Brasileiros sabem criar senhas fortes, mas falham em notar golpes com IA
Estudo mostra que 36% dos brasileiros não conseguiram identificar golpes criados com IA, enquanto no restante do mundo essa taxa de falha foi de 26%
Por Emanuele Almeida
05/10/2026 | 13h07Freepik
O Brasil avançou para a 8ª posição em estudo de cibersegurança, com 44 pontos, embora a população ainda enfrente dificuldades em reconhecer golpes de inteligência artificial e deepfakes.
A pesquisa mostra que, apesar de 95% dos brasileiros saberem criar senhas fortes, apenas 46% conseguem identificar deepfakes e 36% falham em reconhecer golpes com IA, evidenciando uma lacuna entre conhecimento teórico e habilidades práticas.
São Paulo - O comportamento digital dos brasileiros vive um cenário de forte contraste: embora a grande maioria domine regras básicas e consagradas de cibersegurança, como a criação de senhas complexas, a população ainda enfrenta dificuldades para reconhecer golpes feitos com inteligência artificial, identificar deepfakes e utilizar ferramentas de proteção à privacidade no dia a dia.
O estudo feito pela NordVPN mostra que o Brasil subiu duas posições em relação ao levantamento do ano anterior, alcançando a 8ª colocação mundial ao atingir 44 pontos em uma escala que vai de 0 a 100. O topo da lista é liderado por Singapura (52 pontos), seguida pela Polônia (51 pontos) e por Alemanha e Finlândia empatadas na terceira posição (50 pontos).
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Senhas e inteligência artificial
A pesquisa aponta que 95% dos participantes brasileiros sabem exatamente como criar uma senha forte. O alto índice de conscientização também se repete no entendimento sobre quem pode ver e acessar seus conteúdos em redes sociais (89%), na noção de que empresas monitoram dados de navegação (85%) e na percepção de que publicações pessoais são utilizadas no treinamento de modelos de inteligência artificial (91%).
A percepção sobre manter a segurança também melhorou entre os brasileiros. Atualmente, 64% reconhecem a importância de manter aplicativos atualizados — superando a média mundial de 58%.
Contudo, a habilidade cai significativamente quando o perigo envolve tecnologias emergentes:
- Deepfakes: apenas 46% dos brasileiros souberam identificar os sinais de um conteúdo em áudio ou vídeo manipulado por deepfake, resultado que fica abaixo da média mundial de 50%;
- Golpes com IA: 36% dos brasileiros não conseguiram identificar golpes criados com IA, enquanto no restante do mundo essa taxa de falha foi menor (26%);
- Infostealers (ladrões de informações): somente 34% dos respondentes souberam indicar quais dados podem ser capturados por esse tipo de programa malicioso, como senhas e cookies gravados no navegador.
Outros desafios
O estudo revelou ainda que a conscientização teórica nem sempre se traduz no manuseio correto de ferramentas de defesa digital. Praticamente nenhum participante brasileiro conseguiu marcar a combinação completa de ferramentas capazes de resguardar a privacidade na rede.
- Apenas 2% dos brasileiros demonstraram conhecimento sobre os procedimentos adequados ao navegar em redes Wi-Fi públicas;
- Só 5% souberam como gerenciar adequadamente as permissões concedidas a aplicativos no smartphone e 8% identificaram os riscos de privacidade decorrentes do uso de plataformas de IA no ambiente profissional.
De acordo com a classificação do levantamento, a maior parte da população brasileira enquadra-se no perfil de "Cyber Tourists" (58%) — usuários que possuem conhecimentos fundamentais, mas ainda cometem deslizes frequentes.
Como a pesquisa foi feita
O National Privacy Test é um exame de acesso aberto desenvolvido pela NordVPN que permite a qualquer internauta testar e comparar seu nível de conhecimento em cibersegurança. A edição de 2026 avaliou 23.181 participantes distribuídos por 167 países, que responderam a um questionário composto por 24 perguntas focado em hábitos de navegação, riscos virtuais e proteção de dados.
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