Brasileiro sabe que aposentadoria do INSS será insuficiente, diz pesquisa
Enquanto 92% acreditam que benefício do INSS será insuficiente, 62% revelam não possuir previdência privada, segundo levantamento da Icatu Seguros
Por Fabiana Holtz
08/10/2026 | 08h00Adobe Stock
Pesquisa da Icatu Seguros revela que 92% dos brasileiros acreditam que a previdência pública será insuficiente para garantir estabilidade financeira no futuro, mas 62% ainda não possuem previdência privada, refletindo uma falta de planejamento financeiro.
Entre os entrevistados, 78% expressam preocupação com a insegurança financeira na aposentadoria, e apenas 18% da Geração X afirmam ter uma reserva significativa, evidenciando a necessidade de maior educação financeira.
A pesquisa também mostra que as mulheres tendem a se preparar mais do que os homens, e 63% dos entrevistados preferem receber uma renda mensal na aposentadoria, indicando uma mudança na percepção sobre a previdência como um meio de sustento.
São Paulo - A maior parte dos brasileiros (92%) diz acreditar que a previdência pública será insuficiente para garantir estabilidade financeira no futuro, de acordo com levantamento realizado pela Icatu Seguros, em parceria com a Conversion. Essa preocupação, porém, ainda não se converteu em ações concretas de planejamento, visto que 62% dos entrevistados afirmam ainda não possuir previdência privada.
No topo das preocupações relacionadas à aposentadoria, 78% dos entrevistados mencionam a insegurança financeira: o medo da falta de recursos. De acordo com Henrique Diniz, diretor de Previdência da Icatu Seguros, a principal leitura desse levantamento é que o brasileiro quer previsibilidade, mas ainda não sabe quanto precisa guardar.
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Enquanto 58% afirmam ter uma noção aproximada de quanto precisariam receber por mês para manter o padrão de vida na aposentadoria; 28% dizem ter apenas uma noção do valor e 14% admitem não ter ideia da renda necessária.
Com relação à previdência privada outra constatação é que sua presença é maior entre as famílias com renda acima de R$ 28 mil por mês. Neste grupo 71% afirma possuir previdência privada.
Recorte por faixa etária
Geração X
Mesmo entre o público de 45 a 60 anos, que se encontra mais próximo de aposentar, somente 18% afirmam já ter uma reserva significativa para o futuro. Entre eles, 31% começaram a se preparar, porém ainda têm pouco dinheiro acumulado. A maioria (70%) ainda não se considera financeiramente preparados para se aposentar.
Geração Z
Entre os mais novos, 16 a 28 anos, 31% disseram já ter começado a se preparar. Mesmo que tenham poucos recursos acumulados, a disposição para formar reserva para a aposentadoria é vista como um fator positivo. "Acho relevante que quase um terço dos mais jovens tenha dito que pensa sobre o assunto e se prepara para aposentadoria", afirma o gerente de Produtos de Previdência da Icatu Seguros, Guilherme Argolo.
Millenials
Entre as pessoas de 29 a 44 anos, esse índice cai para 20%. Apenas 5% da Geração X considera já poder se aposentar.
Bommers
Dos entrevistados acima de 60 anos, 18% dizem ter reserva para o futuro.
A previdência privada foi mencionada por 29% da Geração Z, 19% dos Millennials, 30% da Geração X e 27% dos Boomers.
Sobre opções de como sacar os recursos ao se aposentar a Geração Z é a que mais prefere sacar aos poucos, no ritmo que decidir: 32%, contra 22% entre Millennials e Geração X e 9% entre Boomers.
Mulheres se preparam antes
No recorte por gênero, entre o público feminino, 29% afirmam ainda não ter começado a se preparar financeiramente para a aposentadoria, enquanto entre os homens essa parcela é de apenas 14%.
A pesquisa revela ainda que enquanto as mulheres tendem a discutir aposentadoria principalmente dentro do núcleo familiar, os homens levam a questão para assessores financeiros, gerentes de banco e especialistas.
Com relação à estratégia de investimento, entre elas 56% escolhem investir em produtos de baixo risco, enquanto 44% confiam na poupança e 23% na previdência privada. Entre os homens, 67% vão para investimentos de baixo risco, 34% seguem para a poupança e 33% na previdência privada.
A hora da desacumulação
A dificuldade dos brasileiros em transformar essa preocupação em uma estratégia financeira estruturada confirma a necessidade de orientação sobre educação financeira, na visão de Argolo. Ao mesmo tempo, os dados apontam uma maior consciência sobre ter uma estratégia para converter esse patrimônio em renda - chamado tecnicamente no setor de desacumulação.
Isso porque ao serem perguntados sobre como desejariam receber essa renda futura, somente 8% declararam que gostariam de receber todo o valor de uma vez. Entre os entrevistados 6 em cada dez (63%) afirmou ter preferência por receber uma renda mensal no futuro e outros 24% disseram que escolheriam retirar os recursos aos poucos, conforme a necessidade.
"O dado que mais me surpreende nesse levantamento é a crescente demanda por desacumulação em forma de renda, o que considero positivo", diz Argolo. Ele cita que em 2025 a procura por conversão do valor acumulado em renda entre os clientes da Icatu cresceu 47%, recorde histórico.
Realizada em maio de 2026, a pesquisa ouviu 500 pessoas conectadas à internet de todas as regiões do país. Do grupo entrevistado, 60% eram mulheres e 40% homens com idades a partir de 18 anos e os mais diversos perfis entre empregados, desempregados, autônomos, estudantes e aposentados.
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