Livraria Cultura fecha últimas lojas após falência e dívida de R$ 288 milhões
Tania Rego/Agência Brasil
São Paulo, 25/02/2026 - Um dos nomes mais tradicionais do mercado livreiro paulista, a Livraria Cultura encerrou definitivamente as atividades neste ano, colocando fim a uma trajetória de quase oito décadas no setor. A Broadcast apurou que o encerramento ocorre após a confirmação da falência pela 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, notificada à empresa neste mês. A dívida total atualizada da companhia é de R$ 288,3 milhões.
A rede chegou a operar 16 lojas em diferentes capitais, com presença em cidades como Rio de Janeiro, Brasília, Recife e Porto Alegre. Nos últimos anos, tentava manter operações em formato reduzido, com unidades em Higienópolis, Pinheiros e Vila Leopoldina, na capital paulista. Todas foram desativadas entre o fim de 2025 e o início de 2026. A plataforma de comércio eletrônico da empresa também saiu do ar.
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Tentativas de sobrevivência
A crise financeira se arrastava desde 2018, quando o grupo protocolou pedido de recuperação judicial. Desde então, houve sucessivos questionamentos de credores e pedidos de conversão do processo em falência. No fim de 2025, a administradora judicial Laspro Consultores comunicou ao juízo que constatou o encerramento das atividades sem aviso prévio, após diligências realizadas em endereços na Rua Fernão Dias, em Pinheiros, e na Avenida Angélica, em Higienópolis.
A empresa sustentou na ocasião que enfrentava dificuldades operacionais agravadas por decisões judiciais anteriores que chegaram a decretar a falência, posteriormente suspensa por decisão liminar de instância superior, e que não conseguiu retomar integralmente as operações após a lacração das lojas. De acordo com fontes ligadas ao processo, ainda há recurso pendente, mas as atividades permanecem interrompidas há cerca de um mês.
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Crise financeira
O elevado endividamento é apontado como fator central para o desfecho. Pessoas próximas à companhia estimam cerca de R$ 70 milhões em dívidas extraconcursais, contraídas após o pedido de recuperação judicial. Desse total, aproximadamente R$ 30 milhões estariam relacionados a débitos de aluguel, apurou a Broadcast.
A deterioração financeira, segundo relatos de pessoas que acompanharam a trajetória da empresa, antecede a saída do Conjunto Nacional. Desde então, a varejista promoveu sucessivos fechamentos de unidades e tentou reformular seu modelo de negócios, mas não conseguiu reequilibrar as contas.
Procurado, o diretor-presidente da Cultura, Sérgio Herz, da família fundadora, não se manifestou até o fechamento desta reportagem.
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História
A trajetória da Cultura começou em 1947, como livraria familiar em São Paulo e, ao longo das décadas, consolidou-se como uma das principais redes do País. A partir dos anos 2010, porém, passou a enfrentar queda de receitas e aumento de custos, em meio à retração do mercado editorial, à digitalização do consumo e à concorrência crescente do comércio eletrônico.
Mesmo diante desse cenário, a empresa manteve um plano de expansão e, em 2017, adquiriu a operação brasileira da Fnac. No comércio digital, também foi proprietária da Estante Virtual, posteriormente vendida ao Magazine Luiza em 2020. A combinação de expansão, retração do setor e dificuldades de capitalização pressionou o caixa da empresa.
Em outubro de 2018, a companhia ingressou com pedido de recuperação judicial, declarando dívidas próximas de R$ 285 milhões à época. Durante o processo, apresentou aditivos ao plano aprovado pelos credores, mas enfrentou dificuldades no cumprimento das obrigações, além de impactos adicionais decorrentes da pandemia de Covid-19, que afetou as vendas em lojas físicas.
Em fevereiro de 2023, a Justiça paulista decretou a falência após apontar descumprimento do plano e outras irregularidades. A decisão foi alvo de recursos e chegou a ser suspensa temporariamente por liminar. Ainda assim, a sequência de decisões judiciais, restrições operacionais e agravamento financeiro culminou no encerramento definitivo das atividades físicas e digitais da rede.
(Por Wilian Miron e Mariana Ribas)
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