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Comitê Olímpico Internacional veta mulheres trans em jogos femininos

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Para o COI, as atletas trans poderão competir em qualquer categoria masculina - Pexels
Para o COI, as atletas trans poderão competir em qualquer categoria masculina
Por Bárbara Ferreira

30/03/2026 | 18h26

São Paulo -  Mulheres transexuais não poderão participar dos jogos individuais e coletivos exclusivamente femininos na Olimpíadas. Segundo decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI), apenas  “mulheres biológicas” podem participar. A decisão vale para os jogos olímpicos de 2028 e ocorre em um momento de pressão política do país que vai sediar os jogos, os Estados Unidos.

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Para o COI, as atletas trans “são elegíveis para qualquer categoria masculina, incluindo vagas reservadas para homens em qualquer categoria mista, e qualquer categoria aberta, ou em esportes e eventos que não classificam atletas por sexo.” A política estabelecida serve para jogos oficiais e “não se aplica a programas de esporte amador ou recreativo”, afirmaram. 

O COI orienta que todas as federações desportivas internacionais e nacionais, associações continentais, conselhos esportivos dos países e órgãos dirigentes de desporto do planeta adotem essa política. Enquanto organizações de direitos humanos e esporte pedem a suspensão da medida, alertando para discriminação e retrocesso.

A presidente do COI, Kirsty Coventry, alegou vantagem de desempenho quanto a força e potência, além de questões de segurança:  “Nos Jogos Olímpicos, até as menores margens podem ser a diferença entre a vitória e a derrota. Portanto, é absolutamente claro que não seria justo para homens biológicos competirem na categoria feminina. Além disso, em alguns esportes, simplesmente não seria seguro”.

Ela afirma que a política foi baseada em “ciência”. A avaliação do COI leva em consideração consultas feitas a 1,1 mil atletas e as discussões de grupo de trabalho formado por diretores médicos de federações esportivas internacionais e especialistas “em ciência do esporte, endocrinologia, medicina transgênero, medicina esportiva, saúde da mulher, ética e direito”.

Com essa restrição, todas mulheres atletas devem fazer testes de sexagem. Por meio de saliva ou amostra sanguínea, o teste verifica a presença do gene SRY, responsável pelo desenvolvimento do sexo masculino em mamíferos. Testes genéticos já foram anteriormente introduzidos no esporte em 1967, logo descontinuados em 1999 por questionamentos da comunidade científica. 

A bicampeã olímpica dos 800 metros, a sul-africana Caster Semenya, criticou a medida que impacta atletas transgênero e também competidoras com diferenças de desenvolvimento sexual (DSD), assim como ela. Semenya classificou a medida como "uma falta de respeito às mulheres".

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