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O que a intervenção do tesouro nacional diz para investimentos em renda fixa?

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Tesouro Nacional gastou R$ 27 bilhões para segurar a alta dos juros provocada pelo conflito Irã-Israel - Adobe Stock
Tesouro Nacional gastou R$ 27 bilhões para segurar a alta dos juros provocada pelo conflito Irã-Israel
Por Emanuele Almeida

21/03/2026 | 14h32

São Paulo - Analistas entrevistados pela Broadcast avaliam positivamente para o mercado e os investidores a intervenção de R$ 27 bilhões feita pelo Tesouro Nacional no mercado financeiro, considerando-a uma medida acertada. Essa ação foi uma resposta ao aumento da tensão nas taxas de juros futuros, provocada pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que gerou estresse no mercado na semana anterior.

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A guerra tem trazido pressão aos mercados financeiros mundo afora e vai muito além das cotações do petróleo. No Brasil, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) têm sofrido em decorrência do conflito. Na última semana, alguns vértices da taxa de juros chegaram a saltar cerca de 0,7 ponto porcentual. Esse movimento levou o Tesouro a cancelar os leilões regulares de títulos atrelados à inflação e prefixados previstos para esta semana.

Tesouro pré-fixado

Dentre os títulos impactados pelas tensões geopolíticas e pelas incertezas que elas geram, destaca-se o Tesouro Prefixado 2031. De acordo com análises realizadas por Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos e autora do livro “Renda Fixa não é fixa!”, esse título foi um dos que experimentou o aumento de 70 pontos-base desde o início do conflito. Para um título com vencimento em cinco anos, isso representa uma desvalorização aproximada de 3%.

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Segundo Fontes, o Tesouro Nacional pode voltar a intervir novamente nos juros futuros, caso as taxas voltem a subir, mas, provavelmente, não deve precisar fazer isso de novo.

O estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren Investimentos, Luis Felipe Vital, afirma que a intervenção não foi uma surpresa, tendo em vista que a atual gestão do Tesouro é mais ativa.

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As duas últimas operações dessa natureza ocorreram em dezembro de 2024, quando o risco fiscal estava em alta, e em 2020, durante a pandemia de covid-19.

Fontes também explica que os desembolsos de R$ 27 bilhões do Tesouro feitos ontem não prejudicam o resultado fiscal do governo, mas reduzem o caixa do Tesouro, o que faz com que, eventualmente, em outro momento, o órgão tenha de emitir mais títulos.

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A escalada acentuada foi particularmente vista na última sexta-feira, dia 13 de março, marcada por uma liquidação generalizada de posições através de operações de 'stop loss' - uma ordem automática para vender ou comprar -, o que intensificou ainda mais o aumento dos juros futuros.

Além do cancelamento dos leilões semanais de NTN-B, NTN-F e LTN, o Tesouro informou em comunicado divulgado antes da abertura dos negócios que poderia recomprar do mercado até 25 milhões de prefixados, sendo 20 milhões de LTN e 5 milhões de NTN-F. Destes, 14,8 milhões de LTN e 2,450 milhões de NTN-F foram recompradas.

(Por Jean Mendes e colaboração de Arícia Martins e Caroline Aragaki).

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