CONFIRA

Após pensar em parar a carreira, Elymar Santos celebra 74 anos nos palcos

Com a turnê "Estrela Luminosa", o cantor comemora os 40 anos de seu histórico show no Canecão, que projetou sua carreira nacionalmente

Adriana Del Ré

Por Adriana Del Ré

10/10/2026 | 10h00

Divulgação

O cantor Elymar Santos interpreta seus clássicos em nova turnê, como "Escancarando de Vez" - Divulgação
O cantor Elymar Santos interpreta seus clássicos em nova turnê, como "Escancarando de Vez"
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Elymar Santos, cantor nascido no Morro do Alemão, alcançou notoriedade nacional em 1985 ao alugar o Canecão, onde lotou a casa e transformou sua carreira, um marco na música brasileira que ele celebra agora com a turnê 'Estrela Luminosa'.

Com sucessos como 'Mal de Amor' e 'Escancarando de Vez', Elymar reflete sobre sua trajetória e a importância do show no Canecão, que o lançou ao reconhecimento nacional após anos se apresentando em bares do subúrbio carioca.

Atualmente, Elymar se prepara para shows em comemoração ao seu aniversário e aos 40 anos do Canecão, destacando sua evolução artística e a superação de desafios pessoais, incluindo problemas de saúde mental pós-pandemia.

Resumo gerado por IA

São Paulo - Nos primeiros anos de carreira, Elymar Santos, nascido no Morro do Alemão, era o típico cantor com muito talento, mas sem conseguir oportunidades para além dos bares do subúrbio do Rio de Janeiro. A virada de chave entrou para a história da música brasileira. Em 1985, ainda desconhecido do grande público, Elymar decidiu arriscar: usou as próprias economias para alugar o Canecão, importante casa de shows carioca, para uma noite de show.

Era tudo ou nada. Para sua surpresa, veio o tudo. O cantor lotou a casa, com duas mil pessoas na plateia, ganhou projeção nacional e estampou capas de jornais e revistas. Quatro décadas depois, Elymar celebra aquele marco histórico de sua carreira na turnê "Estrela Luminosa", que, no Rio, passa pela Via Music Hall, neste sábado, 10; e pelo Qualistage, no domingo, 11, dia em que ele completa 74 anos.  

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Em São Paulo, a apresentação será no Tokio Marine Hall, no dia 1º de novembro. Essa celebração se estende até março de 2027, com seu cruzeiro "Elymar Santos em Alto-Mar", a bordo do navio MSC Divina.

Dono de sucessos como “Mal de Amor”, "Taras e Manias", "Dez a Dez" e "Escancarando de Vez", que ele considera seu carro-chefe, o cantor revisita essa longa trajetória, marcada por sua veia popular, romântica, versátil e com uma dose de dramaticidade. Ao VIVA, Elymar Santos relembra o histórico show no Canecão, em 1985, e fala de sucesso, de maturidade e por que pensou em parar a carreira.

Popular é cantar para todo tipo de público, para todas as pessoas em todos os lugares."
Elymar Santos, cantor e ator

VIVA Entrevista

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Como é comemorar 74 anos em cima do palco?

Já é uma tradição, porque faço aniversário sempre na véspera de feriado, 11 de outubro, um dia antes do Dia da Padroeira do Brasil (Nossa Senhora Aparecida). Sempre estou com show em algum lugar. Sempre, todo aniversário é no palco. Então, não é uma novidade para mim isso. Mas, este ano, estou comemorando em dose dupla, porque faço show no dia 10, no Via Music, e dia 11, no Qualistage. Vão ser dois dias de muita festa e com um show bem especial preparado não só para comemorar o aniversário, mas para celebrar o tempo daquela história do aluguel do Canecão, que é uma história única na música popular brasileira. 

Há 40 anos você ganhou projeção nacional com o sucesso no Canecão, mas sua história com a música começou antes, não?

Cantei na noite durante muito tempo, mas digo sempre às pessoas que, na noite, eu estava fazendo cursinho. Conto a carreira a partir do aluguel do Canecão, que é nesse momento que o Brasil toma conhecimento que eu existo. Até então eu era conhecido naqueles bares onde eu cantava, no subúrbio. Mas é a partir do momento do Canecão quando eu me torno artista nacionalmente conhecido. Por isso que eu conto a partir desse momento do Canecão.

O que você acha que veio com a maturidade?

Nesse espetáculo, vou cantar algumas músicas inéditas e três delas foram feitas pelo maravilhoso José Augusto. E uma delas fala exatamente no homem maduro, que é o que me tornei, um homem maduro, consciente, responsável. O tempo dá isso para a gente: o aprendizado.

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Tem gente que passa pela vida e não aprende nada, mas tem gente que sabe aproveitar o tempo."

Acho que aproveito bastante, estou sempre criando situações. A minha vida é cheia de novidades. Mas não me trouxe nada de diferente no sentido da pessoa que eu sou, porque sempre fui essa pessoa. Mesmo quando eu morava no Morro do Alemão, onde eu nasci, sempre fui uma pessoa generosa, sempre gostei de ajudar as outras pessoas. Sou presidente de honra da Retiro dos Artistas, tenho trabalho social em várias cidades. Isso não muda em mim.

Como o show no Canecão, em 1985, impactou sua vida e carreira?

Elymar Santos está em cima do palco, com os braços abertos, cantando
O cantor diz que quase pensou em parar a carreira - Divulgação/Mariza Lima

É igual quem descobriu o Brasil? Pedro Álvares Cabral, em 1500. Quem alugou o Canecão? Elymar Santos, em 1985 (risos). Eu era cantor da noite, não era um sonho meu cantar naquele palco. Sei que é coisa da mão de Deus que te encaminha. Aluguei a casa por uma noite. No final dessa noite, a casa estava enlouquecida comigo e os donos subiram no palco para me chamar para uma temporada. Aquilo foi uma loucura na minha vida e aqueles dias para mim foram dias de Cinderela, porque mal saíam duas linhas de jornal de bairro falando mal de mim e, de repente, virei da noite para o dia página inteira dos principais jornais.

Eu não tinha consciência daquilo. Para mim, eu ia cantar naquela noite e depois ia voltar para o bar da esquina onde eu cantava, cobrando um pouquinho mais, com narizinho mais em pé e tirando uma onda, mas não. No dia seguinte, não pude mais voltar para os bares. Foi um processo complicado para mim, mas fui a todos os lugares onde eu cantava, fiz show, me despedi, agradeci por tudo, porque toda aquela gente foi que superlotou o Canecão.

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Era uma emoção de estar mudando a minha vida e uma tristeza de estar deixando os meus lugares. Mesmo assim, nunca deixei esses lugares. Sempre voltei a eles, estou sempre junto com meu povo. Sou muito fiel às minhas raízes."

Considera “Escancarando de Vez” sua música de maior sucesso?

O meu primeiro grande sucesso nacional foi a música “Mal de Amor”, do Paulo Sérgio Valle (com Chico Roque). Foi a primeira vez que o Brasil cantou uma música minha. Até que chegou uma canção para o meu produtor na época, o Renato Corrêa, dos Golden Boys, e ele me mostrou. Era gravadorzinho com fita cassete. Ele dava play e eu, stop. Falei: "Não vou gravar isso, não é para mim, não é minha praia". Até que uma hora que falei: "Vou gravar". E gravei.

A música ficou nove meses em primeiro lugar nas paradas de sucesso. Eu com essa música e o Zé Augusto com “Aguenta Coração”. Ela se chama “Taras e Manias”. Foi uma loucura. Depois, muita gente começou a me mandar música nessa praia. E eu não estava querendo isso. Eu disse: "Gente, isso é para o Wando, não é para mim”. Aí começaram a fazer guerrinha do meu trabalho com o do Wando. Aí Paulo Sérgio Valle, que me deu o meu primeiro sucesso nacional, me dá um canhão que é “Escancarando de Vez”, que não ficou tanto tempo nas paradas de sucesso na época como ficou “Taras e Manias”, mas me marcou muito. Hoje posso estar no Brasil, fora do Brasil, qualquer bairro, qualquer cidade, alguém passa por mim ou para no sinal, encosta no meu carro e aí canta: "Eu e você".

O estilo pop-romântico e dramático que você canta exige entrega vocal e física. Quais são os seus cuidados diários para manter o fôlego e a voz?

Sou um cara que uso muito o palco, preencho o palco em todos os sentidos. Mas não faço nenhuma preparação. Descanso bem, durmo bem. Acho que é o fato de fazer aquilo que tenho prazer em fazer, porque nada me dá mais prazer do que cantar. Sou um dos artistas que ficam mais tempo no palco. Mas fiquei três anos parado. Tive muitos problemas pós-pandemia.

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Tive depressão, síndrome do pânico, tudo que possa imaginar. Eu não conseguia ir para o palco mais, ficava trancado na minha casa, no meu quarto. Foi um momento muito difícil na minha vida, pensei em parar."

Tanto que a gente está comemorando agora os 40 anos do Canecão, mas era para ser comemorado ano passado. Estou comemorando agora, porque estou 99% bem, graças a Deus. Mas essa coisa do dramático é porque sou muito ator. Quer dizer, sou ator sem saber que era ator. Fui descobrir isso quando recebi um convite para fazer, em São Paulo, a ópera-rock “Evita” (1986-1987), como Che Guevara.

Depois de “Evita”, fiquei ainda mais ator em cena, porque crio personagens com minhas canções. Quando canto “Encarando de Vez”, viro um Calígula. Quando canto um tango, viro um Gardel. Canto músicas religiosas, sou procurado pelos padres, faço muito show em igreja. Isso é ser popular. Popular é cantar para todo tipo de público, para todas as pessoas em todos os lugares.

Serviço

  • "Estrela Luminosa" - Show no aniversário
  • Dia 10 de outubro, sábado, às 19h30
  • Local: Via Music Hall
  • Endereço: Rod. Pres. Dutra, 4200 - Parque Barreto, São João de Meriti - RJ
  • Ingressos: A partir de R$ 50
  • Venda: site da Via Music Hall ou na bilheteria oficial
  • Dia 11 de outubro, domingo, às 21h30
  • Local: Qualistage 
  • Endereço: Av. Ayrton Senna, 3.000 - Via Parque Shopping - RJ
  • Ingressos: A partir de R$ 70
  • Venda: site da Qualistage ou na bilheteria oficial

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