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Sobre a coluna

Jornalista e escritor especializado em televisão. Passou por Jovem Pan, TV Gazeta, TV Globo e Band, além de integrar o júri do Troféu Imprensa, no SBT. Comanda o Canal do Vannucci no YouTube


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Estamos cada vez mais exigentes com o que a TV nos oferece

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A pesquisa “Cultura no Espelho”, encomendada pela Globo, aponta como diferentes gerações consomem conteúdo - Envato
A pesquisa “Cultura no Espelho”, encomendada pela Globo, aponta como diferentes gerações consomem conteúdo

São Paulo - Preocupada em entender as mudanças de comportamento de seu público e, desta forma, produzir conteúdo mais direcionado, a TV Globo realiza de tempo em tempo estudos sobre a relação das pessoas com a mídia. Os dados que surgem nessas avaliações definem as apostas em temas para a teledramaturgia e linha de entretenimento e até como devem ser os figurinos dos apresentadores de telejornais. Os resultados se desdobram nas mais diferentes frentes de atuação do grupo.

No mês passado, durante a Rio2C, evento que reúne o audiovisual brasileiro, a Globo divulgou os resultados do “Cultura no Espelho: como brasileiros enxergam e vivem a cultura brasileira”, estudo mais recente encomendado pela empresa. Os dados são extremamente interessantes porque apontam as diferenças dos valores culturais de várias gerações e, principalmente, como consomem o conteúdo produzido pela mídia.

A pesquisa ouviu 10 mil brasileiros divididos entre Geração Bossa Nova (nascidos entre 1945 e 1964), Geração Ordem e Progresso (1965 a 1984), Geração Redemocratização (1985 a 1999) e Geração .Com (2000 a 2009). Esses quatro perfis foram definidos a partir de marcos de nosso país e representam as mudanças de estilo e na sociedade. E como cultura estão desde manifestações folclóricas, passando por música, literatura, teatro, cinema, TV e até internet.

Resultados surpreendentes

A música é apontada como a principal identidade cultural do Brasil. Para os entrevistados, independente da geração, o ritmo preferido é o sertanejo (26%), seguida pela música religiosa ou gospel (16%) e o forró, piseiro e arrocha (10%). Não por menos, ao assistir aos programas de auditório e musicais, as principais atrações são duplas e artistas do sertanejo. Além disso, o gospel ganha cada vez mais espaço nesses programas.

E aqui vale a pergunta: a música religiosa está mais presente porque os diretores apostam artisticamente nesse estilo ou só para atender ao mercado?

Essa discussão deve ser ampliada. A televisão precisa realmente atender completamente os resultados de uma pesquisa? Afinal, o papel de qualquer veículo de comunicação é apontar para a pluralidade, dar espaço a todos e, principalmente, apresentar o novo para seu público. Ficar engessado aos resultados nos leva à mesmice e, desta forma, a saturar o que – à princípio – o telespectador deseja.

Orgulho de ser brasileiro

O estudo “Cultura no Espelho: como brasileiros enxergam e vivem a cultura brasileira” constatou que os cantores aparecem como a maior referência para boa parte dos brasileiros. Os intérpretes musicais alcançam 37% desse “orgulho”, seguido pelos atores/atrizes com 19%. Os apresentadores que ganham milhões são orgulho apenas para 8% dos entrevistados. E aqui uma boa notícia: os influencers aparecem com apenas 1% das respostas, até mesmo nas gerações mais novas.

Silvio Santos lidera a lista dos artistas que geram mais orgulho, seguido por Roberto Carlos. No esporte, são citados Ayrton Senna (22%), Pelé (21%) e Neymar (5%).

Segundo esse levantamento, a vivência da cultura religiosa é predominante no brasileiro. Ela aparece em primeiro lugar, seguida pelo consumo de cultura de mídia. E aqui chegamos ao que nos interessa nesse espaço.

Sim, as pessoas ainda valorizam os veículos de comunicação e gostam de consumir dramaturgia, entretenimento, humor, esportes e jornalismo na TV, rádio e internet.  Entretanto, na há como negar uma preferência geracional."

A turma da Bossa Nova (1945 a 1964) é a que mais assiste à televisão aberta. E no lado oposto a .COM a que mais se informa e entretém através dos meios digitais.

E aqui surge o grande desafio que a Globo e suas concorrentes enfrentam atualmente. Os programas precisam atender ao público mais velho que mantém a tradição de assistir à televisão e que exige mais qualidade em conteúdo e artística.

Além disso, uma narrativa mais aprofundada e com o tempo para absorção. Entretando, urgentemente, precisa conquistar os jovens com os mesmos programas. Mas, esse público exige outra velocidade e profundidade nos temas. Uma equação de difícil solução e que, se não resolvida, afetará a relevância da TV nos próximos anos.

“Cultura no Espelho: como brasileiros enxergam e vivem a cultura brasileira” constatou que para 40% da população a televisão é procurada para se informar e ter acesso a notícias. 16% para passar o tempo e 12% para se divertir com as novelas. Ou seja, para sobreviver às próximas gerações, a TV terá que contar com jornalismo ao vivo, entretenimento e dramaturgia de alta qualidade, afinal, esse estudo deixa bem claro que nós estamos cada vez mais exigentes com o conteúdo que nos é oferecido.

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