Como ficam os investimentos em renda fixa com a Selic em 14,25%
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São Paulo - Com o corte da taxa básica de juros, a Selic, de 14,5% para 14,25% ao ano, o Banco Central (BC) faz um movimento que é mais simbólico do que transformador. A opinião é de Fabrizio Gammino, co-CEO da Grownt, consultoria tributária de inovação, sobre a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central nesta quarta-feira, 17, de diminuir a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual. "O Brasil segue com o segundo maior juro real do mundo (9,33%), atrás apenas da Rússia", ressalta. Em resumo, a situação para investimentos mudou muito pouco.
Na avaliação do economista Ricardo Meirelles de Faria, professor do Departamento de Economia da FGV EAESP, como o movimento de corte do Copom já era esperado, os preços dos ativos de renda fixa já estão mais ou menos precificados - ou seja, seu impacto já foi incorporado ao preço atual dos ativos.
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"Se você tem um título de renda fixa e não pretende resgatá-lo antes do vencimento, essa queda não afetará o seu rendimento contratado. Se, entretanto, você tem um título público que pode ser negociado ao longo do tempo, esse corte elevaria o preço do seu título pois ele continuará pagando um pouco mais de juros do que os novos títulos emitidos com uma Selic um pouco menor", afirma o economista.
Um ponto importante para acompanhar, explica Faria, está na sinalização do BC quanto a dar continuidade ao processo de redução da Selic ou não.
Fuja do risco
Para o brasileiro comum, afirma Gammino, isso significa que o dinheiro continua caro para quem precisa de crédito e generoso para quem consegue poupar. E o cenário externo não ajuda, com perspectiva de elevação dos juros nos Estados Unidos, onde a inflação bateu 4,2% no acumulado de 12 meses até maio, o maior nível em três anos. Diante dessa realidade, se você tem algum dinheiro guardado o ideal é aproveitar as oportunidades da renda fixa, sem se expor a grandes riscos. E atenção, ressalta Gammino, o corte anunciado hoje pode ser o último do ciclo.
Com o mercado de trabalho aquecido, o dólar pressionado pela perspectiva de juros mais altos nos EUA e um impulso fiscal doméstico dessa magnitude, a curva de juros já sinaliza que a próxima parada pode ser uma alta", explica.
O alívio geopolítico ajuda, com o possível fim do conflito no Oriente Médio, acrescenta ele, mas a matemática fiscal e monetária é implacável. Quem se posicionar agora, com disciplina e clareza, vai colher os frutos dessa Selic ainda elevada enquanto ela durar.
Quais são as opções?
Para o investidor conservador, afirma Gammino, Tesouro Selic, CDBs de liquidez diária de bancos sólidos e fundos DI com taxa de administração baixa seguem entregando retornos reais expressivos. A 14,25% ao ano, com inflação projetada de 5,3%, o juro real líquido fica acima de 7%. Segundo ele, esse é um retorno que, em qualquer outro momento da história recente, seria considerado excepcional para risco zero.
Para o investidor com perfil moderado, as atenções devem se concentrar nos títulos prefixados e os indexados à inflação (IPCA+), principalmente se o ciclo de queda dos juros continuar.
Recado aos endividados
Para os endividados, Gammino aproveita para fazer um alerta.
Antes de pensar em investir, é preciso olhar para a organização financeira. Quem está usando limite de conta ou cartão de crédito a 300% ao ano para aplicar em renda fixa a 14% está destruindo patrimônio. A primeira decisão inteligente neste cenário não é onde investir, é eliminar dívidas caras."
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