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Como me aposentar com uma renda mensal de R$ 4 mil? Entenda

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A estratégia para a aposentadoria pode ser mais simples, mas exige dedicação - Adobe Stock
A estratégia para a aposentadoria pode ser mais simples, mas exige dedicação
Por Fabiana Holtz

03/09/2026 | 09h39 ● Atualizado | 09h40

São Paulo - Se o seu plano é chegar a uma renda mensal de R$ 4 mil, o VIVA te ensina algumas estratégias. Especialistas apontam que a recomendação clássica de guardar 25% da renda para garantir um padrão de vida semelhante na aposentadoria pode parecer distante, mas tende a se tornar mais palpável quando se estabelece um objetivo. Portanto, reservar pelo menos R$ 500 ao mês (12,5%) já é um começo.

Para receber essa soma mensalmente considerando apenas o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a média salarial de contribuição desde julho de 1994 precisaria ser de R$ 4 mil, considerando 40 anos de contribuição para se atingir 100% da média.

De fato, somente quem contribuiu perto do teto por praticamente a vida toda de trabalho chega a esse valor pelo INSS sozinho, diz o CEO da Aegis Consultoria, Rafael Carvalho.

Todo valor que vier do INSS lá na frente é bem-vindo, mas ninguém deveria construir a própria aposentadoria em cima dessa incerteza", aconselha.

O advogado especialista em Direito Previdenciário Kisley Domingos lembra que essa dinâmica está em vigor desde a reforma da Previdência, em 2019. Dessa forma, quanto menor for o tempo contributivo acumulado, maior precisará ser a média salarial do trabalhador para compensar o coeficiente redutor.

A regra pós-reforma eliminou a possibilidade de inflar o valor da aposentadoria apenas na reta final da carreira. Sem regularidade e consistência ao longo dos anos, contribuições isoladas no teto resultam em desperdício de recursos financeiros sem atingir a meta pretendida", alerta.

Como manter a renda após os 65 anos?

Antes de estabelecer qualquer cálculo, a planejadora financeira Rejane Tamoto reforça que considerando o avanço nos índices de longevidade da população estamos falando de uma perspectiva de renda suficiente para cobrir um período entre 25 a 30 anos.

Assim, seria necessário construir uma reserva de aproximadamente R$ 763,5 mil para financiar uma renda de R$ 4 mil mensais por 25 anos. Em um horizonte de 30 anos seriam necessários R$ 845,1 mil - considerando uma rentabilidade real de 4% ao ano (referência clássica para renda perene sem consumir o principal). Ela ressalta que se trata de uma simulação, e não de uma garantia de retorno ou de duração do patrimônio. "Em um planejamento real de aposentadoria, trabalhamos com cenários e margens de segurança", afirma a planejadora. 

É possível começar a planejar aos 40?

Sim, afirmam os especialistas, essa é uma meta possível. Para quem já passou dos 40 anos e ainda não começou a se planejar, entretanto, será preciso guardar uma fatia maior da renda para chegar lá. Para Rafael Carvalho, o segredo para atingir esse objetivo não está em quanto se investe, mas no momento em que você começa.

Imagine duas pessoas investindo R$ 700 por mês, sugere ele, com planos de se aposentar aos 65 anos e iniciando essa reserva em momentos diferentes da vida. 

  • Com R$ 700 por mês, quem começa aos 30 anos consegue construir uma reserva próxima de R$ 1,5 milhão ao 65 anos.
  • Já quem começa aos 40 anos, a partir do mesmo esforço mensal ao final terá R$ 636 mil. Menos da metade, com o mesmo dinheiro guardado todo mês.

Por essa lógica, para compensar os dez anos em que não poupou, quem inicia essa formação de reserva aos 40 anos precisaria investir R$ 1.650 por mês para atingir os mesmos R$ 1,5 milhão de quem iniciou aos 30 anos. Em sua conta, Carvalho considerou uma rentabilidade real de 8% ao ano (acima da inflação), referência que a maioria dos economistas usa hoje para carteiras de longo prazo.

Na prática, segundo Carvalho, para chegar aos 65 anos com aproximadamente *R$ 1,2 milhão a matemática é a seguinte:

Existe idade ideal para começar?

A idade é um fator importante, entretanto, não deveria ser o único critério levado em conta aqui, diz Rejane Tamoto. Conforme a pessoa se aproxima da aposentadoria, normalmente aumenta a importância de proteger o patrimônio que será necessário para financiar os primeiros anos de renda. Isso não significa simplesmente ficar 100% em renda fixa ao se aposentar. 

A pessoa pode continuar tendo uma expectativa de vida de 20, 30 anos ou mais e ainda precisar de crescimento do patrimônio para preservar seu poder de compra", afirma a planejadora.

Portanto, o planejamento dessa reserva deve acompanhar não apenas a idade, mas também a fase de vida, a necessidade de renda, a tolerância a risco e o momento em que cada parcela do patrimônio será utilizada.

No caso dos profissionais autônomos (Pessoa Jurídica) Tamoto sugere que se faça uma simulação no site Meu INSS ou com um especialista em INSS para considerar os cenários possíveis. Com isso, a pessoa terá uma ideia de quanto deveria aumentar a sua atual contribuição ou começar a contribuir.

Seja realista ao estabelecer metas

Investir é parecido com ir à academia, compara Carvalho. "Se você se compromete a começar treinando cinco vezes por semana, provavelmente não vai conseguir cumprir essa meta, vai se desmotivar e parar de fazer. Com dinheiro é igual, se você coloca uma meta muito agressiva, no segundo ou terceiro mês provavelmente não vai conseguir cumprir, e esse projeto vai ser deixado de lado". 

O segredo, reforça ele, é começar investindo aquilo que você consegue, e ir aumentando aos poucos. O importante, principalmente no começo, é criar o hábito de investir.

Um erro básico dos principiantes, segundo os especialistas ouvidos pelo VIVA, é misturar o dinheiro da aposentadoria com o de outros objetivos, como viagem, carro novo ou reforma da casa. A recomendação é ter uma conta ou investimento exclusivo, dedicado somente à aposentadoria.

Segundo Rejane Tamoto, o planejamento fica muito mais eficiente quando pensamos na aposentadoria como uma composição de diferentes fontes de renda. A previdência complementar, por exemplo, tem justamente o objetivo de oferecer uma renda adicional àquela proporcionada pela Previdência Social.

A estratégia precisa considerar não apenas quanto será necessário acumular até a aposentadoria, mas também como o patrimônio será utilizado, por quanto tempo precisará durar e como as necessidades financeiras poderão mudar ao longo das diferentes fases da longevidade".

Opções para diversificar sua renda

Entre os produtos financeiros disponíveis no mercado, o professor de administração da ESPM Jorge Ferreira dos Santos Filho observa que o Tesouro Nacional criou um especificamente pensado para quem vai se aposentar e deseja ter uma renda extra, o Tesouro Renda Mais.  

"Quando a pessoa ainda tem um horizonte mais longo também é possível manter uma parcela diversificada de suas reservas em ativos de crescimento, como ações de empresa que estão investindo em expansão", diz Santos Filho. 

Na realidade,  esse planejamento não termina quando a pessoa se aposenta, afirmam os especialistas. É importante saber que o modo "recalcular a rota" pode e deve ser acionado quantas vezes for necessário.

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