Roberto Bomtempo lança documentário e diz: 'não há idade para buscar sonhos'
O ator e diretor, que vive em Portugal, está no Brasil para promover filme sobre a Cia. Dos à Deux', que será exibido na Mostra de SP nesta quarta, 21
Por Adriana Del Ré
21/10/2026 | 09h33 ● Atualizado | 09h34Acervo pessoal
Roberto Bomtempo, ator e diretor, lança o documentário 'O Gesto Entre Nós - A História da Cia. Dos à Deux', que retrata a trajetória da companhia de teatro gestual criada em 1998 por André Curti e Artur Luanda Ribeiro, após estrear no Festival do Rio e ser exibido na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.
A Cia. Dos à Deux, reconhecida mundialmente, é formada apenas pelos dois fundadores e se destaca pela precisão dos movimentos e gestos, refletindo a resiliência e dedicação de seus integrantes ao longo dos anos.
Atualmente residindo em Portugal, Bomtempo e sua família planejam retornar ao Brasil em 2028, enquanto ele promove seu novo documentário e defende a ideia de que não há idade para realizar sonhos e projetos, como evidenciado em sua própria trajetória e na de sua mãe, que se tornou atriz aos 60 anos.
São Paulo – Em 2006, Roberto Bomtempo, ator que ficou conhecido do grande público em novelas como “Kananga do Japão” e “Senhora do Destino”, estreava na direção com o longa-metragem “Depois Daquele Baile”, com Irene Ravache, Lima Duarte e Marcos Caruso.
Vinte anos depois, e com 63 anos, ele lança o documentário “O Gesto Entre Nós - A História da Cia. Dos à Deux”. Após estrear no Festival do Rio, o filme será exibido nesta quarta-feira, 21, às 16h, dentro da programação da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.
A nova produção que Bomtempo dirige refaz a trajetória da renomada Cia. Dos à Deux, criada pelo brasileiro André Curti e pelo angolano Artur Luanda Ribeiro em 1998, em Paris. A companhia de teatro, formada apenas por seus dois integrantes-fundadores, se tornou uma das principais referências mundiais em teatro gestual e visual.
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Sob a chancela da Cia. Dos à Deux, os espetáculos dispensam palavras e se caracterizam pelo rigor do movimento e pelos gestos meticulosamente calculados.
O diretor conheceu André e Artur há nove anos, após sua mulher, a também atriz Miriam Freeland, participar de uma oficina ministrada por eles. Interessado na técnica desenvolvida pela dupla, Bomtempo ingressou em outra oficina da companhia e se aproximou daqueles dois artistas completos, que além de atuar escreviam roteiro, dirigiam, cuidavam da iluminação, do cenário,
Bomtempo ficou com vontade de contar aquela história. “A excelência nesse trabalho gestual, muito pouca gente alcançou no Brasil até hoje”, descreve. "Talvez a principal característica da companhia seja uma resiliência muito grande, uma compreensão de que o resultado que eles alcançam vem de muito trabalho."
Um novo sonho a qualquer idade
Para Bomtempo, não existe idade para realizar planos e sonhos. "Há pessoas que, aos 80 anos, se apaixonam, começam um novo namoro, um novo casamento, se formam na faculdade", diz. "Não há idade para buscar sonhos".
Ele cita o caso da própria mãe, Regina Sampaio, que está com 88 anos e virou atriz aos 60. Há dois anos também morando em Portugal, ela trabalha, dirige seu carro e mora sozinha, mas planeja voltar ao Brasil e colocar em prática algum projeto na Bahia.
Há 20 anos, o filme "Depois Daquele Baile”, que marcou a estreia do ator na direção, já tratava sobre isso. Baseado na peça teatral de Rogério Falabella, o longa-metragem gira em torno de três personagens 70+, interpretados por Marcos Caruso, Irene Ravache e Lima Duarte. A história usa a triangulação amorosa para mostrar que existe vida ativa e pulsante na maturidade.
"Depois Daquele Baile” foi reexibido na Mostra da Diversidade 60+, em julho, em São Paulo, e, também no último dia 13, em Belo Horizonte, durante homenagem aos 90 anos do dramaturgo Rogério Falabella, com participação de Bomtempo no bate-papo com o público.
"O público maduro é gigantesco no mundo todo e ele quer se ver na tela grande do cinema, na tela pequena das TVs, dos streamings. Então, acho que o filme tem na sua temática um pouco isso." São três personagens já acima de 70 anos, com vontade de viver, ideias, desejos "e muito amor para dar", conta ele.
Acho que as pessoas devem buscar a sua felicidade. A vida termina. Eu adoraria que a vida não terminasse, porque adoro viver. Então, acho que a gente tem que buscar nossos sonhos, nunca acreditar nesse papo que 'você não tem mais idade para isso'.
Mudança para Portugal na fase madura
Roberto Bomtempo está no Brasil para promover o documentário “O Gesto Entre Nós - A História da Cia. Dos à Deux”. Isso porque, há seis anos, ele, Miriam, de 48, e os filhos Miguel – fruto do relacionamento dos dois – e Maria Helena – filha do casamento anterior da atriz – se mudaram para Oeiras, em Portugal.
O casal já havia morado em Londres, na Inglaterra, em 2013, por oito meses. Voltaram ao Brasil, ele estava contratado da TV Record, em que ficou por quase 14 anos na emissora e Miriam, por 8 anos. Em 2020, a família se mudou para Portugal. O plano inicial era viver e trabalhar por lá durante dois anos, mas acabaram esticando a estadia.
Também produtores e sócios na Movimento Carioca, Bomtempo e Miriam mantêm a vida profissional no Brasil e a casa no Rio de Janeiro. A ideia agora é retornar ao Brasil em 2028, quando o filho terminar o ensino médio.
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