Zema chega à convenção sem vice e com candidatura pouco competitiva
Reprodução / Instagram @RomeuZema2026presidente
São Paulo - O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) será anunciado nesta segunda-feira, 27, como candidato à Presidência, mas em um cenário ainda pouco animador para a campanha.
A dois meses e meio da eleição, o mineiro segue sem vice definido, não conta com apoio de grandes partidos e permanece distante dos líderes nas intenções de votos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Leia também
O evento será realizado às 11h30 em Brasília, em um centro comercial a cerca de 3,5 km da Praça dos Três Poderes. No auditório, com capacidade para 120 lugares, além de Zema, também estará presente o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, que conduzirá a convenção em formato híbrido, com os demais dirigentes da legenda participando remotamente.
Novo ainda busca vice e apoios
As convenções partidárias servem para a escolha dos candidatos - em lista que será posteriormente registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O evento também pode servir para indicar o vice de uma chapa.
Na prática, porém, os partidos podem homologar apenas o candidato titular e delegar a decisão para a Executiva Nacional. A escolha deve ser oficializada até 15 de agosto, prazo para registro das candidaturas.
Em entrevista à Rádio Guaíba, de Porto Alegre, na última sexta-feira, 24, Zema admitiu que seu companheiro de chapa não será anunciado no evento:
O meu nome será formalizado no próximo dia 27, mas o vice vai ser definido mais adiante. Nós temos até a data limite [para a realização das convenções], 5 de agosto, temos vários partidos com os quais eu e o presidente Eduardo Ribeiro temos conversado, que não têm candidato à Presidência da República, e que nós estamos avaliando."
Uma das possibilidades aventadas é uma aliança com o Podemos, que tem entre seus filiados o empresário mineiro Geraldo Rufino, citado nominalmente pelo ex-governador como um nome cotado para a vaga de vice. A sigla, no entanto, tende à neutralidade na disputa ao Planalto, o que forçaria uma chapa "puro-sangue" no Novo.
Conflitos com o bolsonarismo
Romeu Zema reiterou durante a pré-campanha que manteria sua candidatura à Presidência até o fim e descartou a possibilidade de ser vice de Flávio Bolsonaro, embora seu nome estivesse entre os considerados pela pré-campanha do senador para compor a chapa do PL.
Em maio, após a divulgação de um áudio no qual Flávio Bolsonaro cobrava do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, parcelas relacionadas ao financiamento do filme "Dark Horse", o ex-governador classificou o episódio como "imperdoável" e "um tapa na cara".
As declarações provocaram respostas públicas de Flávio e de integrantes da família Bolsonaro. As críticas também foram contestadas pelos diretórios do Novo no Paraná e em Santa Catarina, onde o partido tem alianças regionais com candidatos do PL, que classificaram a manifestação de Zema como precipitada.
Em junho, a direção catarinense retirou o convite para que ele participasse de um evento da legenda e afirmou que poderia se posicionar contra sua indicação como candidato à Presidência.
Candidatura não decola
Zema também chega à convenção do Novo distante da liderança nas intenções de voto. Na pesquisa Indexa divulgada em 21 de julho pelo Broadcast Político, o ex-governador aparece com 3%, empatado numericamente com o ativista Renan Santos (Missão) e atrás de Lula, com 41%, Flávio Bolsonaro, com 30%, e do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), com 6%. Em uma eventual disputa de segundo turno contra Lula, Zema registra 32% das intenções de voto, ante 46% do presidente. A diferença entre os dois é de 14 pontos porcentuais.
Quando questionado sobre o cenário, Zema costuma repetir que não se preocupa, já que, quando foi eleito pela primeira vez ao governo de Minas Gerais, em 2018, se tornou competitivo apenas na semana anterior ao primeiro turno.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.