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Trabalho por aplicativo cresce 31% entre brasileiros com 50 anos ou mais

Rovena Rosa/Agência Brasil

Trabalhadores por aplicativo 50+ representam 18,09% do total da categoria no Brasil - Rovena Rosa/Agência Brasil
Trabalhadores por aplicativo 50+ representam 18,09% do total da categoria no Brasil
Por Pedro Marques

04/09/2026 | 15h30

São Paulo - Os trabalhadores por aplicativo com 50 anos ou mais (50+) representam 18,09% do total dessa categoria no Brasil em 2025, segundo levantamento feito pelo VIVA com base nos dados divulgados nesta sexta-feira, 4, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

São 349.923 pessoas que tinham 50 anos ou mais e trabalhavam por meio de aplicativos de serviços no País. Em 2022, eram 267.858, o equivalente a 18,55% do total. Em três anos, o contingente de trabalhadores 50+ cresceu 30,64%, com a entrada de aproximadamente 82,1 mil pessoas nessa faixa etária.

O crescimento do grupo ocorreu em um mercado que avançou ainda mais rapidamente. O número total de trabalhadores por aplicativos de serviços passou de 1.444.084, em 2022, para 1.934.581, em 2025, uma alta de 33,97%, ou cerca de 490,5 mil pessoas.

Assim, embora o número de trabalhadores mais velhos tenha aumentado de forma expressiva, sua participação no conjunto diminuiu ligeiramente: caiu 0,46 ponto porcentual, de 18,55% para 18,09%.

Os dados são resultado do cruzamento dos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), também do IBGE, com o estudo Trabalho por meio de plataformas digitais 2025 divulgado hoje.

Maioria tem entre 50 e 59 anos

A maior parte dos trabalhadores 50+ está na faixa entre 50 e 59 anos. Em 2025, eram 248.229 pessoas, ou 12,83% de todos os trabalhadores por aplicativo. O número representa crescimento de 32,83% em relação a 2022, quando havia 186.881 trabalhadores nessa faixa.

Entre aqueles com 60 anos ou mais, eram 101.695 pessoas em 2025, equivalentes a 5,26% do total. O contingente cresceu 25,58% desde 2022, quando somava 80.977 pessoas.

A evolução das duas faixas ocorreu em ritmo diferente. Enquanto o grupo de 50 a 59 anos aumentou 32,83%, a população de 60 anos ou mais cresceu 25,58%.

O recorte é especialmente relevante porque essa faixa etária não é detalhada no levantamento "Trabalho por meio de plataformas digitais 2025" – os dados oficiais apresentam a faixa de 40 a 59 anos em conjunto, impedindo que os trabalhadores de 50 a 59 anos sejam identificados diretamente.

Em 2025, os trabalhadores de 50 a 59 anos representavam 12,83% do total, contra 12,94% em 2022. Já os trabalhadores de 60 anos ou mais passaram de 5,61% para 5,26%.

Crescimento entre os mais jovens

Apesar do avanço do número de trabalhadores mais velhos, o crescimento do mercado de aplicativos foi ainda mais intenso entre os menores de 50 anos.

O grupo com menos de 50 anos passou de 1.176.227 pessoas, em 2022, para 1.584.658, em 2025, uma alta de 34,72%. Com isso, sua participação no total aumentou de 81,45% para 81,91%.

A comparação mostra que o crescimento do trabalho por aplicativos alcançou todas as faixas etárias, mas não de maneira uniforme. O contingente 50+ cresceu 30,64%, enquanto o grupo abaixo dos 50 anos avançou 34,72%.

Ainda assim, quase 350 mil pessoas com 50 anos ou mais estavam trabalhando por meio de aplicativos em 2025, evidenciando que esse tipo de ocupação já faz parte também da realidade profissional de uma parcela significativa da população mais velha.

Participação feminina aumenta

O trabalhador por aplicativo 50+ continua sendo majoritariamente homem, mas a presença feminina cresceu entre 2022 e 2025.

Em 2025, 286.967 homens faziam parte desse grupo, correspondendo a 82% do total. As mulheres eram 62.956, ou 18%. Em 2022, a proporção era de 84% de homens e 16% de mulheres.

Ou seja, em três anos, a participação feminina aumentou 2 pontos porcentuais entre os trabalhadores por aplicativo com 50 anos ou mais. Apesar da mudança, os homens ainda representam mais de quatro quintos do grupo.

Transporte de passageiros concentra a maior parcela

O transporte de passageiros continua sendo a principal modalidade de atuação entre os trabalhadores por aplicativo 50+.

Em 2025, 196.527 pessoas, ou 56,2% do grupo, trabalhavam com aplicativos de transporte de passageiros, como Uber e 99. O número é superior aos 142.339 trabalhadores registrados nessa modalidade em 2022, quando representavam 53,1% do grupo 50+.

As atividades de entrega de comida e mercadorias aparecem em segundo lugar, com 85.620 pessoas (24,5%) em 2025. Em 2022, eram 68.538 trabalhadores, ou 25,6%. O táxi por aplicativo reunia 52.051 pessoas (14,9%), contra 55.687 (20,8%) em 2022.

Já os serviços gerais ou profissionais concentravam 44.263 trabalhadores (12,6%), ante 39.118 (14,6%) três anos antes.

As modalidades não são excludentes. Um mesmo trabalhador pode atuar em mais de um tipo de aplicativo, portanto os porcentuais não devem ser somados.

O perfil indica uma forte associação do trabalho por aplicativos entre os trabalhadores 50+ com atividades de transporte. Em 2025, mais da metade do grupo estava nessa modalidade.

Renda média supera a dos mais jovens

O trabalhador por aplicativo com 50 anos ou mais também apresentou rendimento médio habitual superior ao registrado entre os menores de 50.

Em 2025, o rendimento médio mensal habitual dos trabalhadores 50+ foi de R$ 3.377,92, contra R$ 3.089,68 entre os trabalhadores com menos de 50 anos, diferença de R$ 288 por mês.

O rendimento dos trabalhadores mais velhos também avançou em relação a 2022. Naquele ano, a média era de R$ 3.029,99.

A jornada, por outro lado, permaneceu elevada, embora tenha diminuído ligeiramente. Em 2025, os trabalhadores 50+ trabalhavam, em média, 44,5 horas por semana. Em 2022, a média era de 46,5 horas.

Entre os trabalhadores com menos de 50 anos, a jornada média em 2025 era de 45,8 horas semanais.

Assim, os trabalhadores mais velhos apresentavam, ao mesmo tempo, rendimento médio superior e jornada média ligeiramente menor que a dos trabalhadores mais jovens.

Seis em cada dez não contribuem para o INSS

A ausência de contribuição previdenciária continua sendo um dos principais pontos de atenção entre os trabalhadores por aplicativo com 50 anos ou mais.

Em 2025, 61,9% dos trabalhadores 50+ não contribuíam para a Previdência Social. São aproximadamente 216,5 mil pessoas. Os contribuintes representavam 38,1%, cerca de 133,4 mil trabalhadores.

A proporção de não contribuintes aumentou em relação a 2022, quando 58,6% dos trabalhadores 50+ não contribuíam e 41,4% contribuíam.

A situação também é observada entre os trabalhadores mais jovens: em 2025, 63,6% dos menores de 50 anos não contribuíam para a Previdência, contra 36,4% de contribuintes.

Ou seja, embora a cobertura previdenciária seja ligeiramente maior entre os trabalhadores mais velhos, a maioria dos trabalhadores por aplicativo de ambos os grupos etários estava sem contribuição para o INSS.

Para uma população que já chegou aos 50 anos ou mais, o dado ganha importância adicional, porque a ausência de contribuição pode afetar a proteção previdenciária e tornar mais distante o sonho da aposentadoria.

Sudeste concentra dois terços dos trabalhadores 50+

A distribuição regional dos trabalhadores por aplicativo 50+ permanece fortemente concentrada no Sudeste. Em 2025, 227.450 trabalhadores, ou 65% do total, estavam na região.

O Nordeste vinha em seguida, com 45.490 pessoas (13%), praticamente empatado com o Sul, que reunia 45.140 trabalhadores (12,9%). O Centro-Oeste concentrava 19.946 pessoas (5,7%), enquanto o Norte tinha 11.897 (3,4%).

A concentração no Sudeste permanece muito semelhante à observada em 2022, quando a região reunia 66% dos trabalhadores 50+.

O conjunto dos dados mostra, portanto, que o trabalho por aplicativos se consolidou também como uma forma de inserção profissional para pessoas mais velhas. O fenômeno ocorre em um mercado que cresceu quase 34% entre 2022 e 2025 e passou a reunir cerca de 1,93 milhão de trabalhadores.

Como foi calculada a população 50+

O cálculo da população com 50 anos ou mais foi feito a partir dos microdados oficiais da PNAD Contínua (IBGE), utilizando os módulos de Teletrabalho e Trabalho por Plataformas Digitais de 2022 e 2025.

Em 2022, a pesquisa utilizada foi coletada no 4º trimestre. Em 2025, foi utilizado o 3º trimestre, cuja divulgação oficial ocorreu em 4 de setembro de 2026.

A unidade de análise é formada por indivíduos de 14 anos ou mais ocupados na semana de referência. Para identificar os trabalhadores por aplicativo, foram considerados os indivíduos ocupados que declararam prestar serviços por meio de aplicativos no trabalho principal.

A tabulação direta dos dados do IBGE permitiu isolar os 248.229 trabalhadores de 50 a 59 anos em 2025 e somá-los aos 101.695 trabalhadores de 60 anos ou mais, chegando ao total de 349.923 trabalhadores por aplicativo com 50 anos ou mais, equivalente a 18,09% dos 1.934.581 trabalhadores por aplicativo de serviços estimados para o período.

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