Anvisa alerta para venda ilegal de retatrutida, medicamento ainda em testes
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São Paulo - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta para a venda da retatrutida, medicamento ainda em testes para o tratamento de diabetes e obesidade. "Como os testes ainda não foram concluídos, o produto ainda NÃO está disponível para venda em nenhum lugar do mundo", reforça o comunicado da agência.
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O medicamento ainda está em fase 3 de testes pela farmacêutica Eli Lilly, que por sua vez, ainda não solicitou o registro oficial do remédio à Anvisa ou qualquer outra agência reguladora internacional. Porém, mesmo diante desse contexto, o produto tem sido oferecido na internet e sendo apreendido nas fronteiras brasileiras, de acordo com a agência.
O VIVA já havia mostrado que o interesse nas pesquisas no Google sobre retatrutida havia crescido 2.700% entre abril de 2026 e 2025, fator que impulsiona também a comercialização ilegal do medicamento.
Na última semana, a Polícia Federal apreendeu 38 frascos de medicamentos para emagrecimento durante ações de fiscalizações no Aeroporto do Galeão. Desse grupo, foram apreendidos 18 frascos contendo retatrutida e outras substâncias na bagagem de uma passageira. Os investigados e os medicamentos foram encaminhados à Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro, para a adoção das medidas cabíveis.
O que é retatrutida?
A retatrutida é um agonista triplo de receptores hormonais (GLP-1, GIP e glucagon), administrado uma vez por semana, ainda em fase de investigação. A intenção com a ação tripla da retratutida é ampliar a perda de peso, assim como os efeitos no metabolismo do paciente.
Apesar de ser do mesmo grupo de remédios como Ozempic ou Mounjaro, a molécula age de forma diferente: atuando em três receptores ao mesmo tempo, ao contrário da semaglutida, por exemplo, que age sobre o hormônio GLP-1.
Quem pode usar retatrutida?
Hoje, o uso da molécula é autorizado apenas para participantes dos ensaios clínicos da Lilly que está avaliando a segurança e eficácia do medicamento. Além desse, grupo, ninguém deve tomar qualquer produto que alegue ser retatrutida.
Para que o medicamento seja disponibilizado para pacientes aptos, ele precisa passar por diversos processos que vão desde os estudos pré-clínicos e clínicos que são etapas extensas e elencam, por exemplo, as doses adequadas, efeitos adversos, interação medicamentosa, público-alvo, entre outros detalhes, até a solicitação de aprovação para a Anvisa.
Quais os riscos de medicamentos sem registro?
A Anvisa reforça que a ausência de registro regulatório transforma o uso de medicamentos em uma aposta de alto risco para a saúde pública. Isso porque, quando um produto chega ao mercado sem passar pela validação científica que comprova sua eficácia e segurança, o consumidor fica completamente desprotegido.
A incerteza começa na própria composição do produto: sem bula e sem fiscalização, torna-se impossível confirmar qual substância está presente, qual a dosagem adequada para cada paciente ou mesmo as regras de armazenamento e o prazo de validade após a abertura.
A utilização de tratamentos sem registro ou ainda em fase de testes traz ameaças graves, já que não há garantias de que os benefícios superem os danos em potencial.
Principais riscos à saúde:
- Efeitos adversos imprevisíveis: aceleração de reações colaterais graves ou ainda desconhecidas pela ciência;
- Falta de eficácia: inexistência de provas de que o remédio realmente funcione contra a doença proposta;
- Falhas de fabricação e contaminação: sem a fiscalização dos órgãos reguladores, o produto fica sujeito a impurezas, variações entre lotes e problemas no transporte e conservação;
- Adulterações e dosagem incorreta: o consumidor corre o risco de ingerir um produto sem o princípio ativo anunciado, com doses incorretas ou até mesmo com substâncias adulteradas.
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