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NR-1: 35% dos líderes não sabem lidar com saúde mental, segundo pesquisa

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Desses líderes, 21% sequer sabe da existência da nova norma - Envato
Desses líderes, 21% sequer sabe da existência da nova norma
Por Bárbara Ferreira

29/04/2026 | 08h47

São Paulo - A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que incluiu os fatores psicossociais entre os riscos de trabalho, será obrigatória para as empresas, com previsão de entrar em vigor no final de maio. Entretanto, boa parte dos gestores não sabe o que fazer.

É o que aponta estudo da The School of Life Brasil em parceria com a Robert Half, empresa de recrutamento executivo, segundo o qual 35% dos líderes não têm conhecimento básico para apoiar as empresas no cumprimento das exigências da atualização da NR-1. Desses líderes, 21% sequer sabe da existência da norma, enquanto outros 14% até conhecem a regra, mas ignoram sua atualização.

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De acordo com o estudo, apenas 27% dos gestores entrevistados acreditam que as companhias em que atuam estão “bem” ou “totalmente” preparadas e estruturadas para lidar com o tema.

Os dados são da 8ª Pesquisa Inteligência Emocional e Saúde Mental no Ambiente de Trabalho. Nesta edição, o mapeamento online foi realizado entre 5 a 30 de janeiro 2026.

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Foram coletadas as percepções de 774 profissionais do Brasil com nível superior e mais de 25 anos (387 líderes e 387 liderados). O quesitionário foi orientado pelos seguintes fatores:

  • ausência de apoio e reconhecimento da liderança
  • sobrecarga
  • conflitos interpessoais
  • pressão excessiva por resultados
  • assédio moral ou sexual
  • exigências incompatíveis com a capacidade do profissional
  • ambientes inseguros

Como ressalta a CEO da The School of Life Brasil, Diana Gabanyi, “a mente também trabalha e precisa ser cuidada". Com a nova norma, "a psicologia deixa de ser coadjuvante e assume o lugar estratégico que merece nas empresas”, diz.

A atualização da NR-1 não apresenta uma lista fechada de riscos psicossociais, o que significa que cada empresa deve mapear seus próprios riscos.

Empresas que normalizam sobrecarga e insegurança enfrentam queda de produtividade, aumento de turnover e dificuldade para atrair talentos", diz a diretora da Robert Half, Maria Sartori.

Falta de reconhecimento

Segundo a pesquisa, 39% dos líderes afirmam que “às vezes”, “raramente” ou “nunca” sentem que podem expressar opiniões, discordar ou admitir erros sem receio de retaliações ou julgamentos. Quanto aos liderados, o número sobe para 48%.

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Menos da metade dos líderes (47%) afirma que seu esforço é reconhecido de forma justa “frequentemente” ou “sempre”, enquanto entre os liderados esse percentual cai para 31%.

"Estruturar a gestão de riscos psicossociais e fortalecer a liderança não é apenas cumprir a norma: é construir reputação, engajamento sustentável e vantagem competitiva no longo prazo”, diz Sartori.

Volume de trabalho e saúde mental

O volume e intensidade do trabalho acende alertas sobre os limites da saúde mental. Quase metade dos profissionais opera em um regime de sobrecarga intermitente ou contínua, com 31% dos líderes e 33% dos liderados dizendo que apenas “às vezes” o volume de trabalho compromete a saúde. 

Já 35% dos líderes e 32% dos liderados afirmaram que apenas “às vezes” os prazos definidos para suas atividades são realistas ou compatíveis com os recursos disponíveis.

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Manter o equilíbrio ainda é um desafio: 45% dos líderes e 40% dos liderados afirmam conseguir manter um equilíbrio saudável entre suas demandas profissionais e sua vida fora do trabalho “às vezes”, “raramente” ou “nunca”.

Apoio da liderança é percebido como incerto já que mais da metade dos líderes e liderados afirmam que, quando enfrentam sobrecarga de trabalho ou desafios emocionais, podem contar com seus respectivos gestores “às vezes”, “raramente” ou “nunca”.

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