Como ensinar crianças a gastar e guardar dinheiro brincando nas férias
Envato
São Paulo - Tirar a garotada da frente das telas durante as férias é um desafio que exige estratégia. E que tal encontrar atividades em casa, sem gastar nada e, o melhor, ensinando sobre economia? Aproveitar esse momento em família para falar de dinheiro de forma leve, através de jogos e brincadeiras, além de divertido contribui para a formação de adultos mais conscientes de suas escolhas financeiras.
Entre os 3 e os 6 anos, o faz de conta faz parte do desenvolvimento infantil e é uma das formas mais ricas de aprendizagem. Brincar de mercadinho, lojinha ou restaurante, por exemplo, é muito mais do que uma simples diversão, diz Vanessa Moschetti, diretora da St. John’s International School.
Ao recriar situações do cotidiano, a criança vivencia experiências da vida real de forma imaginativa, divertida e significativa".
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Os produtos podem ser brinquedos, embalagens recicláveis ou até alimentos da despensa de casa, sugere Moschetti. Aqui é possível trabalhar conceitos importantes ao escolher produtos, comparar preços, verificar se têm dinheiro suficiente para realizar as compras, somar valores e passar os produtos no caixa.
Durante essa brincadeira, além de trabalhar habilidades matemáticas, como contagem, reconhecimento de numerais, sistema monetário, noção de quantidade, os pequenos exercitam a linguagem, a criatividade, a organização, a autonomia e as habilidades sociais.
A ideia não é ficar rico, mas fazer escolhas
Quando falamos em educação financeira, muita gente erroneamente pensa em planilhas, investimentos ou contas para pagar, diz Patrícia Aiello, empresária e educadora financeira. "A verdade é que ela começa muito antes disso: nas brincadeiras". Fazer com que as crianças participem das decisões da família aos poucos ajuda com que elas entendam que dinheiro é uma ferramenta para realizar sonhos, não um fim em si mesmo.
Educação financeira não se trata de ensinar uma criança a ficar rica. É ensinar que cada decisão tem consequências, que planejamento gera tranquilidade e que o dinheiro deve servir às pessoas nunca o contrário", explica Aiello.
Crianças aprendem muito mais quando experimentam do que quando apenas recebem orientações, concorda Olívia Resende, fundadora da Germinar Educação, economista e pedagoga especialista em educação financeira. "A prática desenvolve autonomia, senso crítico e responsabilidade", observa.
Desenvolvendo habilidades
Segundo a economista Izabel Rocha, educadora financeira com mestrado em finanças comportamentais, introduzir o assunto nas conversas com os pequenos desde cedo é recomendável para que o hábito de pensar em dinheiro, consumo e renda se torne saudável.
Sem a pressão da sala de aula, ela sugere algumas perguntas para as crianças durante cada brincadeira, como:
- Por que você escolheu isso?
- Vale a pena gastar tudo agora?
- O que acontece se guardar um pouco?
- Como você decidiu entre as opções?
- O que faria diferente na próxima vez?
Como brincar e falar de dinheiro com crianças
A pedido do VIVA, a educadora finaneira Izabel Rocha preparou uma lista de atividades simples e divertidas para aproveitar as férias com os pequenos:
Mercadinho em Casa
Idade: 3 a 8 anos
Monte um pequeno mercado utilizando alimentos, brinquedos ou embalagens vazias. Dê dinheiro de brincadeira para a criança e estabeleça preços.
O que ensina:
- Valor do dinheiro
- Escolhas
- Prioridades
- Soma e troco
- Desafio extra: Faça uma promoção e converse sobre descontos.
Caça ao Tesouro Financeiro
Idade: 5 anos+
Esconda moedas ou notas de brinquedo pela casa. Ao encontrar cada uma, a criança responde uma pergunta ou realiza uma pequena tarefa relacionada ao dinheiro.
O que ensina:
- Tomada de decisão
- Reflexão antes do consumo
Cofrinho dos Sonhos
Cada criança desenha algo que gostaria de conquistar, como Bicicleta, Videogame, Viagem, Livro. Depois define quanto precisaria guardar por semana para alcançar esse objetivo.
O que ensina:
- Planejamento
- Objetivos financeiros
- Poupança
Banco da Família
Durante alguns dias, cada criança recebe "salário" por pequenas tarefas previamente combinadas (não por obrigações básicas, mas por atividades extras). Depois pode: guardar, gastar e emprestar para os irmãos (combinando regras).
O que ensina
- orçamento
- juros (de forma simples)
- responsabilidade
Leilão de Brinquedos
Cada participante recebe um orçamento limitado. Os brinquedos entram em um "leilão". Quem gastar tudo cedo poderá ficar sem dinheiro para os próximos itens.
Conceitos trabalhados:
- Controle dos impulsos
- Planejamento
- Gestão do orçamento
Restaurante em Casa
As crianças criam um restaurante. Para isso definem: Cardápio, Preços, Promoções. Os pais são clientes. Depois contam quanto "ganharam".
Pode-se falar sobre:
- Receita/Faturamento
- Despesas
- Lucro
Jogo das Escolhas
Faça cartões com situações. Exemplos: Você ganhou R$ 20. Compra um brinquedo hoje ou guarda para comprar um maior?
ou
Você quer sorvete e pipoca, mas só tem dinheiro para um.
Não existe resposta certa; o importante é conversar sobre as escolhas.
Feira de Trocas no bairro ou condomínio
Cada criança leva brinquedos ou livros que não usa mais. O objetivo é trocar, sem utilizar dinheiro.
Depois converse sobre:
- Valor não é apenas preço
- Reutilização
- Consumo consciente
- Sustentabilidade.
Desafio da Lista de Compras
Dê um orçamento fictício. Monte uma lista de supermercado. As crianças precisam escolher os produtos sem ultrapassar o limite. Para crianças maiores, utilize folhetos de supermercados.
O que ensina:
- Orçamento
- Comparação de preços
- Prioridades
Noite dos Jogos de Tabuleiro
Alguns jogos trabalham finanças de maneira divertida. Sugestões: Banco Imobiliário, Jogo da Vida, Jogo da Mesada.
O que ensina:
- Planejamento financeiro
- Investimento
- Orçamento
- Negociação
- Consequências das escolhas
Mais do que ensinar sobre dinheiro, essas brincadeiras e jogos ajudam a construir valores, fortalecer os laços familiares e desenvolver habilidades que acompanharão as crianças por toda a vida.
Afinal, as melhores lições não são apenas as que se aprendem na escola, mas também aquelas vividas em família, com afeto, diálogo e diversão", diz Izabel Rocha.
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