Xico Sá e Mariza Tavares dizem que jornalistas 60+ têm pouco espaço na TV
Debate no Fórum Longevidade destacou a importância da troca intergeracional nas redações e do combate ao etarismo feminino
Alexandre Barreto/VIVA
O envelhecimento da população está transformando as relações de trabalho e a dinâmica urbana, conforme discutido por jornalistas no 8º Fórum & Festival Longevidade, destacando a importância da inclusão de diferentes gerações no ambiente profissional.
Xico Sá apontou a resistência do mercado de comunicação em aceitar profissionais acima dos 50 anos, enquanto Mariza Tavares enfatizou que as mulheres enfrentam o etarismo de forma mais precoce, especialmente a partir dos 45 anos.
Os jornalistas também abordaram como o envelhecimento altera a percepção sobre a acessibilidade nas cidades, com Sá defendendo que a experiência de envelhecer deve ser convertida em discussões políticas e sociais para melhorar a vida urbana.
São Paulo - O envelhecimento da população também está mudando a forma de pensar o trabalho, as relações profissionais e a própria cidade. Esse foi um dos temas discutidos pelos jornalistas Xico Sá, 63, e Mariza Tavares, 67, durante o painel “Trajetórias de trabalho e criação que atravessam décadas na cidade de São Paulo”, realizado nesta quinta-feira, 24, no 8º Fórum & Festival Longevidade.
A conversa reuniu experiências do jornalismo e reflexões sobre como continuar trabalhando e criando ao longo da vida. O encontro também passou por etarismo, relações entre homens e mulheres, acessibilidade e participação das pessoas mais velhas na sociedade.
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Um dos principais pontos levantados por Xico Sá foi a importância de reunir diferentes gerações no ambiente profissional, principalmente no jornalismo. Para ele, profissionais mais jovens e mais velhos podem exercer funções complementares dentro de uma mesma equipe.
“É importante ter como editores pessoas com um vasto repertório, que tenham o conhecimento empírico de situações de coberturas", disse.
Não dá para formar uma equipe de redação para cobertura de nada em especial que você não tenha várias gerações ali dentro."
Xico Sá, jornalista
De acordo com Sá, o mercado de comunicação ainda enfrenta resistência à presença de profissionais acima dos 50 anos, especialmente em atividades que envolvem exposição pública. “Você não vê pessoas 60+ com a cara na TV aberta, por exemplo. São raros”, relatou.
Para o jornalista, esse cenário está relacionado a uma prática de afastamento de profissionais que atingem determinada idade. “O que você teve ao longo do tempo foi um projeto de dispensa, de demissão de pessoas que passavam dos 50 anos e já entravam nessa linha de corte”, disse.
Durante a conversa, Mariza Tavares, escritora e ex-diretora executiva da Rede CBN, trouxe uma perspectiva específica sobre o envelhecimento feminino. Ela observou que as mulheres podem vivenciar o etarismo mais cedo, especialmente a partir dos 45 anos.
Fazemos parte de um grupo que sente isso mais precocemente, porque já na menopausa é como se fosse assim: você faz parte do grupo e já não conta mais.”
Mariza Tavares, jornalista
Envelhecimento em espaços urbanos
Outro ponto abordado pelos jornalistas foi a questão de como o envelhecimento modifica a percepção sobre os espaços urbanos. Xico contou que passou a observar problemas de acessibilidade que antes não faziam parte de suas preocupações cotidianas.
“Coisas que jamais passavam pela minha cabeça. Falta de um apoio aqui, uma escada inadequada ali. Isso tudo faz parte da minha observação e tem virado um pouco o tema das minhas crônicas”, relata.
O comunicador afirmou que utiliza transporte coletivo e que a experiência de envelhecer mudou sua percepção sobre as condições oferecidas pela cidade para quem tem mais idade.
Para ele, perceber essas dificuldades também pode transformar uma experiência pessoal em uma discussão. “Você primeiro sente na pele e depois você quer tornar aquilo política pública.”
Ele defendeu que a longevidade também envolve continuar participando da cidade, do trabalho, da cultura e das decisões que afetam a vida cotidiana, e não apenas “viver mais”.
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