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Novo golpe usa perfis falsos de motoristas de aplicativos

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Anúncios divulgados nas redes sociais oferecem cadastros falsos para quem quiser trabalhar como motorista de aplicativo - Reprodução Redes Sociais
Anúncios divulgados nas redes sociais oferecem cadastros falsos para quem quiser trabalhar como motorista de aplicativo
Por Marcel Naves

27/01/2026 | 10h00

São Paulo, 27/01/2026 -  Um novo golpe vem sendo registrado contra motoristas e passageiros de aplicativos de corrida: criminosos compram perfis falsos e fingem ser motoristas de apps para cometer  crimes que vão de roubo a estupro. Em casos mais graves, os bandidos simplesmente assaltam o motorista de aplicativo e passam a aceitar corridas em seu lugar.

Entre as autoridades que alertam sobre o novo golpe está Vitor Falcão Real, delegado da  Polícia Civil do Distrito Federal, que fez posts no Instagram sobre a nova modalidade criminosa. Segundo Real, a principal forma de evitar o golpe é conferir a foto do motorista antes do embarque e se os dados do veículo batem com o exibido pelo aplicativo.

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Além de conferir os dados do carro e do motorista, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo orienta os usuários a usarem apenas plataformas oficiais, evitarem corridas fora do aplicativo e compartilhareem o trajeto em tempo real com pessoas de confiança. É primordial que o telefone 190 seja acionado em qualquer situação de risco, além de formalizar a ocorrência junto às autoridades policiais por meio de boletim de ocorrência caso seja vítima de algum crime.

Perfis clandestinos

Anúncio de perfil clandestino em aplicativo de corridas
Anúncio de perfil clandestino em aplicativo de corridas

Kauã, que trabalha como motorista de aplicativo no Paraná e teve seu sobrenome omitido nesta reportagem, relatou, em julho do ano passado, que seu perfil em uma plataforma foi usado em golpes. Ele aceitou uma corrida e, ao chegar ao local solicitado, a passageira entrou no carro e, aparentando estar muito nervosa, disse que antes dele, outro motorista havia parado, afirmando ser o Kauã.

Como os dados do carro não batiam com o que foi solicitado, a mulher, que estava com a filha pequena, não aceitou a corrida. Sem conseguir explicar como isso aconteceu, o Kauã verdadeiro fez um boletim de ocorrência. A situação pode ser explicada mediante a compra de um perfil falso na internet.

Um perfil clandestino pode ser obtido com alguns cliques e sem restrições: a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) pode estar cassada, o carro pode não estar regularizado e o motorista do perfil pode estar até banido do aplicativo por uma falta grave — nada é impeditivo para que alguém mal intencionado consiga um perfil falso.

A reportagem do Portal VIVA entrou em contato com dois sites que vendem esses perfis por meio das redes sociais, sempre com a promessa de que é possível fazer o cadastro de qualquer pessoa, independente da sua situação ou condição financeira. A única exigência feita foi a do primeiro nome. As demais informações, como o número do registro do carro, identidade e CPF são completamente falsas.

Caso o carro tenha multas ou débitos judiciais, um dos homens que nos atendeu disse que usa o documento e as informações de um carro legalizado para contornar a situação e completar o cadastro. O preço cobrado varia de R$ 350 a R$ 450, apenas para ter o cadastro. Caso o golpista queira a "regularização” do automóvel, o valor salta para R$ 550

O uso de documentos falsos é um crime grave, conforme o código penal brasileiro. Quem falsifica um documento público está sujeito à pena de reclusão de dois a seis anos, e multa.

Se for um documento particular, a pena é de reclusão de um a cinco anos, além de multa. Quem utiliza documentos falsos responde exatamente pela mesma pena do crime de falsificação.

O que dizem os motoristas de aplicativo

Leandro Cruz, presidente do Stattesp
CaptionLeandro Cruz, presidente do Stattesp

O presidente do Stattesp, organização que representa os motoristas de aplicativo em São Paulo, Leandro Cruz, reconhece que a situação é preocupante, e disse em entrevista ao Portal VIVA, que uma das saídas contra a violência ao motorista de aplicativo seria o maior rigor no cadastro dos clientes.

Isso porque esse novo golpe muitas vezes começa com criminosos se passando por passageiros para assaltar os motoristas e, depois, eles fingirem ser os condutores. 

Uma alternativa seria ter maior rigor no cadastro dos clientes, isso facilitaria, e muito, a questão de segurança. Mas como as plataformas brigam para terem mais clientes, isso não acontece", avalia Cruz.

O que dizem as plataformas

Em nota, à Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que reúne empresas de tecnologia prestadoras de serviços, informou que a segurança de parceiros e usuários é uma prioridade. Segundo a entidade, as plataformas possuem sistemas que buscam inibir práticas fraudulentas que, quando detectadas, são punidas inclusive com o banimento das contas.

De acordo com a Amobitec, o cadastro de motoristas junto às plataformas de aplicativos segue um critério rigoroso e a validação de dados pessoais e dos automóveis utilizados, documentos e foto, checagem regular de apontamentos criminais, entre outras exigências. 

Como forma adicional de segurança, é solicitado periodicamente aos motoristas parceiros selfies para confirmar a identidade do condutor.

As denúncias de irregularidades e fraudes são verificadas por equipes internas das associadas e são tomadas as ações necessárias, que variam de acordo com a pertinência e a gravidade.

As empresas também têm equipes especializadas para colaborar com as autoridades nas solicitações de dados, respeitando-se a legislação relativa à privacidade. 

O que diz a Secretaria de Segurança Pública

Por meio de nota, a Secretaria de Segurança de São Paulo (SSP-SP) informa que acompanha de forma permanente os crimes praticados contra motoristas de aplicativos, e que tem reforçado de maneira contínua o trabalho integrado das forças policiais para prevenir e reprimir esse tipo de ação criminosa.

Como resultado desse trabalho integrado, a SSP-SP ressalta que o Estado contabiliza queda de 18,4% nas ocorrências no período de janeiro a novembro de 2025, em comparação com igual período de 2024. Na capital paulista e na Grande São Paulo, a redução chega a 18,1% no período analisado. 

Sobre a atuação de criminosos por meio de perfis falsos em plataformas digitais, a Polícia Civil destaca que esse tipo de prática também é alvo de apuração policial, com ações de inteligência voltadas à identificação dos responsáveis, repressão às fraudes e responsabilização criminal dos envolvidos, em articulação com outras instituições e órgãos competentes.

A SSP-SP segue destacando a importância de se registrar o boletim de ocorrência, seja de forma presencial ou online, para que os crimes sejam formalmente apurados. Essas informações serão usadas para orientar as estratégias de enfrentamento e para ampliar a proteção tanto de motoristas quanto de passageiros.

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