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Feminicídios em 2025 superaram dados oficiais no País, diz estudo da UEL

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Segundo o levantamento, Brasil registrou 6.904 vítimas de  feminicídio em 2025 - Adobe Stock
Segundo o levantamento, Brasil registrou 6.904 vítimas de feminicídio em 2025
Por Marcel Naves

04/03/2026 | 08h03

São Paulo, 04/03/2026 - O número de casos de feminicídio no Brasil vem aumentando. O problema é que há mais ocorrências do que mostram os registros oficiais. Essa é a conclusão do Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL).

Segundo o estudo, o Brasil registrou 6.904 vítimas de casos consumados e tentativas de feminicídio em 2025, o que representa um aumento de 34% em relação ao ano de 2024, quando houve 5.150 vítimas. Foram 4.755 tentativas e 2.149 assassinatos, totalizando quase seis (5,89) mulheres mortas por dia no País.

Os números superam em 38,8%, ou seja, em mais de 600, o número de vítimas de feminicídio divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Os dados que constam no sistema são informados pelos Estados. Segundo a última atualização, no mês passado, foram 1.548 mulheres vítimas de feminicídio em 2025.

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Metodologia do estudo

Foto do rosto da professora Silvana Mariano
Arquivo Pessoal/Divulgação - Pfa.Silvana Mariano

Ao Portal VIVA , a professora e coordenadora do Lesfem, Silvana Mariano, explicou que todo o trabalho é feito por uma equipe de profissionais, que diariamente acompanha as notícias que são divulgadas pela internet. 

Depois, são coletados os dados fornecidos pelo Ministério da Justiça, no Sistema Nacional de Informação de Segurança Pública - SINESP. Após isto, ocorre o cruzamento das informações fornecidas pela imprensa e os da polícia, e só  entãso é formada uma base com os registros.

Existe um grave problema na forma com que os casos de feminicio são registrados, de acordo com a professora.

O principal fator de distinção entre a nossa classificação e a da polícia é que nós adotamos os parâmetros das diretrizes nacionais - a polícia nem sempre". 

Conforme as diretrizes, é preciso classificar morte violenta de mulher acompanhada de violência sexual como feminicídio. "Nós adotamos, nós classificamos, a polícia não segue a diretriz, não classifica como se deve".

A coordenadora do Lesfem diz que essa situação impede, por exemplo, de se ter um número exato de mulheres 50+ que são vitimas de femínicidio. "Mulheres idosas, muitas vezes, moram sozinhas e aí fica como 'morte a esclarecer' e não identificam a autoria. Sem identificar a autoria, não pacificam como feminicídio.'

Violência ligada a intimidade

A análise do Lesfem aponta que, entre os quase 7 mil casos consumados e tentados de feminicídio, predomina o crime no âmbito íntimo (75%), que são os casos em que o agressor faz ou fez parte de seu círculo de intimidade, como companheiros, ex-companheiros ou a pessoa com quem a vítima tem filhos. A maioria das mulheres foi morta ou agredida na própria casa (38%) ou na residência do casal (21%).

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A maior parte das vítimas (30%) estava na faixa etária dos 25 a 34 anos. Ao menos 22% das mulheres, no total, realizaram denúncias contra os agressores anteriormente ao feminicídio.

Em relação ao perfil do agressor, a idade média é 36 anos. A maioria agiu individualmente, com 94% dos feminicídios cometidos por uma única pessoa, ante 5% praticados por múltiplas. Sobre o meio utilizado, quase metade (48%) dos crimes foi cometida com arma branca, como faca, foice ou canivete.

Foi registrada a morte do suspeito após o feminicídio em 7,91% dos casos com dados conhecidos. O óbito decorreu de suicídio na maioria, sendo 7,76%. A prisão do suspeito foi confirmada em ao menos 67% das ocorrências com informações conhecidas.

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