Renda fixa segue protagonista com juro em 14,5%; endividamento preocupa
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São Paulo - Entender o que representa para suas finanças o corte da taxa básica da economia, a Selic, pode parecer complexo, porém é fundamental em um momento que o número de famílias endividadas é recorde. O anúncio do Copom, ontem, de redução do juro básico de 14,75% para 14,5% ao ano, tem um impacto direto no dia a dia do brasileiro, que vai da taxa de juros do financiamento, do empréstimo e das aplicações financeiras ao limite da conta ou cartão de crédito.
Em resumo, os rumos da Selic ditam cenários, estratégias, decisões, expectativas e, principalmente, o comportamento financeiro da população. Para os pequenos investidores que tem suas reservas aplicadas em renda fixa, a estratégia deve seguir a mesma, observam os economistas ouvidos pelo VIVA. Até porque, mesmo com o corte anunciado ontem, o Brasil ainda tem o segundo maior juro real (descontando a inflação) do mundo, de 9,33%.
De olho na renda fixa
Para quem já estruturou uma reserva e tem objetivos financeiros claros, a economista Dirlene Silva (que é uma das Top Voices do LinkedIn em sua área) avalia que a atratividade da renda fixa se mantém.
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Segundo ela, com juros altos, este investimento com taxa de juros pré-definida segue em destaque, pois as aplicações como Tesouro Selic, CDBs e fundos mais conservadores oferecem retornos interessantes, com menor risco.

Mesmo os investimentos pós-fixados atrelados ao CDI/Selic mantêm alta rentabilidade, apesar de perderem desempenho, acrescenta o economista Alexandre Gaino, professor de Administração da ESPM.
O ponto mais importante não é a redução observada ontem, mas a trajetória esperada de queda da Selic até o final do ano e mesmo para 2027, afirma.
Apesar da decisão de ontem do Banco Central, a expectativa é de queda na Selic para 13% ao final de 2026, chegando a 11% em 2027, segundo o Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central (BC) realizada com cerca de 140 instituições financeiras sobre os principais indicadores da economia. Ou seja, a redução será lenta.
Segundo ele, para investidores mais conservadores, o contexto indica a manutenção de investimentos em Tesouro Selic, CDBs de liquidez diária de bancos sólidos e fundos DI com taxa de administração reduzidas.
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A renda fixa ainda segue um patamar bem interessante, concorda Alexandre Pletes, head de renda variável na Faz Capital. Ele chama a atenção dos investidores para a curva de juros, considerando que o Brasil apresenta hoje o segundo maior juro real do mundo, perdendo apenas para a Rússia.
Crédito caro
Para além dos investimentos, é importante lembrar que os juros altos também deixam o crédito caro e isso impacta diretamente na rotina das famílias endividadas, no consumo e até na capacidade de investir.
Assim, manter as contas em dia tem se mostrado um desafio diário. Em março, o endividamento das famílias brasileiras alcançou 80,4%, marcando o maior nível da série da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O índice superou a marca de 80,2% registrada em fevereiro.
"Pensando nisso, minha recomendação é, antes de pensar em aplicar, é preciso olhar para a organização financeira", ensina Dirlene Silva.
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A economista lamenta que há muita desinformação com relação ao tema e tem muita gente investindo, usando crédito, pegando valores do limite da conta, pagando juros em torno de 300% ao ano, para aplicar em renda fixa que remunera em torno de 14% a 15% ao ano.
O principal conselho da economista para quem deseja colocar a vida financeira nos eixos é conhecer o seu perfil de investidor.
Instituições financeiras e corretoras sérias oferecem esta ferramenta que vai auxiliar na escolha do produto mais adequado levando em consideração o seu perfil e seu momento de vida", explica.
Para investidores de perfil moderado, diz Gaino, vale observar o comportamento dos ativos pré e pós fixados nesse momento. Os prefixados e os títulos indexados à inflação podem se valorizar caso o ciclo de queda dos juros continue. Porém, se os juros futuros subirem, em virtude de um descolamento maior da inflação esperada e a meta, o preço desses títulos cai antes do vencimento e títulos prefixados podem não garantir juros reais satisfatórios, afirma o economista.
Para os mais arrojados, o movimento de entrada de capitais internacionais e o comportamento da bolsa de valores pode indicar a necessidade de recomposição de seus portfólios, para renda variável.
Quando perguntam para Dirlene Silva qual é o melhor investimento, ela diz que sempre gosta de ratificar que não existe “o melhor investimento”.
Existe sim, o investimento mais adequado a cada realidade e momento de vida, para cada objetivo e realidade financeira, afirma.
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