ou ações pontuais de bem-estar, o que pode dificultar a adaptação às novas exigências regulatórias.

Ela também avalia que o aumento das notificações reflete o reconhecimento e reporte de questões emocionais e psicológicas no ambiente de trabalho.

O estudo da Zurich aponta ainda que os impactos econômicos mais relevantes não se limitam às licenças médicas de curto prazo, mas envolvem principalmente dificuldades de permanência e reinserção profissional.

Em alguns dos países analisados, a diferença de participação no mercado de trabalho entre pessoas com e sem transtornos mentais chega a 29%.

Ambiente de trabalho

A pesquisa também destaca que transformações estruturais no mercado de trabalho, como automação e inteligência artificial, podem ampliar desafios relacionados à adaptação e qualificação profissional.

Nesse contexto, iniciativas voltadas à prevenção, ao apoio precoce e à construção de ambientes psicologicamente seguros ganham espaço nas estratégias corporativas.

A pesquisa

Segundo a Zurich, o estudo é uma análise baseada em modelagem econômica, construída a partir de múltiplas fontes de dados públicos e oficiais, como bases internacionais, indicadores socioeconômicos, informações sobre saúde e estudos acadêmicos.

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"Não foi um levantamento com respondentes nem uma pesquisa de percepção com empresas", informa a Zurich.

"A metodologia permite uma leitura mais ampla e sistêmica dos impactos da saúde mental, considerando efeitos sobre bem-estar, produtividade, participação no mercado de trabalho e pressão sobre sistemas de proteção social", alega a empresa.

De acordo com a Zurich, os países foram selecionados para refletir diferentes realidades econômicas, sociais, regionais e sistemas de proteção. "O objetivo do estudo não é comparar países individualmente, mas identificar padrões, pressões e tendências globais que ajudam a qualificar a discussão sobre saúde mental como tema econômico, social e corporativo."

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