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Reginaldo Faria fala de novo filme e 'novo começo' aos 88 anos

Divulgação

Reginaldo Faria e filhos estão no filme "Perto do Sol É Mais Claro" - Divulgação
Reginaldo Faria e filhos estão no filme "Perto do Sol É Mais Claro"
Por Adriana Del Ré

07/05/2026 | 08h27

São Paulo - As primeiras cenas do filme “Perto do Sol É Mais Claro”, com Reginaldo Faria, que estreia nos cinemas no dia 14 de maio, mostram a rotina comum de um viúvo. Esse momento inicial é feito de silêncios – um barulho ensurdecedor de quem vive a solitude após um luto recente.

A passagem do tempo é marcada por ações do dia a dia do personagem, como preparar o café ou pegar um livro na estante. Mas, mesmo enfrentando uma fase dolorosa, o protagonista Rêgi subverte a ideia de que está na hora de se aposentar, se recolher, se aquietar.

Ele trabalha como engenheiro de obras, mantém rotina de atividades físicas, dirige seu carro. Enfim, é independente – pelo menos, nos assuntos que não dizem respeito à tecnologia, como ligar um notebook.

Envelhecer não é um impeditivo, mesmo enfrentando a resistência de seus filhos, vividos por Marcelo Faria e Candé Faria (filhos de Reginaldo na vida real), que têm uma visão mais conservadora sobre o que pessoas idosas podem ou não fazer.

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Reginaldo Faria está com espuma de barbear em uma foto P&B
Reginaldo Faria é protagonista do filme "Perto do Sol É Mais Claro" - Divulgação

Rêgi, 85 anos, se sente uma pessoa invisível na sociedade. Verbaliza isso. Mesmo assim (ou apesar disso), se dá ao direito de recomeçar. Coloca em prática o antigo desejo de ser escritor, usando uma máquina de escrever, que, para ele, não vai deixa-lo na mão como um computador sem bateria.

Além disso, ele dá uma segunda chance para o amor, ao reencontrar a filha de um amigo, 30 anos mais nova que ele, e engatar um relacionamento.

No lugar de "recomeço", Reginaldo Faria, que tem 88 anos, prefere termos como “novo ciclo” ou “nova história”, conta em entrevista ao VIVA. É a observação de quem, em mais de 70 anos de carreira, talvez dê agora vida ao personagem que mais esteja próximo da sua realidade.

Ao compor determinados personagens, a gente tem diversos elementos para se estudar, para chegar a ele. Nesse caso, eu já estava nele, não precisei estudar. Só precisei emprestar o meu sentimento, a minha emoção”.

Há vários pontos em comum entre Reginaldo, ator, e Rêgi, personagem. E um dos que mais mexem com os dois é justamente a invisibilidade.

Segundo o ator, o fato de estar na TV e no cinema, ser reconhecido nas ruas, sempre o salvou dessa invisibilidade. "Mas, em determinados momentos, percebo que as pessoas me ignoram, eu não existo. Esse não existir a gente incorporou no personagem, porque já era uma experiência de vida.”

Ação entre família

“Perto do Sol É Mais Claro” é um filme autoral, feito em família. Além de Reginaldo, Marcelo e Candé, o longa-metragem é dirigido e roteirizado por Regis Faria, filho mais velho de Reginaldo. Regis, que só havia trabalhado com o pai no início da carreira, queria voltar a fazer um projeto com o ator.

Eu queria ter essa experiência de poder ter um ator desse tamanho à minha disposição e poder ter a nossa intimidade a serviço de um produto artístico”, diz o filho.

Esse cenário começou a se desenhar durante a pandemia, em 2022, quando Reginaldo foi morar com Regis por um período. O diretor pegou sua câmera e passou a filmar o pai em uma obra que ele estava fazendo em sua casa. São imagens que aparecem nas primeiras cenas do filme.

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Todas as cenas da obra foram feitas sem roteiro, mas, depois, Regis se viu obrigado a escrever o script a partir delas. "Essa questão da invisibilidade social das pessoas mais velhas era uma coisa que vinha me chamando a atenção", conta o diretor.

Segundo ele, seus pais são pessoas muito ativas, por isso, não são exatamente exemplos mais comuns, "daquelas pessoas que se aposentam e ficam perdidas, porque deixam de ser produtivas e começam a ficar escanteadas na sociedade”, compara ele.

Diretor e Reginaldo Faria estão verificando a cena filmada em um notebook
Making of do filme 'Perto Do Sol É Mais Claro', dirigido e roteirizado por Regis Faria - Divulgação

O ator veterano valoriza sua independência, monitorada com respeito pelos filhos, mas passou a encarar a vida de outra forma depois de sofrer uma parada cardíaca, que atribui a um erro médico, e o deixou 40 dias internado, em 2004.

Depois que me curei, a sensação que eu tinha era de que, a cada segundo, eu poderia morrer. Passei a viver de uma forma quase obsessiva, de não perder tempo. Porque tudo era um ciclo atrás do outro, e os ciclos não se distanciavam.”

A escolha de fazer um filme em preto e branco está relacionada diretamente ao personagem Rêgi: não só por ele ser analógico, mas também à forma como a sociedade o vê – velho, antigo, descartável.

Em contrapartida, os nomes dos personagens serem os mesmos dos atores na vida real dão uma sensação de familiaridade, acolhimento.

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Vannessa Gerbelli faz par romântico

Com o avançar do projeto, Regis convidou também a amiga Vannessa Gerbelli, que interpreta Vannessa, o novo amor de Rêgi, que iniciamuma relação sem estereótipos nem interesses ocultos. O casal representa o encontro entre duas pessoas com diferença de idade, mas que se apaixonam genuinamente uma pela outra.

A personagem Vannessa, uma mulher na faixa dos 50 anos, também está em um processo de recomeço, como conta a atriz:

"Ela é uma atriz de teatro, não consegue se sustentar e aí se vê obrigada a mexer em redes sociais, a virar uma produtora de conteúdo para ser reconhecida, para poder ser contratada. Ela está em crise. E isso tem muito a ver comigo também, com todas as atrizes da minha geração. Todas temos essa questão”.

Mãe de um rapaz de 19 anos, Vannessa Gerbelli faz parte da chamada “geração sanduíche”, que cuida dos filhos e dos pais – e que é retratada no filme, nas figuras dos personagens Marcelo e Candé. Mas, diferentemente desses dois personagens, a atriz tem um cuidado contínuo e atento à rotina da mãe, que foi morar com ela.

Marcelo Faria, outro integrante dessa geração sanduíche na vida real, também não se identifica com seu papel no ficção.

Eu e meus irmãos incentivamos o nosso pai a continuar a trabalhar, a fazer projetos, a escrever, a compor". 

Ele considera que o personagem é o inverso disso: tem uma superproteção até mesmo conservadorista, porque quer que o pai pare, tem medo de perdê-lo. "Mas ele não observa que, se o pai para, ele também está morrendo. Se ele deixa de se relacionar com pessoas, com o trabalho, isso para ele também é ruim”, continua o ator.

Marcelo, Candé e Regis não querem que o pai pare. Nem o próprio Reginaldo.

Veja o trailer:

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