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81% dos brasileiros querem candidatos que acreditem em Deus, diz pesquisa

Fernando Frazão/Agência Brasil

Porcentual chega a 89% entre pessoas com renda de até um salário mínimo - Fernando Frazão/Agência Brasil
Porcentual chega a 89% entre pessoas com renda de até um salário mínimo
Por Alexandre Barreto

21/08/2026 | 12h48

São Paulo - Oito em cada dez brasileiros consideram fundamental que candidatos nas eleições acreditem em Deus. O porcentual chega a 89% entre pessoas com renda de até um salário mínimo e cai para 57% entre quem recebe de 10 a 20 salários mínimos.

Os dados fazem parte de um levantamento do Laboratório de Estudos Socioantropológicos em Política, Arte e Religião (LePar), da Universidade Federal Fluminense (UFF), apresentado na quarta-feira, 19, durante a abertura do 1º Congresso Internacional e Multidisciplinar sobre Sociedade, realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A pesquisa mostra que a crença em Deus, especialmente na figura do Deus cristão, tem maior presença entre a faixa de menor renda. Segundo o levantamento, 74% dos entrevistados concordam que Deus faz as pessoas serem melhores. Entre aqueles que ganham até um salário mínimo, o índice sobe para 86%.

Outro dado aponta que 82% dos participantes defendem que as escolas devem ensinar crianças e adolescentes a acreditar em Deus.

Apesar da valorização da religião, a confiança nas instituições religiosas apresenta índices menores. A Igreja Católica aparece com 56% de confiança, seguida pelas igrejas protestantes, com 51%, e pelos centros kardecistas, com 19%.

A pesquisa também mostrou que cerca de 54% dos entrevistados afirmam que o Estado não deveria ser laico. O levantamento aponta que há diferentes entendimentos sobre o conceito de laicidade: a separação entre instituições religiosas e o Estado não é necessariamente associada ao significado do termo por parte dos entrevistados.

Relação entre religião e política

Os pesquisadores também analisaram a relação entre religião, valores sociais e comportamento político. Foi constatada uma associação estatística entre a identificação como evangélico e o voto em candidatos de extrema direita.

A análise considera que grupos políticos passaram a utilizar determinados valores religiosos para mobilizar eleitores em torno de ideias relacionadas à preservação de uma ordem social associada ao passado.

Um dos exemplos apresentados no congresso envolve candidatos a cargos políticos no Rio de Janeiro. Sete em cada dez candidatos acreditam ou afirmam acreditar na existência de uma conspiração progressista relacionada à suposta degeneração moral das pessoas por meio da escola.

Além disso, o levantamento identificou ainda uma percepção de perda de valores associados ao passado. Essa visão aparece entre diferentes grupos sociais e não se limita a uma determinada classe, gênero ou grupo racial.

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