Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva

Idosos devem manter autonomia e mobilidade, mesmo com doenças crônicas

Adobe Stock

No Dia Nacional da Saúde, debate é sobre envelhecer com doenças crônicas - Adobe Stock
No Dia Nacional da Saúde, debate é sobre envelhecer com doenças crônicas
Por Emanuele Almeida

05/08/2026 | 11h15 ● Atualizado | 11h16

São Paulo - Envelhecer no Brasil hoje é, para a maioria, um exercício de convivência com condições crônicas. Dados da pesquisa ELSI-Brasil (2023-24) da Fiocruz revelam que a hipertensão e o diabetes são companheiros frequentes na jornada da longevidade. Essa relação revela que, hoje, o segredo não está na ausência de doenças no envelhecimento, mas na preservação da liberdade.

O envelhecimento com doenças crônicas é um debate multifatorial que perpassa principalmente os filtros de gênero no País e torna-se ainda mais importante nesta quarta-feira, 5, Dia Nacional da Saúde. A data foi criada em 1967 para relembrar nascimento do médico e sanitarista Oswaldo Cruz e conscientizar a sobre a importância da educação sanitária.

Para a presidente do Departamento de Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), Isabela Oliveira Azevedo Trindade, focar apenas nos exames médicos é um equívoco.

A saúde da pessoa idosa é determinada, principalmente, pela sua capacidade funcional, ou seja, pela habilidade de fazer aquilo que valoriza no cotidiano", afirma.

Ela ressalta que duas pessoas com os mesmos diagnósticos podem ter vidas completamente diferentes. Enquanto uma mantém sua autonomia e participação social, a outra pode estar limitada. A diferença reside na preservação de aspectos como mobilidade, cognição, força muscular e saúde mental.

Segundo o diretor do Departamento de Diabetes Mellitus da SBEM, Wellington Santana, a saúde se baseia em um tratamento que pode e deve ser ajustado para priorizar a independência:

"É possível utilizar medicamentos de posologia mais simples, com tomada única diária, preferência pela via oral e seleção de drogas que não induzam hipoglicemia (baixa de glicose), garantindo mais segurança para o paciente", elenca. 

Quais são as principais doenças do idoso brasileiro?

Os números mostram que doenças crônicas são a regra, não a exceção. Isso porque, a hipertensão arterial atinge 59,8% dos idosos no País. Essa prevalência é mais acentuada entre as mulheres (64,1%) do que entre os homens (54,2%) e tende a crescer com o passar dos anos, chegando a 67% naqueles com 80 anos ou mais.

O diabetes mellitus segue um caminho similar, afetando 24,2% da população idosa. O pico de diagnósticos ocorre na faixa dos 70 a 79 anos, atingindo 28% desse grupo. Assim como na hipertensão, as mulheres apresentam taxas de diagnóstico superiores às dos homens (26,7% contra 20,8%).

Embora os diagnósticos sejam comuns, o brasileiro tem demonstrado alta adesão aos tratamentos. Segundo o ELSI-Brasil:

  • Cerca de 9 a cada 10 idosos hipertensos utilizam medicamentos para controlar a pressão;
  • Em relação à diabetes, 87,1% dos diagnosticados com diabetes fazem uso de medicação oral, índice que sobe para 92,5% na faixa etária acima de 80 anos.

Dicas para o envelhecimento saudável

De acordo com as diretrizes da SBGG, para garantir que o aumento da expectativa de vida venha acompanhado de dignidade, é preciso olhar além das consultas médicas. As principais recomendações incluem:

  • Movimento: a atividade física regular é apontada como a intervenção isolada de maior impacto, preservando equilíbrio, cognição e saúde mental;
  • Atenção aos detalhes: fatores como saúde bucal, visão, audição e sono de qualidade são essenciais, mas frequentemente negligenciados;
  • Conexão humana: relações afetivas, participação comunitária e ter um propósito de vida são componentes vitais para o bem-estar;
  • Prevenção: a vacinação e a revisão periódica dos medicamentos são fundamentais para evitar complicações evitáveis.

A atividade física é a intervenção de maior impacto para preservar a autonomia. Wellington Santana detalha a prescrição ideal para quem convive com diabetes e outras doenças crônicas:

Recomenda-se pelo menos 150 minutos semanais, divididos entre atividades aeróbicas e exercícios de musculação de, pelo menos, duas a três sessões por semana".

Para o público idoso, ele destaca a importância de exercícios de alongamento e equilíbrio, como Tai Chi e pilates, para a prevenção de quedas.

Além do movimento, a nutrição desempenha um papel crítico. Santana alerta para a perda de massa muscular, a sarcopenia: "É muito comum que idosos diminuam a ingestão proteica, o que favorece quedas e faz com que o paciente perca sua autonomia. Cuidados nutricionais, sobretudo quanto ao aporte de proteínas, são fundamentais para um envelhecimento saudável", destaca. 

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Últimas Notícias