Comunicação clara é a chave para destravar previdência, dizem executivos
Comunicação eficaz é crucial para trabalhadores entenderem a importância da previdência como benefício e preparação para o futuro
Por Fabiana Holtz
23/09/2026 | 18h05Fabiana Holtz/Viva
O alto custo de vida e a falta de valorização dos planos de previdência dificultam a sua aceitação entre trabalhadores formais, conforme especialistas reunidos em evento sobre previdência promovido pela Marsh. A comunicação eficaz sobre a importância desses planos é vista como um desafio para o setor de recursos humanos.
A percepção de que o futuro é distante leva a população a priorizar o presente, dificultando a acumulação de recursos a longo prazo. Especialistas destacam a necessidade de educação financeira, focando em hábitos que incentivem a disciplina e a compreensão do impacto do capital ao longo do tempo.
Profissionais do setor financeiro defendem que a previdência deve ser encarada como uma ferramenta essencial para combater o endividamento e promover o bem-estar. É fundamental que empresas e políticas públicas trabalhem juntas para desmistificar a linguagem financeira e promover a educação em todas as fases da vida.
São Paulo — Em um cotidiano marcado pelo alto custo de vida, atalhos de "dinheiro fácil" e diferentes realidades familiares, contar com o benefício de um plano de previdência muitas vezes é pouco percebido e subvalorizado pelos trabalhadores formais, segundo especialistas do setor.
Reunidos em evento sobre previdência como potencial resposta estratégica aos novos desafios do RH, promovido pela Marsh, profissionais da BrasilPrev, Bradesco Seguros e do Insper concordam que explicar a real relevância de um plano de previdência oferecido pela empresa é um grande desafio para o mundo corporativo.
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Presente no painel "Trabalho e Previdência: A saúde financeira hoje para construir o amanhã", Fernando Oliveira, superintendente de pessoas na BrasilPrev acredita que o segredo para popularizar o tema está em pensar em estratégias específicas para diferentes momentos de vida.
Com pelo menos quatro gerações convivendo simultaneamente nas empresas, destaca Oliveira, a previdência não pode ser comunicada como um produto isolado, mas sim como parte de uma arquitetura de benefícios mais ampla, afirma o executivo.
De acordo com Oliveira, a área de Pessoas das empresas precisa atuar diretamente como um "tradutor de valor".
"O principal desafio hoje para os times de RH é ter uma comunicação conectada com projetos pessoais e a importância de se preparar para o futuro como um plano de vida, e não apenas como um benefício tradicional"
Viés comportamental
Do ponto de vista acadêmico e das finanças comportamentais, o professor Ricardo Humberto Rocha, coordenador do programa de pós-graduação e Latu Sensu em Finanças do Insper, alertou que a população tende a encarar o futuro como algo muito distante, concentrando todas as atenções e recursos no presente.
"Em um país de renda média onde o hábito de gastar tudo o que se ganha é frequente e a ancoragem familiar dita padrões de consumo, a acumulação de longo prazo exige disciplina diária", afirma. Rocha lembra ainda que as estruturas familiares estão mudando drasticamente, com núcleos cada vez menores.
Para o professor, a verdadeira transformação exige focar na educação baseada em três pilares essenciais: com incentivo à leitura, matemática de juros e na capacitação da população para compreender o impacto do capital no tempo. Aliado a isso, Rocha avalia que é necessário trabalhar nos brasileiros novos hábitos que limitem a tentação do gasto imediato.
Minha avó tinha uma definição muito boa para educação financeira: gaste menos do que você ganha. Começa por aí.
Ricardo Humberto Rocha, coordenador do programa de pós-graduação e Latu Sensu em Finanças do Insper
Segundo ele, nesse âmbito, a previdência deve ser apresentada como um processo contínuo de acúmulo que exige estímulo constante, como fazer exercícios. Esse trabalho também exige o envolvimento conjunto de políticas públicas e privadas, sem terceirização de responsabilidades.
Combate ao endividamento
Na avaliação de Vinícius Marinho da Cruz, diretor financeiro da Bradesco Seguros, instrumentos como a previdência privada e o seguro de vida deixam de ser meros produtos de investimento futuro e passam a ser ferramentas centrais para combater a espiral de endividamento que vemos no País e garantir o bem-estar e a prevenção no presente.
A construção da saúde financeira do amanhã, acrescenta ele, exige uma mudança cultural imediata.
Em resumo, cabe às empresas e ao RH desmistificar a linguagem financeira, adaptando o diálogo à realidade de cada funcionário, enquanto políticas corporativas e públicas se unem para promover a educação e a proteção financeira em todas as fases da vida.
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