76% temem golpes com IA na Black Friday; saiba como se proteger
Com recorde esperado de compras, especialistas recomendam checar links, reputação das lojas, acompanhar preços e evitar ofertas irreais
Por Redação Viva
21/10/2026 | 09h17Freepik
Com a Black Friday se aproximando, cresce a preocupação com golpes virtuais, especialmente os criados por inteligência artificial, que têm gerado insegurança entre 76% dos consumidores brasileiros.
Uma pesquisa revela que 87% dos consumidores pretendem usar IA para comparar preços, enquanto 43,7% planejam gastar mais em 2026 do que no ano anterior, contrastando com a tendência de queda em outros países.
Para prevenir fraudes, recomenda-se acompanhar preços, verificar a reputação das lojas e desconfiar de métodos de pagamento não convencionais, além de as empresas adotarem medidas de segurança para proteger sua credibilidade e a dos consumidores.
São Paulo - A Black Friday está se aproximando e a população brasileira volta a ficar em alerta para os golpes virtuais. A semana de descontos começa oficialmente no dia 23 de novembro e um dos principais motivos para preocupação é o aumento de anúncios falsos criados por inteligência artificial.
Segundo uma pesquisa da plataforma Reclame Aqui, 76% dos consumidores se sentem inseguros com a possibilidade de serem vítimas de golpes elaborados por IA e 63% não sabem identificar uma fraude feita com esse tipo de tecnologia. Ao mesmo tempo, os números relacionados ao uso de IA para consumo também progridem: 87% do público consumidor pretende usar ferramentas de inteligência artificial para consultar preços e encontrar oportunidades de compra.
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O volume de compras na Black Friday provavelmente será maior do que o atual recorde de R$ 10,19 bilhões faturados pelo comércio digital em 2025. Uma pesquisa da Sinch, empresa global de comunicação em nuvem, mostra que 43,7% dos entrevistados no Brasil planejam gastar mais em 2026 do que os valores investidos na mesma temporada do ano passado. A tendência brasileira de aumento de gastos está na direção oposta da tendência mundial. No exterior, apenas 25% da população gastará mais esse ano do que no ano anterior.
Como escapar da “black fraude”
Os golpes mais comuns registrados no Reclame Aqui são o pagamento sem entrega do produto (67%), compras em sites falsos que imitam lojas reais (30%) e o recebimento de produtos falsificados ou diferentes do anunciado (16%). Em geral, eles exploram a urgência, com promoções por tempo limitado e descontos muito acima do praticado no mercado, em sites clonados que se passam por e-commerces oficiais.
Como prevenção, o Reclame Aqui recomenda:
- acompanhar os preços semanas antes da data e checar o histórico em comparadores
- antes de pagar, consultar a reputação da loja e do vendedor parceiro em marketplaces
- revisar o carrinho e o frete
- desconfiar de quem só aceita Pix ou boleto
- checar links recebidos por mensagem no Detector de Site Confiável
- conferir o endereço eletrônico letra a letra
- comprar preferencialmente com o cartão virtual
O que fazer se cair em golpe?
Caso você seja vítima de fraude, o processo para denúncia é o seguinte: reúna as provas da transação como o link da loja, capturas de telas do perfil falso e comprovantes de pagamento ou transferência. Em seguida, registre um boletim de ocorrência, online ou presencialmente, e faça uma reclamação no Reclame Aqui anexando o material. Se a loja não tiver cadastro na plataforma, é possível solicitá-lo e formalizar a queixa para alertar outros consumidores.
Quem informou dados pessoais ou de cartão no site fraudulento deve procurar o banco imediatamente, relatar o golpe e pedir o cancelamento da compra. Se o pagamento foi feito por Pix, o cliente pode solicitar ao banco o Mecanismo Especial de Devolução (MED), que tenta recuperar o valor transferido.
Golpes não prejudicam somente o consumidor
O diretor de Growth Platforms da Pontaltech, Carlos Feist, explica que a responsabilidade pela identificação de uma fraude não pode recair de forma exclusiva sobre o consumidor, sendo as empresas também responsáveis por garantir a segurança da compra. Da mesma forma, o prejuízo de uma fraude não recai somente sobre o consumidor, mas é compartilhado pela empresa em reclamações, avaliações negativas e perda de credibilidade. Além disso, o consumidor desconfiado compra menos – o que também é prejudicial para o volume de vendas do mercado.
Uma das maneiras das empresas se defenderem de potenciais golpes em seu nome são as verificações utilizadas nas plataformas de comunicação e redes sociais. “No WhatsApp, isso significa utilizar um perfil com selo oficial da Meta.
No sistema RCS (Rich Communication Services), proporcionar uma experiência segura na caixa de mensagens, com nome, logotipo e selo verificado pelo Google, além de imagens e botões. No SMS, o uso de número curto dedicado ajuda a estabelecer uma origem reconhecível e um alcance maior”, afirma Feist. A participação de plataformas intermediárias na validação da identidade da empresa dificulta a reprodução de canais de comunicação por criminosos.
“A Black Friday é mais do que um período de alta nas vendas. Ela é o teste de estresse anual da confiança na comunicação digital das marcas", diz o executivo. Ele também explica que as marcas que chegarem com a sua identidade homologada, crível e verificável serão as que melhor converterão interessados em clientes.
(Por Mateus Rolim, especial para o VIVA)
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