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Câmara de SP debate pesquisa sobre 60+ que moram sozinhos na capital

Paula Bulka Durães/Viva

Câmara dos vereadores de São Paulo debate projeto para ampliar cuidados a pessoas idosas que moram sozinhas na capital - Paula Bulka Durães/Viva
Câmara dos vereadores de São Paulo debate projeto para ampliar cuidados a pessoas idosas que moram sozinhas na capital
Paula Bulka Durães
Por Paula Bulka Durães paula.bulka@viva.com.br

Publicado em 26/11/2025, às 08h46

São Paulo, 26/11/2025 – A Comissão do Idoso da Câmara Municipal de São Paulo está preocupada com a população de 60 anos ou mais que vive sozinha na cidade. Esse é o tema do grupo de pesquisa encarregado do projeto "Pessoas idosas que moram sozinhas: Demandas para as Políticas Públicas”.

O projeto, que reúne instituições de pesquisa e ensino, como a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e o curso de Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (USP), revela fragilidades estruturais no atendimento à população idosa que vive só, um grupo em expansão no Brasil.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 5,6 milhões de pessoas com mais de 60 anos moravam sozinhas no País em 2022, o que representa 28,7% do total de brasileiros em residências unipessoais. Mais da metade dessas pessoas idosas são mulheres (55,5%), de acordo com o instituto.

Para o coordenador-geral do projeto, o professor da Santa Casa, Nivaldo Carneiro Junior, o Brasil já vive uma realidade envelhecida.

Nós somos um País de velhos e velhas. Nós dizemos que estamos vivendo uma transição demográfica, mas ela na verdade já ocorreu".

Para os pesquisadores Nivaldo Carneiro Junior e Patrícia Martins Montanari, as motivações para viver só são heterogêneas, marcadas, de um lado, pelo reforço da autonomia e liberdade e, de outro, pelas contingências da vida – como violência, abandono ou separação. "Morar sozinho em muitos casos reflete processos de vida e trajetórias distintas, assim como são diversas as velhices", afirma a professora da Santa Casa.

Fragilidades da rede de cuidado

Uma fragilidade identificada pelo grupo foi a falta de formação específica dos profissionais que atuam na rede de cuidado à pessoa idosa no centro da capital paulista e nos municípios da Região Metropolitana, Santo André e Jundiaí, onde a pesquisa foi conduzida.

Ao todo, foram entrevistadas 37 pessoas idosas nas três cidades. A partir dessas conversas e investigações, o grupo detectou que as pessoas cadastradas nas equipes de Saúde da Família que moram sozinhas recebem menos visitas de médicos e Agentes Comunitários de Saúde (ACS) do que aquelas que não moram só.

Os pesquisadores também enfatizam que a assistência prestada é frágil, muitas vezes limitada a verificações rápidas de pressão, devido à urgência e ao foco no cumprimento de metas quantitativas impostas pelos contratos de gestão com Organizações Sociais (OS). "A carga de trabalho tem provocado adoecimento entre os profissionais das áreas sociais, porque no dia a dia, as demandas são muito complexas", diz Montanari.

O projeto foi apresentado na Câmara nesta terça-feira. Sem atingir o quórum, devido à ausência dos parlamentares, a sessão foi convertida em reunião de trabalho.

Políticas públicas para pessoas idosas

Certificada como Cidade Amiga do Idoso, entregue no final de outubro pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), São Paulo carece de políticas públicas que abracem pessoas idosas, segundo os professores. São demandas urgentes, segundo o projeto:

  • Integração e diálogo entre as secretarias da cidade que atendem pessoas idosas, como Saúde, Habitação e Assistência Social;
  • Combate à vulnerabilidade extrema, marcada pela falta de moradia, como no caso de pessoas em situação de rua ou idosas que vivem em cortiços;
  • Responsabilidade compartilhada entre Estado e sociedade, com articulação de vizinhos e da comunidade às necessidades da pessoa idosa;
  • Ampliação dos espaços de convivência, como os Centros-Dia;
  • Tecnologias que permitam à pessoa idosa que vive sozinha acionar a emergência após o fechamento dos serviços, a exemplo dos países europeus.

Convidada a acompanhar a reunião, a ativista pela moradia e pelos direitos da pessoa idosa em São Paulo, Olga Quiroga, destacou também a carência na cobertura da alimentação domiciliar no Centro, restrita a 180 pessoas cadastradas. "Nós brigamos há muitos anos por políticas públicas mais eficientes para a cidade, as secretarias precisam trabalhar juntas", defende.

O presidente da Comissão do Idoso da Câmara Municipal de São Paulo, Senival Moura (PT-SP), justificou a ausência dos vereadores pela quantidade de atividades do dia que os membros efetivos da comissão precisaram desempenhar, além de um item da agenda, já que nesta quarta-feira está marcada audiência pública, que trata diretamente das pessoas idosas, explicou. 

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