Lula critica tarifaço e ataca Flávio Bolsonaro em reunião ministerial
Ricardo Stuckert/PR
Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira, 3, que foi surpreendido pela decisão dos Estados Unidos de sugerirem novas tarifas sobre produtos brasileiros e anunciou que enviará mais uma carta ao presidente norte-americano, Donald Trump, para contestar a medida.
Em reunião ministerial realizada para alinhar a estratégia de comunicação do governo nos últimos meses de mandato, Lula também orientou os ministros a concentrarem esforços na entrega de ações já planejadas até o dia 3 de julho, prazo estabelecido pela legislação eleitoral para inaugurações de obras e celebração de convênios.
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Ao comentar a recomendação do United States Trade Representative (USTR) de taxar em 25% os produtos brasileiros, Lula disse que deixou conversas recentes com Trump convencido de que os dois países haviam estabelecido uma nova dinâmica de diálogo e negociação.
“Confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem e antes de ontem com a decisão deles. E mais ainda, o que é triste, é que tem brasileiros, que não vou citar nomes aqui, fomentando essa briga na perspectiva de que se ele taxar a gente ele vai prejudicar uma candidatura a presidente da República e um imbecil desse não percebe que quem é prejudicado é o povo, não é o Lula”, afirmou.
Segundo o presidente, o Brasil não se recusou a negociar com os Estados Unidos e havia um entendimento para que as divergências fossem debatidas ao longo de 30 dias. Ele afirmou que o País não pode aceitar o tratamento recebido nesta semana e voltou a criticar o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
“Esse Marco Rubio não gosta da América Latina e muito menos do Brasil. Ele é um latino-americano frustrado, não sei se ele nasceu em Cuba, parece que ele é filho de pessoas que nasceram em Cuba”, declarou. Lula afirmou que pretende intensificar a reação diplomática e política às medidas norte-americanas.
“Eu ainda vou mandar outra carta ao presidente Trump, vou escrever quantos artigos forem necessários escrever na imprensa americana e na imprensa mundial, para mostrar que eles estão errados, equivocados, e que estão induzindo o mundo a uma violência desnecessária”, disse.
Ataques a Bolsonaro
O presidente também orientou os ministros a defenderem publicamente que integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estariam incentivando ações dos Estados Unidos por interesses eleitorais. Ao mencionar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Lula classificou como uma “traição da pátria” o encontro do parlamentar com Trump na semana passada.
“Vocês, ministros, não podem deixar de dizer isso em alto e bom som: ‘estão tentando trair o Brasil com interesses mesquinhos, rasteiros, de uma disputa eleitoral’. Não há disputa eleitoral, em qualquer país do mundo, que possa dar valor a alguém que trai a pátria”, afirmou.
Sobre a relação comercial com os Estados Unidos, Lula disse que o governo buscará alternativas caso novas barreiras sejam impostas. “Se os Estados Unidos querem problema, eles têm o direito de não querer, agora, nós não vamos ficar chorando, vamos procurar outros parceiros. Se eles não querem comprar, nós vamos vender para quem quiser comprar, a gente não vai ficar reclamando”, declarou.
O presidente também enviou recados sobre o interesse norte-americano em minerais críticos brasileiros, afirmando que qualquer iniciativa relacionada à exploração desses recursos deve passar previamente pelo governo brasileiro.
Entregas
Na reunião ministerial, Lula determinou ainda que não sejam apresentados novos programas ou iniciativas neste ano e que o foco da equipe seja a execução do que já foi planejado.
“Ninguém me apresente absolutamente nada novo, agora é entregar o que já foi pensado. Tem muita coisa que vocês já pensaram, muita coisa que eu até pensei que já estava funcionando e algumas ainda não estão funcionando por problemas burocráticos”, afirmou. Segundo o presidente, os ministros têm até 3 de julho para concluir entregas pendentes, antes das restrições impostas pela legislação eleitoral.
A reunião ministerial foi convocada para alinhar a divulgação de programas considerados estratégicos pelo governo, como o Desenrola 2.0 e a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Lula definiu o encontro como uma “arrumação de discurso” e afirmou que nenhum ministro deve “abaixar a cabeça” diante das ações dos Estados Unidos.
O presidente também disse que participará do encontro de líderes globais relacionado ao G7, que ocorrerá entre os dias 15 e 17 deste mês na França. “Alguém precisa tentar colocar ordem na casa”, afirmou.
(Por Mateus Maia, Gabriel Hirabahasi e Gabriel de Sousa)
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