Maioria atribui violência contra mulher a escolha afetiva, aponta pesquisa
Joédson Alves/Agência Brasil
São Paulo - Casos de violência contra a mulher ainda são associados às escolhas afetivas das próprias vítimas pela maioria dos brasileiros, segundo pesquisa do Movimento Mulher 360, realizada pelo Datafolha, divulgada nesta segunda-feira, 1º de junho. O levantamento mostra que 61% da população acredita que agressões contra mulheres muitas vezes são resultado da escolha errada de um parceiro.
O resultado evidencia a permanência de uma percepção que transfere parte da responsabilidade da violência para as vítimas, em vez de direcioná-la aos agressores.
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As respostas são divididas nas categorias: discorda totalmente, discorda em parte, não concorda nem discorda, concorda em parte e concorda totalmente.
A concordância total com a tese é maior entre os homens, alcançando 44% na categoria "concordo totalmente". Já as mulheres aparecem com índices mais elevados de discordância, diferença de 8%.
Essa percepção perde força entre os mais escolarizados, passando de 73% entre quem tem ensino fundamental para 48% entre aqueles com ensino superior.
A pesquisa também aponta diferenças na percepção da gravidade do problema. Para 73% das mulheres, a violência de gênero está entre os principais desafios de segurança pública do País. Entre os homens, esse percentual é de 49%.
Maioria das mulheres relata já ter sofrido violência
O levantamento identificou que 74% das mulheres já vivenciaram ao menos uma situação de violência de gênero ao longo da vida. Em média, cada vítima relatou ter passado por três episódios distintos.
Os casos mais frequentes incluem insultos e xingamentos, registrados por 59% das entrevistadas. Em seguida aparecem ameaças de agressão física, como empurrões ou chutes, citadas por 45%, e situações de perseguição ou intimidação, mencionadas por 43%.
A pesquisa também revela que 38% das mulheres já sofreram algum tipo de violência sexual, como toques ou abordagens sem consentimento. Além disso, uma em cada quatro entrevistadas relatou ter sido vítima de espancamento ou tentativa de enforcamento. Outras 22% afirmaram já ter sido ameaçadas com armas ou facas.
Falta de confiança afasta denúncias
Outro dado que chama atenção é a baixa reação após episódios de violência. Entre as mulheres que sofreram a agressão considerada mais grave no último ano, 37% disseram não ter tomado nenhuma providência.
A pesquisa aponta que a desconfiança na capacidade de proteção das instituições públicas é um dos fatores que explicam esse comportamento.
Apenas 19% das mulheres afirmam confiar muito na polícia para protegê-las. Entre os homens, esse percentual sobe para 31%.
Enquanto 55% dos homens consideram que a legislação de proteção às mulheres funciona adequadamente, o mesmo percentual de mulheres demonstra desconfiança em relação à efetividade dessas normas.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas com mais de 16 anos em todo o país entre os dias 6 e 11 de abril de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
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