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CCJ do Senado aprova aposentadoria especial para agentes de saúde

Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Sede do INSS, em Brasília - Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Sede do INSS, em Brasília
Por Broadcast

10/06/2026 | 14h01

Brasília - A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira, 10, por votação simbólica, a Proposta de Emenda à Constituição 14/2021, que trata de regras para a contratação e aposentadoria das carreiras dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e dos Agentes de Combate às Endemias (ACE). O texto segue agora para plenário, em regime especial.

O relator, Irajá (PSD-TO), não fez alterações ao texto aprovado pela Câmara em outubro. A Confederação Nacional de Municípios calcula um impacto de R$ 69 bilhões nos regimes de prefeituras. Já o Ministério da Previdência calcula um impacto de R$ 98,7 bilhões ao longo de todo o período futuro até o esgotamento do impacto no último beneficiário.

O cálculo se baseia em dados do Ministério da Saúde sobre o quantitativo de 400 mil agentes, considerando parâmetros dos valores de piso e teto do RGPS e uma distribuição de 50% para cada sexo.

Os pagamentos adicionais entre homens seriam de R$ 51,3 bilhões e para mulheres, de R$ 47,4 bilhões. No outro extremo, considerando o valor atual do teto de benefícios do RGPS de R$ 8.157,41, o montante geral chegaria a R$ 530 bilhões.

A Proposta prevê uma aposentadoria especial, desde que os agentes de saúde e de combate às endemias comprovem “atuação por 25 anos exclusivamente no efetivo exercício de suas funções” e atinjam uma idade mínima, seguindo uma regra de transição:

  • 50 anos de idade para mulheres e 52 anos de idade para homens, até 31 de dezembro de 2030;
  • 52 anos de idade para mulheres e 54 anos de idade para homens, até 31 de dezembro de 2035;
  • 54 anos de idade para mulheres e 56 anos para homens até 31 de dezembro de 2040;
  • 57 anos de idade para mulheres e 60 anos de idade para homens, a partir de 01 de janeiro de 2041.

Outra possibilidade prevista pela PEC é de aposentadoria por idade, para mulheres que completarem 60 anos e homens de 63 anos com, no mínimo, 15 anos de contribuição e 10 anos de atividade.

A PEC proíbe a contratação temporária ou terceirizada dos agentes, a não ser em casos de emergência em saúde pública. Segundo a proposta, os servidores terceirizados que participaram de processo seletivo público “serão automaticamente transformados em servidores públicos” a partir da publicação do texto. Gestores públicos terão até 31 de dezembro de 2028 para implementar tais regras.

‘Pautas-bomba’

A votação na CCJ vem um dia após o ministro da Fazenda, Dario Durigan, conversar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sobre as “pautas-bomba” que tramitam na Casa. Entre elas, está a PEC dos agentes de saúde.

Após a reunião, Alcolumbre criticou a quantidade de projetos que fixam pisos salariais para diferentes categorias e defendeu uma avaliação do impacto fiscal das medidas. “Temos aqui, que já tramitaram na Câmara dos Deputados e que estão tramitando no Senado Federal, 30 projetos, entre proposta de emenda constitucional e projeto de lei, relacionados a piso salarial e remuneração”, disse, após o senador Fabiano Contarato (PT-ES) pedir a votação do piso nacional de garis.

“No ano de eleição, isso aqui é muito complexo, porque o que eu botar para votar, todo mundo vai votar ‘sim’ por conta da eleição, e vai ter que arrumar dez brasis para pagar. E aí fica sendo eu o culpado que não quer dar um piso para o médico [...] O Brasil comporta isso? O Brasil vai resistir? As finanças públicas vão resistir?”, questionou.

Na reunião, a Fazenda manifestou preocupação com o impacto de várias propostas que tramitam no Senado, entre elas:

  • Projeto que trata da renegociação das dívidas dos produtores rurais;
  • PEC da aposentadoria integral para agentes de saúde;
  • Piso salarial para médicos e cirurgiões dentistas;
  • PEC que aumenta a fatia de recursos da União destinada ao Fundo de Participação dos Municípios.

(Por Naomi Matsui e Mateus Maia)

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