Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva

Preços nos supermercados vão cair após queda nos juros? Entenda

Envato

Queda nos juros deve demorar um pouco para ser sentida nas compras do supermercado - Envato
Queda nos juros deve demorar um pouco para ser sentida nas compras do supermercado
Por Fabiana Holtz

06/08/2026 | 12h26

São Paulo - O Banco Central (BC) anunciou na noite de ontem mais uma redução no juro básico, a Selic, para 14% ao ano, dando continuidade ao ciclo de cortes iniciado em março pelo Comitê de Política Monetária (Copom). O movimento pode demorar um pouco para apresentar impactos nas compras do supermercado, por exemplo.

Mas tem muito mais peso na vida financeira do brasileiro do que se imagina. Seu alcance vai das taxas no financiamento, do empréstimo, aplicações financeiras ao limite da conta ou cartão de crédito.

"Temos alguns instrumentos que o Banco Central utiliza para controlar a inflação. A taxa de juros é um deles. Quando temos um juro mais baixo a população tende a comprar mais, especialmente itens que tem um financiamento mais longo, como carro, casa", explica a educadora financeira Izabel Rocha, formada em economia e com mestrado em finanças comportamentais.

Rocha observa que os efeitos dessa redução dos juros devem se apresentar de fato em um prazo mais longo. "Temos também um outro componente externo que é a questão do conflito dos EUA com o Irã, que tem um impacto direto nos preços do petróleo. E quando a gente fala em supermercado, por exemplo, estamos falando de custos de logística e consequentemente de combustível".

Ou seja, a queda na taxa Selic vai influenciar na redução de alguns preços, mas no médio e longo prazos. Com esse cenário externo mais turbulento, no entanto, talvez ainda demore um pouco mais para sentir os impactos desse corte.

Queda gradual

Desde março, os juros já caíram 1%, em meio às incertezas relacionadas aos impactos da guerra no Irã sobre a cadeia global de suprimentos, os preços de commodities (como petróleo) e a própria inflação. Na ocasião, a Selic seguia por 10 meses conseguidos no maior nível em quase duas décadas, a 15% ao ano.

Para Marcos Freitas, analista macroeconômico da AF Invest, não houve grandes surpresas no anúncio do Copom. "A decisão ficou dentro do esperado. O comunicado também foi bastante semelhante ao da reunião anterior. Houve alguma revisão nas projeções de inflação para períodos mais curtos, mas com pouca influência sobre a condução da política monetária", afirmou.

Renda fixa ainda vale a pena ?

Nesse contexto, a renda fixa ainda se apresenta como um investimento interessante, pontua Rocha. É claro, acrescenta ela, com a inflação recuando é preciso olhar também como esse cenário afeta os juros futuros. "Temos de começar a olhar para 2027 e pensar em outras alternativas com boa rentabilidade. Se a Selic continuar caindo dessa forma talvez o juro chegue a 13% até o final do ano", observa.

Segundo Thiago Aor, diretor financeiro da Cora, o corte reforça que o BC segue priorizando a estabilização das expectativas e a consolidação do processo de queda da inflação, mesmo diante de um cenário externo ainda instável, marcado pelo conflito no Oriente Médio e pelas incertezas em torno do tarifaço americano.

E as pequenas e médias empresas?

Para pequenas e médias empresas, o efeito imediato tende a ser limitado, avalia o diretor financeiro da Cora. O custo do crédito segue elevado, o que mantém pressão sobre capital de giro e decisões de investimento. "Na prática, a maioria das PMEs ainda deve priorizar a gestão de caixa em vez da expansão", afirma Aor.

A tendência é que os efeitos mais relevantes sobre crédito e atividade apareçam de forma progressiva, à medida que o ciclo de cortes avance e o cenário externo ganhe mais estabilidade, acreditam os economistas.

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Últimas Notícias