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Blackface de deputada Fabiana Bolsonaro será analisado por Conselho de Ética

Reprodução /YouTube /Alesp

Deputada Fabiana Bolsonaro se pintou de marrom para criticar deputada transsexual Erika Hilton - Reprodução /YouTube /Alesp
Deputada Fabiana Bolsonaro se pintou de marrom para criticar deputada transsexual Erika Hilton
Por Bárbara Ferreira

19/03/2026 | 14h32

São Paulo - Deputados estaduais protocolaram uma representação no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) pendindo que a conduta de Fabiana Bolsonaro (PL) seja investigada. Ela fez um blackface (prática de pintura do rosto e corpo de pessoas brancas de preto) durante uma sessão para criticar outra deputada, Erika Hilton.

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Ao se pintar de marrom, perguntou: "Eu sou negra agora? Eu estou sentindo as dores de uma mãe e teu filho que sofre tudo que sofre na rua por ser negro? Não é isso? Não é essa luta?" A intenção foi criticar a escolha de Erika para a presidência da Comissão da Mulher. 

Na representação, os parlamentares afirmam que a conduta de Fabiana Bolsonaro foi “discriminatória” e o episódio “previamente concebido e intencional”, com conteúdo racista e transfóbico. Por ultrapassar os limites da liberdade de expressão e da imunidade parlamentar e possível quebra de decoro, a conduta pode levar à perda de mandato.

Por que ela fez blackface?

Na ocasião, com o rosto e braços pintados, Fabiana disse: "Eu quero justamente mostrar que não adianta me maquiar. Não adianta eu fingir algo. Eu não sei as dores que as mulheres negras lá, naquele evento que tiveram no governo federal, sentiram quando dormiam no estábulo. Mas agora eu não sou negra. Eu estou pintado de negra por fora [...]. Eu não sei as dores da essência que essas pessoas tiveram. E aqui, agora, tirando essa maquiagem, eu digo pra vocês, como uma mulher. Eu sou uma mulher. Não adianta se travestir de mulher. Não estou ofendendo nenhum transexual. Eu estou dizendo que eu sou mulher. A mulher do ano não pode ser transexual. Isso está tirando a mulher que inventou a vacina. Alguém tirou o lugar dela para colocar uma transexual".

Depois ainda disse: "Transexual tem que ser respeitado sim. Estamos vendo um aumento na história de assassinato de pessoas transexuais. Transexual tem que ser respeitado sim. Não quero que nenhum trans passe por situação de preconceito, que seja assassinado e discriminado por ser trans. Mas não quero que nenhum trans tire meu lugar".

O que pede a representação?

Dezoito deputados (de partidos como PT, PSOL, PCdoB e PSB) pediram que a situação seja apurada. Os deputados argumentam que a atitude pode se enquadrar na Lei nº 7.716/1989, que tipifica crimes de racismo.

Além da representação, a deputada estadual Monica Seixas (PSOL) registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) por racismo contra a deputada Fabiana Bolsonaro.

Quem é Fabiana Bolsonaro?

Fabiana de Lima Barroso Souza não é da família Bolsonaro. Ela usa o sobrenome por alinhamento ideológico com o ex-presidente preso, como estratégia política. Ela se posiciona como política conservadora e apoiadora de Jair Bolsonaro.

Ela é filha do pastor evangélico Adilson Barroso, fundador e presidente nacional do antigo Partido Patriota, que atualmente se chama Partido Renovação Democrática (PRD). Ele se candidatou várias vezes, mas nunca foi eleito, então incentivou a filha a seguir a carreira política e a ideologia conservadora.

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