Campanha mostra como eleitor 70+ é decisivo para o destino do País
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São Paulo - A consultoria data8, hub de dados estratégicos em Economia da Longevidade, lança uma convocação nacional para ampliar a participação eleitoral da população com 70 anos ou mais nas eleições de 2026: a campanha Voto 70+.
Mais do que um incentivo à regularização do título para as eleições deste ano, a iniciativa alerta que esta parcela da população tem o poder de decisão nas urnas.
Nas eleições de 2022, a abstenção das pessoas 70+ foi de 60%. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e EStatísca (IBGE), estima-se que hoje existam quase 15 milhões de eleitores 70+ cadastrados atualmente no País, sendo que 8 milhões deles não votam. E desse total, a maior ausência é das mulheres 70+: 64% delas não participaram das eleições.
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A campanha reforça que, embora o voto seja facultativo após os 70, a influência desse grupo é essencial para uma democracia equilibrada.
Para se ter uma ideia da importância deste público, na eleição de 2022, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou o segundo turno com 60.345.999 votos, contra 58.206.354 do seu adversário, ou seja, uma diferença de 2,1 milhões de votos.
Isso significa que, se os 70+ tivessem ido às urnas eles poderiam ter ampliado essa diferença ou mudado o resultado. Em um Brasil que envelhece em ritmo acelerado, ignorar o peso político dos maduros é um erro estratégico para os candidatos.
Para a cofundadora do data8, e uma das coordenadoras da iniciativa, Cléa Klouri, essas pessoas não podem ficar fora do processo democrático.
Estamos diante de uma contradição importante: nunca tivemos tantas pessoas vivendo mais, com mais experiência e capacidade de contribuição e, ao mesmo tempo, uma parcela significativa desse grupo permanece fora das decisões. A maior geração da história não pode seguir à margem da democracia.”
Poder da longevidade
Os atores Ary Fontoura e Zezé Motta são os protagonistas da campanha nos meios digitais, além do apoio de embaixadores da sociedade civil, como a empresária Luiza Trajano.
A escolha de nomes reconhecidos busca ampliar o alcance da mensagem e fortalecer a identificação com o público 70+, reforçando o chamado à participação eleitoral.
A iniciativa, lançada em abril, tem caráter cívico e apartidário e mobiliza instituições, empresas e organizações da sociedade civil.
A primeira fase concentra esforços na regularização do título eleitoral até 6 de maio, etapa considerada essencial para garantir a participação desse público no pleito. A iniciativa inclui ações de conscientização em agências do INSS, em 32 cidades, além da presença em canais digitais e apoio de embaixadores.
Protagonismo consciente
A campanha se ancora em uma leitura mais ampla da transição demográfica: hoje, 59 milhões de brasileiros têm 50 anos ou mais – grupo que já representa 28,5% da população e deve alcançar 40% até 2044.
No mundo, essa faixa cresce a uma taxa de 3% ao ano e se aproxima de 2 bilhões de pessoas. Para o data8, há um descompasso entre esse peso crescente e sua presença nas decisões públicas.
Para Adriana de Queiroz, uma das coordenadoras da campanha, a iniciativa busca ampliar a participação e reposicionar esse grupo como um ator mais presente nas decisões coletivas.
O envelhecimento já transformou o País, mas essa transformação ainda não chegou à democracia. Quando essa geração não participa, deixa de ser considerada nas decisões – e a abstenção passa a operar como um vetor de exclusão.”
É necessário que candidatos e sociedade olhem para esse grupo com atenção redobrada, pois sua presença nas urnas tem força suficiente para ditar os rumos do País.
Regularizar o título é o primeiro passo para garantir que a sabedoria do tempo se converta em decisões políticas concretas. Afinal, esse público pode ser o grande fiel da balança no próximo pleito.
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