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Vendas online de canetas emagrecedoras crescem 149% no 1º semestre

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Valor movimentado com a venda online de canetas emagrecedoras chegou a R$ 2,35 bilhões - AdobeStock
Valor movimentado com a venda online de canetas emagrecedoras chegou a R$ 2,35 bilhões
Por Pedro Marques

13/08/2026 | 11h01

São Paulo - As vendas online de canetas emagrecedoras e outros medicamentos associados ao GLP-1 cresceram 149,3% no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. Foram 1.364.354 pedidos entre janeiro e junho, ante 547.249 no ano anterior. O levantamento da Serasa Experian aponta que o valor movimentado chegou a R$ 2,35 bilhões.

O levantamento considera medicamentos associados ao GLP-1 usados no tratamento do diabetes e do sobrepeso, incluindo os injetáveis conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” e outras formas farmacêuticas do princípio ativo.

O crescimento das vendas online também veio acompanhado de tentativas de fraude. Entre janeiro e junho, foram identificadas 3.966 ocorrências, envolvendo R$ 7,86 milhões em valores sob risco.

Black Friday e festas de fim de ano

A expansão ganhou força entre maio e junho de 2025 e ocorreu em um período de mudanças no ambiente regulatório e na disponibilidade dos tratamentos.

Em abril de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a retenção de receita para medicamentos agonistas de GLP-1. A regra entrou em vigor em 23 de junho daquele ano. Segundo a Serasa Experian, os dados do levantamento não permitem determinar o impacto individual de cada evento sobre o volume de pedidos.

Entre julho de 2025 e junho de 2026, novembro registrou o maior número de solicitações, com 292.800 pedidos e R$ 476,7 milhões movimentados. Março de 2026 veio na sequência em volume, com 285.952 pedidos, mas apresentou o maior valor da série: R$ 478,1 milhões.

Segundo Rodrigo Sanchez, diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, o pico de novembro coincidiu com a Black Friday e com o período de preparação para as festas de fim de ano e as férias de verão.

Gerações Y e X concentram pedidos

Os Millennials, ou Geração Y, fizeram 436.589 pedidos no primeiro semestre de 2026. A Geração X ficou próxima, com 424.673 solicitações. Juntas, as duas faixas responderam por 63,1% dos pedidos.

A Pesquisa Nacional de Saúde aponta que a prevalência de excesso de peso aumenta de 33,7% entre pessoas de 18 a 24 anos para 70,3% entre aquelas de 40 a 59 anos. Esses dados ajudam a contextualizar a distribuição dos pedidos, mas não permitem atribuir o consumo individual exclusivamente a condições de saúde.

Entre as tentativas de fraude, os Millennials concentraram 1.340 ocorrências, cerca de um terço do total. Em termos proporcionais, a Geração Z teve a maior incidência: 0,87% dos pedidos apresentaram tentativas identificadas, o equivalente a quase uma ocorrência a cada 100 solicitações.

Na comparação com o primeiro semestre de 2025, os Baby Boomers apresentaram o maior crescimento, de 273,7%, chegando a 164.687 pedidos.

A Geração Alpha esteve associada a mais de 20,5 mil solicitações e R$ 36 milhões em movimentação. O levantamento considera CPFs classificados nessa geração, o que não significa necessariamente que crianças ou adolescentes tenham feito as compras diretamente.

Por faixa etária, os pedidos entre pessoas de até 25 anos cresceram 84,14%. O aumento chegou a quase 300% entre brasileiros de 71 a 90 anos. Entre pessoas com mais de 90 anos, a alta foi de 134,45%.

Mulheres respondem por 44,2% dos pedidos

As mulheres registraram 602.815 pedidos no primeiro semestre, correspondentes a 44,2% do total, e movimentaram cerca de R$ 1 bilhão.

O número de solicitações associadas ao público feminino foi 75,2% superior ao registrado entre homens. A categoria “Outros”, que reúne outros gêneros ou pedidos sem identificação nessa classificação, teve 417.563 solicitações e movimentou R$ 722,9 milhões.

Sudeste concentra maior volume de pedidos

O Sudeste concentrou 901.191 pedidos entre janeiro e junho de 2026, o equivalente a 66,1% do total nacional. Na sequência apareceram Sul, com 188.997 solicitações, e Nordeste, com 139.841.

Apesar do menor volume absoluto, o Nordeste teve o maior crescimento percentual na comparação anual, com alta de 195,2%. Sul e Norte também registraram avanços, de 170,9% e 170,5%, respectivamente.

O Sudeste concentrou ainda a maior quantidade de tentativas de fraude, com mais de 2,4 mil ocorrências. O Nordeste ficou em segundo lugar, com 1.007 casos, e teve o maior crescimento proporcional das tentativas, de 65,4%.

Aumento das vendas também amplia exposição a fraudes

O levantamento ocorre em um cenário de maior atenção à segurança das transações digitais. Segundo a Serasa Experian, a categoria “Saúde” passou a integrar, ao lado de “Beleza” e “Calçados”, as três categorias do comércio eletrônico com maior volume de tentativas de fraude barradas no Mapa da Fraude da empresa.

Para Rodrigo Sanchez, produtos de maior valor e categorias com crescimento acelerado podem atrair a atenção de fraudadores. O executivo afirma que a avaliação de riscos deve considerar diferentes fatores, como identidade, dispositivo, comportamento e transação.

Como evitar golpes na compra de medicamentos

Para reduzir os riscos de fraude, consumidores devem:

  • Comprar somente em sites, aplicativos e estabelecimentos oficiais, verificando o endereço eletrônico antes de informar dados pessoais ou de pagamento;
  • Evitar links recebidos por redes sociais, anúncios ou aplicativos de mensagens que direcionem para páginas desconhecidas;
  • Desconfiar de preços muito abaixo dos praticados no mercado;
  • Comprar medicamentos associados ao GLP-1 somente mediante prescrição médica, com retenção da receita pela farmácia ou drogaria;
  • Usar os medicamentos de acordo com as indicações aprovadas e com acompanhamento de profissional habilitado;
  • Não compartilhar senhas, códigos de autenticação ou dados completos de cartão fora de ambientes oficiais;
  • Desconfiar de páginas que imitam órgãos públicos ou empresas conhecidas.

Em maio de 2025, a Anvisa alertou sobre anúncios falsos que utilizavam indevidamente o nome da agência para oferecer o medicamento Mounjaro.

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