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SP piora em segurança em 2025, SC melhora e RN sobe 11 posições, aponta CLP

Ricardo Wolffenbuttel/Secom SC

Santa Catarina é o Estado mais bem avaliado em segurança pública - Ricardo Wolffenbuttel/Secom SC
Santa Catarina é o Estado mais bem avaliado em segurança pública
Por Broadcast

06/05/2026 | 11h59

São Paulo - O Estado de São Paulo piorou nos indicadores de segurança pública em 2025, segundo o estudo Ranking de Competitividade dos Estados 2026 - Eleições, do Centro de Liderança Pública (CLP). O levantamento, que compara o desempenho das unidades da Federação entre 2023 e 2025, aponta Santa Catarina como o Estado mais bem avaliado na área. No Nordeste, o destaque é o Rio Grande do Norte, que subiu 11 posições.

A plataforma, lançada nesta quarta-feira, 6, e enviada com exclusividade ao Broadcast Político, reúne uma série de indicadores usados para medir a qualidade da segurança pública nos Estados.

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Fonte: CLP

Entre os critérios analisados, estão atuação do sistema de Justiça Criminal, déficit de vagas no sistema prisional, proporção de presos sem condenação, mortes a esclarecer, qualidade das informações sobre criminalidade, segurança patrimonial, segurança pessoal e violência sexual.

O estudo também considera dados sobre morbidade hospitalar por acidentes de trânsito e mortalidade no trânsito.

São Paulo havia mantido estabilidade nos dois primeiros anos do mandato do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), permanecendo em terceiro lugar no ranking em 2023 e 2024. Em 2025, porém, o Estado caiu para a nona posição.

De acordo com o diretor-presidente da CLP, Tadeu Barros, São Paulo parte de uma posição privilegiada por sua capacidade natural de atrair investimentos em infraestrutura. Ao mesmo tempo, afirmou ele, o Estado convive com um tecido social "extremamente complexo", marcado pelo crescimento acelerado e, em alguns casos, desordenado de seu território urbano. Esses fatores consistem num cenário propício para a proliferação do crime organizado.

“É o desenvolvimento que, por outro lado, traz efeitos colaterais”, afirmou Barros. Segundo ele, embora São Paulo seja o principal motor econômico do País, o Estado também sintetiza desigualdades brasileiras e concentra desafios de segurança pública que exigem atenção especial. “Ano passado deu uma pioradinha, digamos assim”, disse.

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Estados que melhor desempenharam na segurança pública


Goiás aparece como o principal destaque do Centro-Oeste no recorte regional de evolução dos indicadores. No Nordeste, o melhor desempenho é do Rio Grande do Norte; no Norte, de Rondônia; no Sudeste, do Rio de Janeiro; e, no Sul, do Rio Grande do Sul.

O Nordeste é a região com maior concentração de Estados em destaque, com Rio Grande do Norte, Sergipe e Piauí bem posicionados no levantamento. No Norte, Rondônia lidera com folga, enquanto Amapá e Tocantins também registram avanços relevantes.

O Sudeste apresenta um desempenho mais moderado: o Rio de Janeiro aparece à frente na região, seguido por Espírito Santo e São Paulo em posição intermediária. Já o Sul mantém patamares elevados nos indicadores, mas mostra menor dinamismo recente em comparação com as regiões que mais avançaram no período.

Além de ordenar os Estados pelo desempenho em segurança pública - recorte em que Santa Catarina, governada por Jorginho Mello (PL), permaneceu na liderança -, o estudo também mede quais unidades da Federação mais avançaram na comparação consigo mesmas. Nesse critério, o Rio Grande do Norte teve o desempenho mais expressivo: saiu da 14ª posição, em 2023, para o 3º lugar em 2025.

O levantamento trabalha com dois recortes distintos. O primeiro mostra a posição atual de cada Estado no ranking, ou seja, como a unidade da Federação se encontra hoje em termos de desempenho. O segundo mede o ritmo de evolução recente, indicando quais Estados mais avançaram nos últimos três anos, ainda que não estejam necessariamente no topo da lista geral.

Um Estado pode estar bem colocado, mas apresentar pouca evolução recente, enquanto outro pode sair de uma posição intermediária ou baixa e registrar crescimento mais acelerado. O ranking não inclui o Distrito Federal.

Governado por Fátima Bezerra (PT), o Rio Grande do Norte lidera esse segundo recorte por reunir avanços intensos e distribuídos em diferentes indicadores.

O levantamento também aponta melhora relevante em Goiás, governado pelo pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD), além de Rondônia e Sergipe, que aparecem entre os principais destaques recentes na área. Goiás se sobressai no Centro-Oeste, enquanto Rondônia combina evolução consistente no Norte. 

Na outra ponta, parte das Regiões Sul e Sudeste apresentou ritmo mais lento de avanço, apesar de manter boas colocações no quadro geral. É o caso de São Paulo e, em menor medida, do Paraná. Segundo o estudo, esse desempenho sugere um cenário de maior estabilidade estrutural nesses Estados, mas com menos dinamismo nas melhorias recentes.

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Minas Gerais, governada pelo pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo), ilustra essa diferença entre posição no ranking e ritmo de avanço. O Estado subiu da 11ª para a 6ª posição e, depois, para o 4º lugar no ranking geral de segurança pública, mas ficou apenas em 21º no recorte que mede o crescimento dos Estados nos últimos três anos.

"Foi manutenção", afirmou Barros. Segundo ele, Minas Gerais é um Estado "extremamente complexo", com 853 municípios e grande diversidade interna. “Não teve crescimento porque já estava bem”, disse.

Outros Estados, como Bahia e Ceará, governados pelos petistas Jerônimo Rodrigues e Elmano de Freitas, respectivamente, também registraram pouca variação no período, mas permaneceram em posições mais baixas no ranking geral. A Bahia ficou em 21º lugar em 2023, avançou para a 15ª posição em 2024 e voltou a cair para o 20º lugar em 2025. Já o Ceará apresentou recuo contínuo: saiu da 13ª posição em 2023 para a 16ª em 2024 e chegou ao 20º lugar em 2025.

O Rio de Janeiro, governado no triênio por Cláudio Castro (PL), também registrou pouca oscilação no período. O Estado saiu da 18ª posição em 2023 para a 19ª em 2024 e avançou para o 17º lugar em 2025.

Sensação de segurança

Na avaliação do CLP, os dados apontam uma melhora geral da segurança pública no País ao longo do triênio analisado. Embora os Estados ainda enfrentem problemas graves na área, a maior parte das unidades da Federação registrou avanço nos indicadores, enquanto aquelas que já ocupavam posições mais altas conseguiram, em geral, preservar o desempenho.

Segundo o diretor-presidente do instituto, Tadeu Barros, a comparação com 2023 mostra uma melhora na média nacional, ainda que persistam desafios relevantes. O diagnóstico ocorre em um momento em que a segurança pública ganha peso no debate eleitoral. 

A cinco meses da eleição presidencial, crime e violência aparecem como a principal preocupação dos brasileiros, à frente de corrupção política e financeira, pobreza e desigualdade social, segundo a edição de abril da pesquisa Ipsos What Worries the World, realizada em 29 países.

No Brasil, 47% dos entrevistados apontam crime e violência como sua maior preocupação. O indicador ficou estável nos últimos meses e reflete a percepção de que a criminalidade está mais espalhada e mais próxima da rotina da população. Para Barros, a melhora nos dados ainda não se traduziu integralmente em sensação de segurança.

“Embora haja uma evolução ao longo do tempo, a sensação de segurança ainda é baixa, porque o País carece de mais políticas públicas e investimentos na área, especialmente no enfrentamento ao crime organizado”, afirmou. “Por isso o tema segue como pauta central, e ainda existe uma percepção de insegurança.”


(Por Geovani Bucci)

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