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População migrante 60+ cresce entre os 2 milhões de refugiados no Brasil

Divulgação/ONU

Mulheres da comunidade de refugiados indígenas Warao, da Venezuela - Divulgação/ONU
Mulheres da comunidade de refugiados indígenas Warao, da Venezuela
Por Alexandre Barreto

06/05/2026 | 13h09

São Paulo - A população migrante com 60 anos ou mais apresentou o maior crescimento proporcional no Brasil entre 2023 e 2024, passando de 61.211 para 74.165 pessoas, alta de 21,2%. Os dados são 12º Relatório Anual do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra).

O avanço ocorre em um cenário em que o País já abriga mais de 2 milhões de imigrantes, refugiados e solicitantes de refúgio.

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Segundo o estudo, , publicado na última quinta-feira, o crescimento da população idosa entre migrantes acompanha a expansão geral dos registros no sistema de assistência social. O total de migrantes cadastrados no CadÚnico subiu de 562.687 em 2023 para 650.683 em 2024.

Entre todas as faixas etárias analisadas, os idosos lideraram o aumento proporcional, seguidos pela faixa de 50 a 59 anos, que cresceu 16,4% no mesmo período.

Ainda assim, o aumento mais acelerado entre os idosos indica uma mudança no perfil demográfico dessa população.

Entre crianças e adolescentes de 0 a 17 anos, o número de registros passou de 159.011 para 188.531, crescimento de 18,6% em um ano.

"Esse resultado evidencia a ampliação de famílias migrantes com crianças no sistema de assistência social e reforça a necessidade de articulação entre políticas de assistência social, educação e proteção à infância", destaca o relatório.

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Predominância feminina chama atenção

Em 2024, as mulheres representavam 55,6% dos migrantes cadastrados. Esse perfil está associado à presença de famílias com filhos, o que amplia a demanda por serviços públicos voltados ao cuidado, à educação e à inclusão social, segundo o relatório.

O Brasil reúne atualmente pouco mais de 2 milhões de imigrantes internacionais de cerca de 200 nacionalidades. Entre os principais grupos estão venezuelanos, haitianos, cubanos e angolanos.

A estimativa indica que cerca de 680 mil venezuelanos viviam no País no início de 2026, com maior presença de mulheres e crianças.

O estudo analisa que a distribuição etária evidencia a coexistência de diferentes perfis entre os migrantes. 

"O crescimento da população migrante mais envelhecida amplia a complexidade das demandas dirigidas ao poder público e reforça a necessidade de respostas intersetoriais no âmbito das políticas públicas", afirma o documento.

Esse cenário exige respostas que considerem tanto a inserção no mercado de trabalho quanto o acesso a serviços de saúde e proteção social.

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O relatório também destaca o crescimento da presença de migrantes no mercado de trabalho formal. Entre 2023 e 2025, o número de vínculos formais aumentou 54%, superando 414,97 mil trabalhadores com carteira assinada.

Ainda assim, parte dessa população enfrenta dificuldades de inserção em ocupações compatíveis com sua formação, o que impacta renda e condições de vida.

Recomendações do estudo

Na área social, o estudo recomenda reduzir o tempo de acesso a benefícios e aprimorar a gestão dos programas públicos. Também sugere ampliar políticas de acolhimento e interiorização, com foco na inclusão produtiva e na redução de desigualdades regionais.

O avanço da população idosa entre migrantes reforça a necessidade de políticas específicas para esse grupo, com foco em acesso à saúde, proteção social e garantia de direitos.

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Além disso, o documento aponta a necessidade de fortalecer a articulação entre União, Estados e municípios para garantir atendimento adequado à população migrante.

“A consolidação da política migratória nacional, especialmente no eixo da integração, depende do fortalecimento do pacto federativo, da governança local, da institucionalização das respostas municipais e da construção de mecanismos que garantam sustentabilidade, equidade territorial e efetividade no acesso a direitos para migrantes e refugiados no Brasil”, pontua o relatório.

A proposta do relatório anual é analisar a evolução dos fluxos migratórios no País e subsidiar a implementação da Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (PNMRA), editada no fim de 2025 e substituiu a Lei de Migração de 2017.

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