Especialistas alertam que o Brasil não se preparou para envelhecer
Marcel Naves/Portal Viva
São Paulo - A bolha do envelhecimento estourou e agora resta pouco tempo para se fazer algo. A opinião é do colunista do Portal Viva, gerontólogo e uma das principais referências em longevidade, Alexandre Kalache. Segundo o especialista, no Brasil, a população idosa está crescendo muito rapidamente, mas sem os recursos de outros países já envelhecidos.
O Brasil vai em 20 anos dobrar a proporção de 60+, a França precisou de 145 anos para se adaptar. Nós vamos fazer, em uma geração, o que a França fez em 18 sendo uma potência econômica e nós não somos”.
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De acordo com Alexandre Kalache, a população brasileira envelhecida vive em uma situação precária e de vulnerabiliade que requer muita atenção. Para Kalache, é preocupante ver que continuamos de olhos fechados para esta questão.
Os cinco eixos centrais do envelhecimento
Kalache reconhece que o aumento da expectativa de vida é uma conquista, mas ressalta que o país necessita garantir condições para que esses anos sejam vividos com saúde, autonomia, segurança e participação social. Para o especialista, é preciso ter atenção a cincos pilares básicos do envelhecimento:
- Saúde – É preciso ter condições físicas e mentais para envelhecer com qualidade.
- Aprendizado ao longo da vida – Sempre continuar aprendendo, especialmente diante das mudanças tecnológicas.
- Participação social – Continuar participando da sociedade, trabalhando, estudando, convivendo e tomando decisões.
- Segurança – Fundamental ter renda, moradia, acesso à saúde e proteção.
- Propósito – Ter uma razão para levantar da cama, seja cuidar da família, trabalhar, participar da comunidade ou defender uma causa.
A invisibilidade dos 50+ para o mercado
O professor em economia da Longevidade, Wilians Fioroi, critica o abismo existente entre as narrativas publicitárias e a verdadeira rotina da população idosa. Segundo o especialista, o mercado insiste em enquadrar o envelhecimento ignorando a vasta diversidade do cotidiano real desta parte da população.
A gente tem um padrão de pensamento social e de mídia muito pautado na década de 70 e 80 ainda. Vivemos a dicotomia de pensar que envelhecimento ou é o super idoso, carioca, que salta de paraquedas, que é lindo ou é o idoso que mora numa instituição de longa permanência".
Willians Fioiri destaca que adequar produtos, serviços e discursos à rotina dos idosos é uma questão de sobrevivência para as empresas. Segundo ele, as marcas que insistirem em encarar o envelhecimento sob lentes ultrapassadas perderão a oportunidade de construir relevância e fidelidade junto ao segmento populacional que mais cresce no país.
As declarações foram feira durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo que reúne escritores, editoras e leitores em uma programação dedicada à literatura e ao mercado editorial. Confira mais informações e a programação completa no site da Bienal Internacional do Livro de São Paulo.
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